Estudos decoloniais relacionados às tic na ciência da informa-ção: um panorama a partir da Brapci
DOI:
https://doi.org/10.62758/re.v2i4.155Palavras-chave:
Informação e Tecnologia, Perspectivas Críticas, Teoria Crítica, DecolonialidadeResumo
A pesquisa em Ciência da Informação (CI) incorpora, progressivamente, perspectivas críticas em seu escopo teórico, epistemológico, metodológico e pragmático, a fim de ampliar as perspectivas a partir das quais se compreendem os fenômenos investigados. Os fenômenos sociais abordados pela pesquisa científica são reconhecidamente influenciados por fatores históricos, políticos e socioculturais que envolvem aspectos como gênero, raça e classes sociais. Os fenômenos informacionais, enquanto pertencentes a esse âmbito, são igualmente influenciados por tais aspectos. Da mesma forma, os dispositivos informacionais - bibliotecas, arquivos e museus - apresentam iniciativas pautadas por tais perspectivas em suas atividades. No âmbito das teorias críticas na CI, destacam-se estudos e iniciativas com perspectivas decoloniais nos equipamentos informacionais e nas questões informacionais abordadas pela área. A perspectiva decolonial busca questionar os vestígios das relações de dominação Norte-Sul que perduram nos âmbitos ideológicos e epistemológicos, a partir de processos de subjetivação impostos. Considerando que as tecnologias de comunicação e informação (TIC) são igualmente afetadas por vieses de perspectiva colonial e que a perspectiva decolonial é, portanto, desejável em estudos voltados a temáticas relacionadas, este trabalho objetiva responder à seguinte questão de pesquisa: qual o panorama das pesquisas relacionadas às TIC com perspectiva decolonial no âmbito da Ciência da Informação brasileira? Nesse contexto, a proposta deste trabalho é traçar um panorama sobre as tendências de pesquisa relacionadas à perspectiva decolonial voltadas a temas relacionados às TIC no âmbito da Ciência da Informação, a fim de observar o estado da temática e possíveis lacunas a serem preenchidas por novas pesquisas relacionadas ao tema no contexto brasileiro. A hipótese levantada é que, embora seja crescente a produção de pesquisas relacionada à perspectiva decolonial na Ciência da Informação, o número de produções voltadas às TIC é ainda escassa no contexto brasileiro. Foi possível observar que as publicações sobre ou com perspectiva decolonial/pós-colonial/descolonial/anticolonial foram majoritariamente voltadas aos estudos epistemológicos. O escasso número de publicações voltados a temáticas relacionadas às TIC apontam para uma demanda crescente por estudos neste âmbito com perspectiva decolonial, considerando a importância desta perspectiva demonstrada no número e na qualidade das publicações recuperadas. A constatação de que as tecnologias, enquanto produtos criados e administrados por seres humanos igualmente afetados pelo racismo estrutural reforça a necessidade de se desenvolverem mais estudos sobre a temática a fim de contribuir para a superação deste problema social.
Referências
Araújo, C. A. Á. (2009). Correntes teóricas da ciência da informação. Ciência da informação, 38, 192-204. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-19652009000300013
Araújo, C. A. A. (2013). Manifestações (e ausências) de pensamento crítico na ciência da informação. Biblos, 27(2), 09-30. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2178-2075.v5i1p27-46
Araújo, C. A. Á. (2014). O que é Ciência da Informação?. Informação & informação, 19(1), 01-30. DOI: https://doi.org/10.5433/1981-8920.2014v19n1p01
Araújo, C. A. Á. (2021). New epistemological challenges for information science. Palabra Clave (La Plata), 10(2), e116. DOI: https://doi.org/10.24215/18539912e116
Azevedo, N. T., Torres, K. R. I., & dos Anjos Borba, C. (2019). Gênero, território e decolonialidade: experiências e perspectivas no Brasil. Guaju, 5(1), 2-14. DOI: https://doi.org/10.5380/guaju.v5i1.68579
Berman, S. (1993). Prejudices and antipathies: a tract on the LC Subject Heads concerning people. Jefferson: MacFarland&Co.
Ballestrin, L. (2013). América Latina e o giro decolonial. Revista brasileira de ciência política, 89-117. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-33522013000200004
Bezerra, A. C., Schneider, M., & Saldanha, G. S. (2019). Competência crítica em informação como crítica à competência em informação. Informação & Sociedade: Estudos, 29(3). DOI: https://doi.org/10.22478/ufpb.1809-4783.2019v29n3.47337
Capurro, R. (2003). Epistemologia e ciência da informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - ENANCIB, 5. Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2003.
Castro, M. A. D. (2009). Dicionário de poética e pensamento. Internet. Disponível em: http://www. dicpoetica. letras. ufrj. br.
Felix, C. B. & Paulla, M. (2021). Racismo cotidiano na política brasileira: xingamentos e ameaças contra a parlamentar negra Talíria Petrone e seu significado na herança colonial. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação Em Saúde, 15(2). https://doi.org/10.29397/reciis.v15i2.2332. DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v15i2.2332
Fiormonte, D. & Sordi, P. (2019). Humanidades digitais do sul e GAFAM. Para uma geopolítica do conhecimento digital. Liinc Em Revista, 15(1). https://doi.org/10.18617/liinc.v15i1.4730 DOI: https://doi.org/10.18617/liinc.v15i1.4730
Flores, J. I. R., García, M. J. M., López, M. G. & León, P. C. (2020). Perspectiva decolonial de la investigación educativa y social: rompiendo-do con la hegemonía epistemológica. In Caminos y derivas para otra investigación educativa y social (pp. 81-94). Octaedro.
García Gutiérrez, A. (2013). La organización del conocimiento desde la perspectiva poscolonial: itinerarios de la para consistencia. Perspectivas em Ciência da Informação, 18, 93-111. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-99362013000400007
Mignolo, W. (2010). Desobediencia epistémica: retórica de la modernidad, lógica de la colonialidad y gramática de la descolonialidad. Ediciones del signo.
Mignolo, W. D. & Walsh, C. E. (2018). On decoloniality: Concepts, analytics, praxis. Duke University Press. DOI: https://doi.org/10.1215/9780822371779
Quijano, A. (2005). Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. Clacso.
Quijano, A. (2012). “Bien vivir”: entre el “desarrollo” y la des/colonialidad del poder. Viento sur: Por una izquierda alternativa, (122), 46-56.
Reis, M. N. & Andrade, M. F. F. (2018). O pensamento decolonial: análise, desafios e perspectivas. Revista espaço acadêmico, 17(202), 01-11.
Rico, S. A. (2010). Wikipedia: ni libre ni de izquierdas. Revista Cubana de Información en Ciencias de la Salud (ACIMED), 21(1), 132-134.
Righetto, G. G. & Karpinski, C. (2021). For a decolonial social epistemology. Transinformação, 33. DOI: https://doi.org/10.1590/2318-0889202133e200039
Simmons, A. (2015). Technology Colonial-ism. Model View Culture. A Magazine about Technology, Culture and Diversity, 27, 18 sep. 2015. https://modelviewculture.com/pieces/technology-colonialism.
Xavier, C., Morais, K. S. de & Carneiro, N. V. B. (2021). MostrEmCasa: Arte, Tecnologia e Ex-periência Decolonial no Contexto de Pande-mia. Liinc Em Revista, 17(2), e5774. https://doi.org/10.18617/liinc.v17i2.5774. DOI: https://doi.org/10.18617/liinc.v17i2.5774
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2022 Revista EDICIC

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Associação detém os direitos autorais dos textos que publica e adota a licença Creative Commons, CC BY 4.0 DEED Atribuição 4.0 Internacional (https://creativecommons.org/
Você tem o direito de:
- Compartilhar: copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar: remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.