O ensino sobre inteligência artificial diante das mudanças climáticas: uma análise dos currículos de biblioteconomia nas universidades públicas federais brasileiras
DOI:
https://doi.org/10.62758/re.313Palavras-chave:
Ensino de Biblioteconomia, Educação em Informação Socioambiental, Inteligência Artificial, Mudanças Climáticas, Universidades BrasileirasResumo
Apresenta os resultados de investigação sobre a formação em Biblioteconomia no Brasil. Parte do pressuposto da urgência da introdução de reflexões sobre os desafios da contemporaneidade no ensino de Biblioteconomia. Elege a crise climática contemporânea e a introdução da Inteligência Artificial e de suas aplicações como parte desses desafios. Aponta a crise climática, a inteligência articula e suas possíveis articulações como objeto da investigação. Tem por objetivo investigar as matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia das Universidades Públicas federais brasileiras, com vistas a verificar as articulações entre a Educação em Informação Socioambiental e as abordagens sobre Inteligência Artificial na formação em Biblioteconomia a partir da análise das ementas e das bibliografias. Estabelece como recorte para o corpus da pesquisa as matrizes curriculares que constam do e-MEC, base de dados oficial dos cursos e instituições de Educação Superior no Brasil. Após a aplicação dos critérios para identificação das disciplinas com abordagens relacionadas a Inteligência Artificial realiza a análise de 65 disciplinas. Constata a baixa presença do debate sobre a Inteligência Artificial, bem como a inexistência de abordagens que tematizem os efeitos de seu uso expandido, em particular dos aspectos relacionados aos impactos socioambientais. À título de conclusão, destaca a urgência da centralidade dos debates políticos, sociais e educacionais, especialmente em contextos formativos como o da Biblioteconomia. Considera que a crescente complexidade dos desafios socioambientais contemporâneos exige a construção de infra-estruturas que favoreçam a compreensão das relações intrínsecas entre informação, sociedade e meio ambiente, bem como das possibilidades de atuar criticamente diante das transformações tecnológicas em curso. Compreende a inteligência artificial não apenas como uma ferramenta técnica, mas como uma aliada estratégica na disseminação de informações que promovam a educação em informação socioambiental, desde que utilizada de forma ética, crítica e orientada pelo compromisso com a justiça social, com a justiça informacional e com a justiça climática.
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