Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.6, e-re.324, p.1-21, 2026. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
Entre a vocação educativa da biblioteca universitária a vigilância do Turnitin:
enfrentamento ao plágio acadêmico nas universidades estaduais paulistas
Vagner Almeida dos Santos, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Brasil,
https://orcid.org/0009-0006-4065-8810
Daniel Martínez-Ávila, Universidad de León (ULe), España, https://orcid.org/0000-0003-
2236-553X
DOI: 10.62758/re.324
RESUMO
Este artigo aborda o plágio acadêmico como uma conduta que compromete a integridade da
pesquisa científica. Analisa as implicações decorrentes de quatro tipos desse plágio e ressalta que o
uso do software Turnitin isolado o é suficiente para coibir sua prática. O contexto institucional da
pesquisa envolve as bibliotecas das universidades públicas paulistas, que se inserem nessa discussão
como lócus de investigação empírica. Considerando a literatura científica, o estudo tem como
principais referências as abordagens sobre o conceito de plágio acadêmico desenvolvidas por autores
como Krokoscz, Wachowicz e Costa. As organizações citadas acerca de integridade na pesquisa se
referem ao Committee on Publication Ethics e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo. Quanto ao percurso metodológico, adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza
descritiva e exploratória, com o objetivo de analisar o plágio acadêmico em sua relação com a
biblioteca universitária. A pesquisa articula a discussão conceitual de plágio acadêmico e do papel
institucional da biblioteca universitária com uma parte da pesquisa empírica baseada na análise de
páginas recuperadas nos portais eletrônicos das três referidas universidades. Para a análise,
selecionou-se os conteúdos mais representativos das páginas, visando identificar ações e recursos
voltados à prevenção e ao enfrentamento do plágio, bem como examinar a articulação dessas
iniciativas com as atividades das bibliotecas. O resultado indica a inexistência de ações, programas ou
políticas preventivas voltadas ao desenvolvimento de competências abrangentes no tema. Contudo,
constatou-se que em cada universidade, o enfrentamento do problema fica limitado à disponibilização
do Turnitin como instrumento de verificação posterior. O estudo mostra que a discussão sobre plágio
acadêmico é multifacetada e com pontos sensíveis. Destaca-se o potencial das bibliotecas
universitárias paulistas como agentes estratégicos para o desenvolvimento de competência
informacional sobre o enfrentamento ao plágio, em uma perspectiva preventiva, visto que atualmente
predomina intervenções corretivas centradas no uso do software. Evidencia-se também, a necessidade
de ampliar o protagonismo dessas bibliotecas por meio de iniciativas de capacitação no tema.
Palavras-Chaves: Plágio Acadêmico; Integridade na Pesquisa; Biblioteca Universitária; Universidades
Estaduais Paulistas; Boas Práticas Científicas; Turnitin.
Entre la vocación educativa de la biblioteca universitaria y la vigilancia Turnitin:
enfrentamiento del plagio académico en las universidades estatales de São Paulo
RESUMEN
Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.6, e-re.324, p.1-21, 2026. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
Este artículo aborda el plagio académico como una mala conducta que compromete la integridad de
la investigación científica. Analiza las implicaciones derivadas de cuatro tipos de este plagio y destaca
que el uso aislado del software Turnitin no es suficiente para cohibir su práctica. El contexto
institucional de la investigación involucra a las bibliotecas de las universidades públicas paulistas, que
se insertan en esta discusión como locus de investigación empírica. Considerando la literatura
científica, el estudio tiene como principales referencias los enfoques sobre el concepto de plagio
académico desarrollados por autores como Krokoscz, Wachowicz y Costa. Las organizaciones citadas
en relación con la integridad en la investigación son el Committee on Publication Ethics y la Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. En cuanto al recorrido metodológico, se adoptó un
enfoque cualitativo, de naturaleza descriptiva y exploratoria, con el objetivo de analizar el plagio
académico en su relación con la biblioteca universitaria. La investigación articula la discusión
conceptual sobre el plagio académico y el papel institucional de la biblioteca universitaria con una
parte de la investigación empírica basada en el análisis de páginas recuperadas en los portales
electrónicos de las tres universidades mencionadas. Para el análisis, se seleccionaron los contenidos
más representativos de las páginas, con el fin de identificar acciones y recursos orientados a la
prevención y al enfrentamiento del plagio, así como examinar la articulación de estas iniciativas con
las actividades de las bibliotecas. El resultado indica la inexistencia de acciones, programas o políticas
preventivas orientadas al desarrollo de competencias amplias en el tema. No obstante, se constató
que, en cada universidad, el enfrentamiento del problema se limita a la disponibilidad del Turnitin
como instrumento de verificación posterior. El estudio muestra que la discusión sobre el plagio
académico es multifacética y presenta puntos sensibles. Se destaca el potencial de las bibliotecas
universitarias paulistas como agentes estratégicos para el desarrollo de la competencia informacional
en el enfrentamiento del plagio, desde una perspectiva preventiva, dado que actualmente predominan
intervenciones correctivas centradas en el uso del software. Asimismo, se evidencia la necesidad de
ampliar el protagonismo de estas bibliotecas mediante iniciativas de capacitación en el tema.
Palabras clave: Plagio Académico; Integridad en la Investigación; Biblioteca Universitaria;
Universidades Estaduales de São Paulo; Buenas Prácticas Científicas; Turnitin.
Between the educational mission of the university library and Turnitin surveillance:
addressing academic plagiarism in São Paulo state universities
ABSTRACT
This article addresses academic plagiarism as a form of misconduct that compromises the integrity of
scientific research. It analyzes the implications arising from four types of plagiarism and emphasizes
that the isolated use of Turnitin software is not sufficient to curb this practice. The institutional context
of the research involves the libraries of public universities in the state of São Paulo, which are
incorporated into this discussion as a locus of empirical investigation. Based on the scientific literature,
the study draws primarily on approaches to the concept of academic plagiarism developed by authors
such as Krokoscz, Wachowicz, and Costa. The organizations cited with regard to research integrity are
the Committee on Publication Ethics and the São Paulo Research Foundation. Regarding the
methodological approach, a qualitative, descriptive, and exploratory design was adopted, aiming to
analyze academic plagiarism in its relationship with the university library. The research articulates the
conceptual discussion of academic plagiarism and the institutional role of the university library with
an empirical component based on the analysis of pages retrieved from the electronic portals of the
three aforementioned universities. For the analysis, the most representative content from these pages
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was selected in order to identify actions and resources aimed at the prevention and mitigation of
plagiarism, as well as to examine how these initiatives are articulated with library activities. The results
indicate the absence of preventive actions, programs, or policies aimed at developing comprehensive
competencies on the topic. However, it was found that, in each university, the approach to the
problem is limited to providing Turnitin as a tool for subsequent verification. The study shows that the
discussion of academic plagiarism is multifaceted and involves sensitive issues. It highlights the
potential of public university libraries in São Paulo as strategic agents for the development of
information literacy related to plagiarism prevention, from a preventive perspective, given that
corrective interventions centered on the use of software currently predominate. It also underscores
the need to expand the protagonism of these libraries through training initiatives on the subject.
Keywords: Academic Plagiarism; Research Integrity; University Library; São Paulo State Universities;
Good Scientific Practices; Turnitin.
1 INTRODUÇÃO
O fenômeno plágio em suas múltiplas formas de manifestação, revela fissuras éticas profundas
na produção do conhecimento, sobretudo, no meio acadêmico e na pesquisa. Mais do que ocorrência
de infração, ele se inscreve como sintoma de uma cultura que, por vezes, privilegia o produto em
detrimento do processo intelectual. Suas implicações podem se desdobrar em esferas administrativas,
jurídicas e éticas, variando conforme a tipologia do plágio identificado. Ressalta-se, que na intervenção
preventiva, ao antecipar problemas para reduzir danos, pode configurar-se como uma vantagem
crucial em relação a correção, que geralmente é feita após o plágio já ter acontecido.
Nesse contexto, a biblioteca universitária emerge não apenas como organismo acolhedor dos
recursos de informação, dedicada quase exclusivamente à organização e gerenciamento de acervos.
Ela vem sendo requerida como instância formadora, capaz de orientar, sensibilizar e cultivar nos
sujeitos e entes acadêmicos, o compromisso com a integridade e com respeito à autoria intelectual.
Ao abordarem boas práticas de prevenção ao plágio, Alfaro Torres & Juan-Juárez (2014) mencionam
ações no âmbito da Universidade de Castilla-La Mancha. As autoras destacam atividades promovidas
pela biblioteca da instituição, como a realização de treinamentos sobre competência informacional
aos discentes de diversos níveis. Tais capacitações priorizam o uso ético da informação na pesquisa,
integrando temas como propriedade intelectual e acesso aberto.
Com sua expertise no tratamento, na organização e na mediação documentária, a biblioteca
universitária configura-se como um ambiente privilegiado no tratamento do assunto plágio no meio
acadêmico. Ela pode oferecer programas, políticas e ações voltados ao enfrentamento e à prevenção
do problema, a partir de uma perspectiva educativa, criando e incorporando treinamentos e
capacitações específicas. Isso evidencia a centralidade da responsabilidade institucional, podendo
envolver diretamente a biblioteca. Cabe às organizações de pesquisa e aos pesquisadores promoverem
a integridade e a boa conduta científica. Para isso, as instituições devem assegurar a existência de
políticas e procedimentos voltados tanto à prevenção quanto à apuração e correção de eventuais
desvios éticos que possam comprometer a qualidade da atividade científica (Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo[FAPESP], 2025).
Não se mostra razoável que a biblioteca universitária se omita ou mantenha-se alheia à
possibilidade da ocorrência de plágio no contexto acadêmico. Tal postura seria contraditória, uma vez
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que essas práticas comprometem a qualidade dos conteúdos que a própria biblioteca coleta, preserva,
gerencia e dissemina. Em última instância, a maneira como o plágio é enfrentado reflete o grau de
compromisso institucional com a integridade intelectual no ensino e na pesquisa, podendo envolver,
em maior ou menor medida, a biblioteca universitária, seu sistema ou rede, uma vez que tais unidades
de informação constituem parte integrante das instituições de ensino e pesquisa.
O plágio é discutido aqui como um problema científico e acadêmico, porque se refere à
apropriação indevida de conteúdo ou ao roubo de ideias, podendo resultar em engano e fraude
acadêmica, o que compromete a integridade da prática científica (Krokoscz, 2015; Alua, Asiedu &
Bumbie-Chi, 2023). Outro impacto relevante é a violação dos direitos autorais (Krokoscz, 2015;
Wachowicz & Costa, 2016; Alua, Asiedu & Bumbie-Chi, 2023). Tais práticas contribuem para crise da
autoria, pois ferem o princípio da honestidade intelectual, comprometem a aprendizagem ao afetar
negativamente a capacidade crítica do sujeito plagiador, desqualificam o processo científico e
desvalorizam o mérito acadêmico.
O problema do plágio no âmbito acadêmico pode gerar diversas consequências. No plano
ético-administrativo, pode resultar na destituição de títulos acadêmicos e na demissão do emprego;
no campo das publicações científicas, pode levar à retratação de artigos publicados. Quanto aos
trabalhos acadêmicos, estes podem ser reprovados. no âmbito jurídico, quando se constata a
violação de direitos autorais, o plágio pode ensejar processos de indenização, implicando inclusive o
desperdício de recursos públicos e privados (Krokoscz, 2015).
Este desvio de conduta representa verdadeiramente ameaça à integridade na produção de
conhecimento no ambiente acadêmico. Esse desvio, denominado plágio acadêmico, é uma das
condutas mais danosas no meio científico, pois acarreta inúmeras consequências, afetando em última
instância o direito do autor de um conhecimento produzido. De certo modo, o esforço empreendido
neste estudo reflete a inquietação em torno da preservação da autoria e da legitimidade do conteúdo
intelectual. Essa é uma preocupação que atravessa não apenas o campo acadêmico, mas também a
ética que sustenta a criação e a circulação do conhecimento em diversos outros contextos, como o da
música, das artes, de marcas e de patentes, por exemplo.
Como questão direcionadora, neste artigo é indagado, quais ações contra a conduta de
plágio acadêmico podem ser desenvolvidas pela biblioteca universitária? A questão aqui proposta
exige refletir sobre as atribuições e as possibilidades que a biblioteca universitária necessita assumir
diante do problema do plágio. Não apenas porque o enfrentamento a essa prática ainda não se
consolidou como um princípio estruturante em maior parte das bibliotecas universitárias ao redor do
mundo, mas também porque seu papel permanece difuso nas políticas institucionais de integridade
acadêmica. Ainda é possível perguntar como as informações empíricas recuperadas nos sites
pesquisados para este estudo se relacionam ao plágio acadêmico? diretrizes incorporadas nos
serviços bibliotecários dessas instituições para desenvolvimento de competência sobre o assunto?
Para tratar dessas indagações, definiu-se como objetivo geral, discutir o plágio acadêmico e
possíveis medidas preventivas e de combate a essa conduta com apoio das bibliotecas das
universidades públicas paulistas. A busca pelo objetivo maior é expressa pelos seguintes objetivos
específicos: a) caracterizar quatro tipos de plágio acadêmico que comprometem a integridade da
produção de conhecimento e; b) identificar ações e recursos empreendidos pelas bibliotecas das
instituições universitárias desse estudo para a prevenção e combate do plágio acadêmico.
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Como justificativa, menciona-se a necessidade de múltiplos atores institucionais atuarem em
conjunto para assegurar a integridade e a ética na pesquisa científica; dentre eles, a biblioteca
universitária pode desempenhar um papel relevante de apoio e capacitação aos usuários no contexto
acadêmico. Ao impulsionar ações para coibir o plágio, estudantes, professores, pesquisadores e
setores da universidade necessitam compreender melhor o plágio acadêmico, suas peculiaridades e
implicações, a fim de evitá-lo. Então, em linhas gerais as instituições de pesquisa são corresponsáveis
pela integridade ética científica, devendo promover uma cultura de boa conduta e de forma
preventiva, e quando for o caso, investigar e punir eventuais más práticas por meio de procedimentos
adequados (FAPESP, 2014).
Este artigo é composto por esta introdução que destaca o contexto do estudo e menciona a
problemática relacionada ao plágio acadêmico. Na seção seguinte, discute o plágio acadêmico como
uma conduta ética complexa e cheia de facetas, caracterizando quatro tipos recorrentes e sua
relação com a biblioteca universitária como parte orgânica da instituição universitária. A seção da
metodologia, aponta a pesquisa do tipo exploratória e de natureza qualitativa, fundamentada em
revisão de literatura e nas informações sobre plágio acadêmico disponíveis nos sites das universidades.
Na penúltima seção, a análise das páginas institucionais indica que as ações relacionadas ao plágio
acadêmico se concentram no uso de um software. Por último, o estudo aponta que o enfrentamento
do plágio ainda é predominantemente corretivo.
2 PLÁGIO ACADÊMICO COMO MÁ CONDUTA
Esta seção dedica-se a sistematizar e discutir aspectos teóricos relacionados ao plágio
acadêmico, articulados ao papel da biblioteca universitária, com base nas contribuições de diversos
pesquisadores sobre o tema. Inicialmente, adota-se uma abordagem de caráter mais geral, na qual o
plágio é discutido em um contexto mais amplo. Em seguida, a discussão avança para aspectos mais
específicos, contemplando, entre outros pontos, alguns dos tipos de plágio acadêmico mais
recorrentes na literatura.
A intensificação das discussões em torno da má conduta nas pesquisas acadêmicas revela um
movimento de vigilância ética que atravessa o campo científico, impulsionando instituições que
recorrem a tecnologias e estratégias de gestão que possam assegurar a integridade das investigações
que coíbam a ocorrência de irregularidades e práticas duvidosas (Suzigan, Garcia & Massaro, 2021).
Contudo, evidências de que os recursos tecnológicos, por si só, não são suficientes para
averiguação; a atuação humana é imprescindível para lidar com condutas que resultam em más
práticas, sobretudo, o plágio no contexto acadêmico.
diversas condutas passíveis de serem caracterizadas como más práticas na atividade
científica, especialmente no âmbito da produção do conhecimento, entre as quais se destaca o plágio.
De acordo com Goya Laza e Luisa Salas (2015), entre as más práticas mais prejudiciais à pesquisa
científica destacam-se: a deliberação do autor em apropriar-se de ideias ou conteúdos alheios sem a
devida atribuição de crédito (o plágio); a invenção de dados de pesquisa, conhecida como fabricação;
e a manipulação intencional de dados, processos ou resultados, caracterizada como falsificação.
As agências de fomento à pesquisa compartilham desse entendimento. De acordo com o
Código de Boas Práticas Científicas da FAPESP, além da fabricação e da falsificação de dados serem
caracterizadas como más condutas científicas, o plágio também é reconhecido como uma prática
eticamente reprovável (FAPESP, 2014). A World Conferences on Research Integrity, (2011) classifica o
plágio como prática irresponsável capaz de comprometer a confiabilidade da pesquisa científica.
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É preciso ressaltar que o plágio apresenta desafios e complexidades, sobretudo no que se
refere à sua detecção. De acordo com Krokoscz (2015), os desafios relacionados às práticas de plágio
estão associados a fatores como o tratamento simplista frequentemente atribuído ao tema e a falsa
dicotomia que o reduz a meros erros procedimentais e normativos ou à má-fé do plagiador. Soma-se
a isso a complexidade inerente à definição de autoria, cuja negligência pode levar a uma compreensão
reducionista do problema, agravada pelo crescente impacto das tecnologias da informação. Bell (2018)
também considera o plágio acadêmico como um fenômeno complexo e multifacetado. Logo, não
solução simples ao problema.
No sentido geral, plágio é entendido como apropriação indevida de um conhecimento ou
conteúdo intelectual, anteriormente publicado em qualquer formato ou meio (físico, digital ou virtual),
sem a correta atribuição de autoria, quase sempre intencional e raramente acidental. Em outras
palavras, o plágio consiste na utilização das ideias ou palavras de outra pessoa sem lhes atribuir os
créditos autorais, apresentando-as como se fossem de quem as utiliza. Essa ação é análoga à
apropriação indevida, contendo o mesmo sentido de realizar cópia ou roubo de ideias de alguém sem
a devida citação (Dictionary, 2025).
De outro modo, apropriar-se das ideias ou da linguagem de outrem sem o devido
reconhecimento configura-se, ainda que de forma não intencional, como um ato de plágio. Tal conduta
evidencia a importância e o rigor metodológico necessários ao processo de pesquisa e escrita. A
menção correta de fontes e autores não deve ser vista como mera formalidade, e sim como parte
essencial do diálogo intelectual que sentido à produção científica e cultural (Harvard University
[HU], 2025). Por essa razão, o plágio constitui um problema ético que deve ser assumido como ponto
de atenção também pelos periódicos científicos, os quais precisam estabelecer diretrizes rigorosas
para prevenir essa prática e assegurar a integridade nas publicações (Committee on Publication
Ethic [COPE], 2025).
A prática do plágio tem sido mais fortemente associada à má conduta ética que se manifesta
em diversos domínios, extrapolando o ambiente acadêmico e permeando áreas diversas como a da
música, das artes, do jornalismo e da tecnologia, entre outras. Embora suas ramificações sejam vastas,
o presente estudo analisa o plágio apenas no âmbito acadêmico, modalidade que tem sido objeto de
crescente preocupações e debates em instituições de ensino e de pesquisa. De acordo com Wachowicz
e Costa (2016), o plágio acadêmico representa uma atitude antiética que frauda o cenário competitivo
das pesquisas prejudicando de forma mais abrangente o desenvolvimento educacional, cultural e
tecnológico. O plágio acadêmico gera problemas de ordem ética e também jurídica. O primeiro refere-
se à ausência de honestidade acadêmica e científica, enquanto o segundo diz respeito à violação dos
direitos autorais (Alves, Casarin & Fernández-Molina, 2016).
A Revista Pesquisa FAPESP, por exemplo, atenta a esse tipo de plágio, dedicou uma página
informativa sobre boas práticas contra o plágio e às implicações de sua ocorrência. A página destaca o
tratamento dado ao assunto pela University Grants Comission (UGC), órgão governamental da Índia.
Para a UGC, o plágio acadêmico ocorre quando alguém decide, sem mencionar a autoria intelectual,
"tomar o trabalho ou a ideia de outra pessoa e apresentá-lo como sendo seu". Para o órgão, as
punições são escalonadas conforme o percentual de plágio detectado: a 10% não deve gerar
penalidade, contudo, percentuais superiores a 60% resultam nas consequências mais rigorosas. No
último caso, o plagiador pode sofrer processo disciplinar e, como professor, corre o risco de demissão,
e como aluno, de suspensão da matrícula (FAPESP, 2025).
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Krokoscz* (2015) comenta que iniciativas de agências de fomento à pesquisa, conforme
mencionado, são especialmente relevantes uma vez que poucas medidas efetivas dentro das
universidades para combater o plágio, apesar do assunto ser de interesse dessas instituições, nacional
e internacionalmente. A complexidade do plágio sugere que seu tratamento não deve ser reduzido
apenas a erros na aplicação de normas de referência e de citação. Para que haja compreensão mais
adequada do que ele representa, é primordial que as escolas de ensino superior e de pesquisa
desenvolvam competência em seus alunos a noção de autor e de autoria na produção do
conhecimento (Krokoscz, 2015).
Partindo desse entendimento de que não se deve confundir o plágio acadêmico com meros
erros ou deslizes simplesmente, uma vez que ele frequentemente se inscreve em zona nebulosa que
o ético e o questionável se tocam, dependendo, muitas vezes, das sensibilidades e convenções próprias
de cada comunidade científica. Suas motivações, então, podem variar desde o descuido com as normas
e técnicas de escrita até a intenção deliberada e ardilosa de se apropriar indevidamente de ideias ou
conteúdo alheio. O resultado pode caracterizar-se, uma forma de fraude intelectual que implica,
inevitavelmente, a relação entre dois sujeitos: o autor original e aquele que, consciente ou não, toma
para si, o que não lhe pertence (Krokoscz, 2015).
Neste contexto, uma das atividades mais importantes na produção intelectual científica é a
atribuição de autoria. O produtor de conhecimento necessita assumir responsabilidades para que seu
conteúdo não seja cópia do que fizeram outros autores, evitando assim a ocorrência de plágio.
Contudo, segundo Krokoscz (2015) ainda é difícil acordar entre as mais diversas áreas do
conhecimento, os critérios para o estabelecimento de autoria, todavia, sem dúvidas é necessário que
para ser autor de trabalho científico, o indivíduo tenha participação significativa na formulação e
desenvolvimento do conteúdo intelectual.
A definição de autor, neste caso, vai muito além do sentido etimológico da palavra, tal como
registrado pelos dicionários, que indicam o autor como aquele que cria, inventa ou descobre um
conteúdo artístico, científico ou literário. Tem-se ainda, o conceito de autoria, que é a condição
desempenhada pelo autor (Krokoscz, 2015). Quando se trata de autoria científica no contexto
acadêmico, fatores como incentivos financeiros, pressão por publicação e mesmo questões de vaidade
tornam-se decisivos na definição de quem assina um trabalho.
As condições para que uma pessoa seja reconhecida como autora de uma produção científica
são difíceis e complexas, em razão da ausência de critérios universais. Contudo, entende-se que a
atribuição de autoria deve recair sobre indivíduos cujas contribuições tenham sido essenciais para a
gênese do trabalho, como a concepção da ideia central, a formulação das hipóteses e a estruturação
metodológica. Do mesmo modo, a revisão crítica da literatura e a sustentação teórica consistente
configuram contribuições relevantes para a composição da autoria de um trabalho científico. Ademais,
a inclusão de outras pessoas como autores, tais como orientadores, gestores institucionais ou
financiadores, deve estar condicionada à efetiva participação intelectual no desenvolvimento da
pesquisa, distinguindo-se claramente a colaboração técnica ou administrativa da autoria científica
propriamente dita (Petroianu, 2005).
Lopes, Costa, Bracho & Carneiro (2024) explicam que a prática do plágio corrói a ética na
pesquisa ao propagar dados falsos ou duvidosos, fazendo com que a comunidade científica perca
investimentos e esforços em fundamentos equivocados. Ao trocar a criatividade pela simples cópia
inapropriada, esse comportamento impede o progresso do conhecimento e enfraquece o prestígio do
cientista, gerando um distanciamento prejudicial entre a sociedade e as inovações tecnológicas.
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Corroborando os autores mencionados, Wachowicz e Costa (2016) identificam outras
consequências associadas ao cometimento de plágio acadêmico. Entre elas, destacam-se: o
favorecimento indevido ao plagiador em processos avaliativos que classificam teses e dissertações
para fins de concessão de benefícios; os significativos prejuízos à reputação de periódicos e de seus
editores; a necessidade de que instituições de ensino e pesquisa enfrentam o problema e adotem
medidas rigorosas de controle; além da possibilidade de reprovação em bancas de defesa e, até de
desligamento de estudantes ou docentes da instituição. Os autores enfatizam que tais práticas violam
o direito autoral e o mérito intelectual, podendo acarretar também dano moral. Shinkai (2014) e
Krokoscz (2015) acrescentam que a comprovação da ocorrência de plágio pode conduzir, de forma
inevitável, à retratação formal de documentos científicos já publicados.
Para enfrentar o plágio acadêmico, é fundamental a implementação de ações contínuas e
abrangentes de formação voltadas à integridade no fazer científico e ao uso adequado de recursos
digitais, visando não apenas à correção, mas sobretudo à prevenção do problema. Alves, Casarin &
Fernández-Molina (2016) mencionam que é preciso realizar atividades que desenvolvam a
competência informacional para lidar com a dimensão ética e legal do uso da informação, seja por
meio dos currículos, de ações pontuais ou de capacitações voltadas à aplicação de normas e técnicas
da escrita científica, bem como o conhecimento sobre direitos autorais e licenças Creative Commons.
Contribuem para esse processo os códigos de conduta e as diretrizes institucionais, assim como o uso
de tecnologias apropriadas para auxiliar. A biblioteca universitária pode atuar como suporte no
desenvolvimento de ações específicas que promovam reflexões críticas sobre autoria e plágio, em
parceria com os demais setores envolvidos no ensino e na pesquisa.
Embora softwares sejam ferramentas que ajudam na detecção de plágio, como apontado na
literatura, a análise tecnológica por si só não é suficiente, exigindo a curadoria humana (Alves, 2016).
Isso ocorre principalmente porque ainda é um desafio os softwares relacionarem as palavras
encontradas com a estrutura semântica de um texto reescrito com outra redação. A despeito disso,
diversos softwares e sites dedicados à investigação de possíveis plágios surgiram nos últimos anos.
Entre os recursos gratuitos disponíveis, destacam-se: AntiPlagiarist, Copyscape, CopySpider,
Plagiarism.org e Check for Plagiarism (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 2025).
Como recurso tecnológico pago e um dos mais conhecidos para essa finalidade, destaca-se o
software Turnitin. Segundo Obando Zambrano (2024), a ferramenta é amplamente utilizada no mundo
para a verificação de similaridade textual. Ela identifica, com boa eficiência, coincidências entre um
texto submetido e trabalhos previamente publicados na internet, contribuindo, em certa medida, para
inibir o plágio. Contudo, como aspecto negativo, emerge a sensação de vigilância e controle sobre a
produção do conhecimento em instituições que adotam esse tipo de software. De forma semelhante,
o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa como ChatGPT, tem-se tornado um desafio
importante na detecção de práticas acadêmicas desonestas. Os mesmos softwares utilizados ou
disponibilizados por bibliotecas para detecção de plágio, como por exemplo o Turnitin, estão
integrando funções relacionadas com a detecção de uso de ferramentas de Inteligência Artificial
(Turnitin, 2025).
2.1 Diferentes Tipos de Plágio Acadêmico
O plágio acadêmico pode assumir múltiplas feições, revelando-se ora de maneira sutil, ora de
forma explícita. Para compreender sua amplitude e complexidade, é fundamental reconhecer algumas
de suas principais tipologias. Nesta seção, apresentam-se quatro tipos amplamente discutidos na
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literatura científica. Identificar essas variações não apenas amplia as possibilidades de melhor
compreensão do fenômeno, mas também permite fortalecer as medidas de prevenção e os
mecanismos de detecção. A seguir, delineiam-se essas categorias mais encontradas em estudos
relevantes sobre o tema.
Um dos tipos mais comuns é o plágio integral ou total (Wachowicz & Costa, 2016), também
denominado plágio direto (Krokoscz, 2015; Wachowicz & Costa, 2016) ou plágio literal (Harvard
University, 2025). Consiste em copiar exatamente o conteúdo conforme encontrado. Dessa forma,
oculta-se a autoria, sendo, portanto, o mais óbvio. Krokoscz (2015, p. 34) o define como a “reprodução
literal de um texto original sem identificação da fonte” e Wachowicz e Costa (2016, p. 131)
acrescentam que “as ferramentas de busca e a facilidade de reprodução possibilitam este tipo de
plágio, porém [...] é facilmente rastreado pelo uso de softwares específicos que detectam este tipo de
procedimento plagiário [...]”. Possivelmente deve ser o tipo de plágio que exige menos dificuldade para
sua identificação e tratamento.
Outro é o plágio indireto (Krokoscz, 2015; Wachowicz & Costa, 2016). É uma manifestação
comparada a uma paráfrase e acontece quando o plagiador menciona a mesma coisa já dita, sem usar
as mesmas palavras ou expressões e sem indicar o autor. De acordo com Krokoscz (2015, p. 34), pode
ser a “reprodução das ideias de uma fonte original com palavras diferentes da fonte original, mas sem
identificá-la”. De outro modo, trata-se de um tipo diversificado em suas formas de manifestação e que
se caracteriza pelo reaproveitamento de conteúdos, tais como dados, planilhas, citações e sumários
produzidos por terceiros, sem a devida atribuição de crédito autoral (Wachowicz & Costa, 2016).
Devido a ausência das palavras literalmente usadas pelo autor intelectual plagiado, torna-se mais difícil
sua detecção. Existe a possibilidade de que o uso de ferramentas de IA generativa na escrita, possa
significar um tipo de plágio indireto, enquanto o treinamento destas ferramentas tem sido um aspecto
controvertido em relação ao ocultamento de fontes e o infringimento de direitos autorais.
A terceira modalidade de conduta plagiadora destacada na literatura é o plágio consentido
(Krokoscz, 2015; Wachowicz & Costa, 2016). No meio acadêmico, essa prática está associada à busca
por vantagens associadas ao aumento da produção científica dos participantes, quando duas ou mais
pessoas concordam entre si, em incluir nomes em um trabalho científico no qual não tiveram
participação (Wachowicz & Costa, 2016). Forjada em grupo, pode ser compreendida como uma forma
de fraude intelectual resultante de um conluio entre os envolvidos. Segundo Krokoscz (2015, p. 34), o
plagiador decide participar de trabalhos como sendo próprios, mas que na verdade foram cedidos
por outros (amigos, colegas, parentes entre outros)”. Na linha do que foi apresentado, é plausível
supor que existam numerosos trabalhos científicos assinados por pessoas que pouco ou nada
contribuíram efetivamente na elaboração. Do mesmo modo, é possível identificar “vendedores” de
trabalhos acadêmicos, cuja oferta encontra-se na internet com facilidade.
Por último, o chamado autoplágio (Krokoscz, 2015). Trata-se de uma modalidade de
conduta acadêmica bastante questionada, cheia de nuances e apresenta várias peculiaridades. Ele é
entendido como a apresentação redundante de um conteúdo próprio como se fosse inédito, sem a
devida autocitação ou, segundo Krokoscz (2015, p. 34), é a reprodução de trabalhos próprios
apresentados em outras circunstâncias”. Codina & Cortiñas (2022) aproximam o conceito de
autoplágio da reciclagem de conteúdo, já que ambos se referem ao reuso de conhecimento próprio e
são práticas eticamente suspeitas. A distinção, porém, é crucial: o autoplágio é considerado
definitivamente reprovável eticamente. Já a reciclagem pode ser aceitável, dependendo do contexto.
Na prática, a reciclagem pode ser entendida como autoplágio quando utiliza trechos de um conteúdo
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em mais de uma fonte sem justificativa legítima ou autocitação. Suspeita-se que alguns artigos
científicos originados em teses, dissertações e trabalhos de conclusão de cursos de graduação sejam
resultado de autoplágio ou excessiva reciclagem.
Para este artigo, apresentou-se apenas quatro tipos de plágios mais comumente encontrados
na literatura. Todavia, outras tipologias que também podem ser exploradas e aprofundadas, não
sendo, porém, objeto deste estudo. Autores como Wachowicz e Costa (2016) mencionam "plágio às
avessas", "plágio invertido" e "plágio por encomenda"; Krokoscz (2015); Roig (2025); Harvard
University (2025), apontam o "plágio mosaico"; Krokoscz (2015) trata sobre o "plágio chavão" e “plágio
de fontes” e Harvard University (2025) menciona o tipo plágio “citação sem citação”.
2.2 A Biblioteca Universitária em Meio à Discussão
A biblioteca universitária está intrinsecamente ligada a uma instituição de ensino superior.
Pela visão tradicional, sua missão principal é suprir as necessidades informacionais dos seus usuários
(alunos de graduação e pós-graduação, professores e funcionários administrativos) no ensino, na
pesquisa e na extensão, podendo atender membros externos à sua comunidade acadêmica (Cunha &
Cavalcanti, 2008). Em alguns casos, existem diferenças acentuadas entre bibliotecas do ensino superior
e bibliotecas de pesquisa, o que justifica as duas denominações (International Federation of Library
Associations and Institutions, 2025).
Este setor deve ser compreendido como parte orgânica da organização de ensino superior e
pesquisa, e o apenas como um setor isolado. Sua razão de existir é atender às necessidades
informacionais de sua comunidade acadêmica (Leitão, 2005; Cunha & Cavalcanti, 2008), fornecendo
recursos que subsidiam as atividades de ensino, pesquisa e extensão, todas baseadas na informação e
no conhecimento que ela é capaz de captar e gerenciar (Cunha & Cavalcanti, 2008). Por este caminho,
a biblioteca universitária deve transcender sua função de gerência e disponibilização de acervos e,
assume também um papel educativo necessário. Afinal, como observam Nicolino e Casarin (2021, p.
12), "a biblioteca universitária deve proporcionar um conjunto de serviços no sentido de promover
junto aos usuários as condições necessárias para o desenvolvimento da competência em informação".
Dessa forma, enquanto setor de apoio que serve tanto à organização de ensino superior
quanto à de pesquisa e que, em seu conjunto, é frequentemente designada como biblioteca
universitária, demonstra uma afinidade intrínseca com a tarefa de promover a educação preventiva e
da promoção da integridade acadêmica no enfrentamento ao plágio. Na perspectiva do letramento
informacional, Germek (2012) atribui ao bibliotecário universitário um papel relevante no
desenvolvimento de ações preventivas contra o plágio, que incluem desde a aquisição e o
gerenciamento de softwares como o Turnitin até a divulgação de políticas institucionais em parceria
com docentes, valendo-se sobretudo de tutoriais e materiais informativos em ambiente digital.
Neste mesmo sentido, Bell (2018) argumenta que a biblioteca universitária desempenha um
papel relevante na educação voltada à prevenção do plágio acadêmico, atuando como um ambiente
de aprendizagem colaborativa que promove práticas éticas no uso e na incorporação de conteúdos de
outras pessoas. Segundo a autora, é mais benéfico investir em letramento informacional sobre o
assunto do que em punição.
Conforme estudo de Alves, Casarin e Fernández-Molina (2016), ao discutirem o uso ético da
informação e o combate ao plágio no contexto da biblioteca universitária, evidenciam que essas
unidades de informação podem, e talvez devam, assumir um papel formativo mais amplo. Por meio
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de atividades educativas, elas contribuem para o desenvolvimento de competências em informação
entre seus usuários, favorecendo um uso mais consciente e eticamente orientado dos recursos
informacionais. Tal formação amplia a compreensão acerca das dimensões legais, econômicas e sociais
que atravessam a produção do conhecimento. Os autores acrescentam que, a orientação para o uso
adequado das normas de documentação e a sensibilização quanto ao respeito aos direitos autorais
constituem caminhos eficazes para o enfrentamento do plágio no ambiente acadêmico.
3 MÉTODOS E MATERIAIS
O presente estudo reúne elementos que permitem fundamentar e explicitar o percurso
metodológico adotado. Do ponto de vista da natureza, a pesquisa adota abordagem qualitativa com a
finalidade de analisar o fenômeno estudado pela perspectiva da Ciência da Informação e da
Biblioteconomia. Levando-se em conta problemáticas de pesquisa, Lima e Manini (2021) consideram
que estudo qualitativo nessa área se caracteriza por um processo dinâmico e dialógico entre o
planejamento inicial e a complexidade da realidade investigada, possibilitando a sua reorientação e o
amadurecimento teórico do pesquisador. As questões de pesquisa elaboradas orientam o percurso
investigativo, podendo ser reformulados ao longo do processo, desde que se preserve o foco e o rigor
teórico-metodológico, evitando excessos de relativismo.
Quanto à caracterização da pesquisa como descritiva, esta se justifica pelo compromisso
assumido em descrever as características do fenômeno investigado e as relações entre as variáveis
envolvidas (Gil, 1999; Silva & Menezes, 2000), neste caso, o plágio acadêmico em sua aproximação
com a biblioteca universitária. A condição de pesquisa exploratória é útil [...] para diagnosticar
situações, descobrir soluções alternativas ou descobrir novas ideias [...], visando esclarecer e definir a
natureza de um problema e gerar mais informações que possam ser coletadas para a conclusão do
estudo” (Zikmund, 2000, p. 89). Dessa forma, o plágio acadêmico, por ainda apresentar-se como um
fenômeno pouco explorado quando relacionado à biblioteca universitária, configura-se como uma
inquietação relevante, cuja compreensão demanda uma investigação sistemática e aprofundada.
O universo da pesquisa é composto por uma dimensão teórica e outra empírica, baseada em
informações levantadas para análise. No plano teórico, o estudo fundamenta-se em uma revisão de
literatura sobre o plágio acadêmico e a biblioteca universitária, com vistas à recuperação e ao
aprofundamento desses dois conceitos centrais, a fim de formular uma compreensão do contexto
institucional em que se inserem. A análise da literatura permitiu atender ao primeiro objetivo e, quanto
a análise do conteúdo das páginas possibilitou alcançar o segundo objetivo específico.
O levantamento de informações empíricas foi realizado em três portais de universidades
públicas do Estado de São Paulo, a saber: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nesses
portais, identificou-se as páginas com as informações a serem coletadas. Os conteúdos referentes ao
plágio acadêmico foram obtidos em dois ambientes distintos de cada portal. O primeiro consistiu na
coleta direta nas páginas iniciais das bibliotecas universitárias de cada instituição, tais como
coordenadorias, diretorias ou gerências, apresentadas como instâncias superiores desse
departamento. Ademais, as páginas principais de sistemas ou redes vinculados às bibliotecas e/ou aos
serviços bibliotecários das respectivas universidades mostraram-se relevantes para o estudo; por essa
razão, quando existentes, tais informações também foram consideradas para fins de análise.
O segundo ambiente de coleta resultou da aplicação da estratégia de busca definida a priori.
Essa etapa permitiu identificar páginas institucionais de outros setores, com conteúdos relacionados
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ao tema do plágio acadêmico, confirmando sua relevância institucional. O objetivo foi identificar
eventuais ações sobre plágio mencionadas por setores da universidade diferentes daqueles inseridos
nas páginas das bibliotecas. Para tanto, adotou-se os seguintes parâmetros: a pesquisa foi realizada
diretamente no buscador Google, em aba de navegação anônima, por meio do navegador Google
Chrome, no dia 21 de junho de 2025, utilizando a estratégia de busca plágio AND biblioteca AND
(domínio)”, aplicada aos domínios “usp.br”, “unesp.br” e “unicamp.br”. Essa estratégia objetivou
recuperar conteúdos publicados exclusivamente nos domínios institucionais de cada universidades
analisadas, conforme representado no Quadro 1 seguinte.
Quadro 1: Instituições, setores e respectivos links das páginas pesquisadas nos portais institucionais
Instituição
Páginas iniciais das bibliotecas
Páginas de redes ou
sistemas
Páginas recuperadas nas
buscas
Unesp
Coordenadoria Geral de Bibliotecas
Rede de Bibliotecas
Biblioteca Campus de Franca
UNICAMP
Biblioteca Central Cesar Lattes
Relatório de verificação
Instituto de Biologia
USP
Bibliotecas
ABCD
Notícias
Fonte: Elaboração própria (2025).
O Quadro 1 apresenta, na primeira coluna, as siglas das três universidades analisadas; na
segunda, as principais páginas institucionais dos respectivos departamentos de bibliotecas. A terceira
coluna registra as subpáginas acessadas a partir dessas páginas principais, correspondentes a
ambientes que continham menções a redes ou sistemas de bibliotecas, bem como a menus e links
relacionados ao plágio acadêmico, ainda que sem referência direta a esse termo. Por fim, a quarta
coluna reúne endereços eletrônicos provenientes de outros setores, isto é, ambientes institucionais
nos quais a temática do plágio se faz presente e nos quais são registradas informações sobre iniciativas
e ações voltadas à integridade acadêmica, especificamente no que se refere ao plágio.
Para fins de tratamento e análise dos dados, no que se refere às informações obtidas por meio
das páginas específicas (colunas segunda e terceira), considerou-se exclusivamente o conteúdo
disponibilizado na página inicial de cada biblioteca. Quanto aos resultados decorrentes da aplicação
da estratégia de busca mencionada, em razão do elevado volume de páginas recuperadas, selecionou-
se para estudo e análise apenas a primeira página (topo) de resultados de cada busca por domínio
institucional, resultando nas páginas apresentadas na coluna quarta. A análise das informações
levantadas teve o intuito de identificar a existência de ações e recursos destinados à prevenção e ao
enfrentamento do plágio acadêmico, bem como examinar se tais iniciativas estavam articuladas às
atividades da biblioteca universitária.
4 RESULTADOS DA PESQUISA
Após o levantamento e a análise das informações disponibilizadas nos portais eletrônicos
institucionais examinados, constatou-se a ausência, nas páginas analisadas, de elementos
informacionais em destaques por meio de recursos de interface, como banners, menus, hiperlinks,
legendas ou outras categorias de navegação ações concretas, políticas institucionais ou programas de
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capacitação, on-line ou presenciais envolvendo as bibliotecas e os bibliotecários como mediadores de
práticas formativas sobre qualquer tipo de plágio.
Não foram identificadas iniciativas para o desenvolvimento de competência em informação
vinculadas à temática, mesmo associadas a outras terminologias ou categorias correlatas ao plágio,
como ética na pesquisa, boas práticas em pesquisa, retratação de artigos, falsificação ou fabricação de
dados ou, de forma mais abrangente, integridade na pesquisa científica. Nas páginas analisadas sobre
o enfrentamento do plágio acadêmico, encontrou-se apenas informações referentes ao software
Turnitin, uma ferramenta para verificar similaridade de conteúdo após ocorrida. Das três páginas
iniciais examinadas, apenas a da biblioteca da Unesp disponibiliza esse recurso em destaque.
Ao acessar as páginas das redes ou sistemas de bibliotecas, constatou-se que, na Unesp, a
página da rede não dispõe de recurso visual direcionado à subpágina específica do Turnitin, contudo
após acessar a página da rede, depois o menu ‘Docente’, a ferramenta é encontrada. Na UNICAMP, o
menu em destaque conduz o internauta diretamente à página sobre o Turnitin. E, na USP, a navegação
até o recurso apresenta-se mais discreta e difícil, exigindo inicialmente a associação do tema ao menu
“Espaço do Pesquisador” para, em seguida, acessar a subpágina intitulada “Integridade e Prevenção
do Plágio”, onde encontram-se as informações relativas ao Turnitin.
Com relação aos resultados da busca geral realizada nos três portais institucionais, a partir da
estratégia adotada, resultou em uma recuperação apenas de conteúdos classificados como notícias
sobre plágio. Embora as páginas apresentassem informações e alertas acerca do problema do plágio
acadêmico, também não mencionaram políticas, programas ou ações preventivas voltadas ao
desenvolvimento de competência da comunidade acadêmica, desenvolvidas por bibliotecários ou a
partir das bibliotecas como propõem Alves, Casarin e Fernández-Molina (2016). A seguir, o
apresentadas as informações encontradas em cada portal institucional.
4.1 Descrição dos Resultados por Universidades
O órgão superior de biblioteca da Unesp é denominado Coordenadoria Geral de Bibliotecas.
Consta que “desde maio de 1991, para melhor desenvolvimento de suas atividades, a Coordenadoria
Geral de Bibliotecas funciona com dois escritórios, um localizado na Reitoria em São Paulo e outro em
Marília” (Unesp, 2025a). Em sua página principal um item relacionado ao plágio acadêmico: um
menu e um hiperlink para acessar as informações sobre o recurso do Turnitin (bem visível, mas não
descrito com a denominação de plágio, e sim “Turnitin na Prática”). Consta que “o Turnitin na prática
é uma série de tutoriais para auxiliar o uso por docentes” (Unesp, 2025a).
Na página dedicada ao software, o Turnitin é apresentado como uma ferramenta de combate
ao plágio acadêmico (embora utilize apenas a denominação "plágio"), com acesso reservado a
professores. O conteúdo descreve as funcionalidades do sistema, incluindo OriginalityCheck,
GradeMark e PeerMark, e fornece instruções sobre como utilizá-lo, sendo o primeiro passo contatar a
biblioteca da universidade. Há também um banner explicativo com os passos para o uso do Turnitin,
assim como um tutorial que justifica a denominação do menu de acesso: "Turnitin na prática".
A estratégia de busca geral no âmbito da Unesp resultou na recuperação de uma página de
suas bibliotecas, a do campus de Franca-SP, que aborda o tema plágio acadêmico. Intitulada “Plágio
Acadêmico”, a página oferece informações concisas sobre ferramentas de detecção do plágio; informa
que os discentes podem solicitar a verificação de trabalhos por meio da biblioteca daquele campus. Já
os docentes podem se cadastrar como usuários do software para verificação de plágio, conforme regra
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geral da instituição (Unesp, 2025b). Além disso, a página apresenta outros recursos relacionados ao
monitoramento antiplágio, como: Plagiarism.org; International Center for Academic Integrity (ICAI) e
atalhos a páginas e canais que abordam o assunto de forma ampla.
Identificada no site da UNICAMP, a Biblioteca Central César Lattes (BCCL) se destaca como a
principal referência departamental dentro do sistema de bibliotecas da universidade. Como órgão
complementar, a BCCL atua em conjunto com as demais bibliotecas seccionais para atender aos cursos
de graduação, pós-graduação e extensão. Ela faz parte do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU),
que engloba um total de 30 bibliotecas seccionais (UNICAMP, 2025a).
Com relação a ações ou atividades sobre plágio acadêmico, não consta nesta página, disponível
em destaque, menus ou hiperlinks relacionados, como também não referência a softwares. Insta
salientar que a página da BCCL contém diversas informações, constando menus e submenus, além de
botões para acesso a base de dados específicas. Em 21 de junho de 2025, data em que a busca foi
realizada, o banner dinâmico no centro da página não advertia sobre plágio acadêmico ou assunto
relacionado.
Através da página da BCCL, acessando o SBU, consta um menu diretamente para o software
Turnitin. A subpágina fornece informações essenciais sobre o “Relatório de Verificação de Escrita
Original”, um documento obrigatório para as defesas de trabalhos de pós-graduação na UNICAMP
(UNICAMP, 2025b). Segundo suas informações, o relatório, gerado pelo Turnitin, tem como objetivo
identificar similaridades textuais, auxiliando os autores a aprimorarem suas escritas. Embora a página
seja direcionada ao público geral, o acesso e uso da ferramenta Turnitin são reservados a usuários com
e-mail institucional da UNICAMP.
Quanto à busca geral, conforme definida na metodologia, resultou na identificação da página
do Instituto de Biologia da Universidade. Esta página, intitulada "Plágio - tratamento sobre verificação
de plágio em dissertações e teses", não apresenta nculo com a BCCL ou o SBU. O objetivo era noticiar
informações sobre plágio já divulgadas pelo SBU. Nela, constam orientações de que, antes da defesa
de tese ou dissertação, é necessário submeter o trabalho a uma verificação de plágio pela biblioteca e
que dispõe de três dias para emitir o relatório (UNICAMP, 2025c).
A página principal da biblioteca da USP apresentou menus sobre variados assuntos, como:
Portal de Busca Integrada; Repositório da Produção da USP; Biblioteca Digital de Obras Raras; Portal
de Revistas da USP; Portal de Teses e Dissertações da USP; Portal de Livros Abertos da USP; Acervo
Digital da Biblioteca Brasiliana; Catálogo do Instituto de Estudos Brasileiros entre outros (USP, 2025a).
Contudo, o há menus ou hiperlinks relativos ao assunto plágio acadêmico, seja com este termo ou
termos relacionados, como plágio, ética na pesquisa, integridade na pesquisa, direito autoral, direito
de autor ou software Turnitin.
Com relação ao resultado da pesquisa geral no site da instituição, a primeira página recuperada
não está relacionada à biblioteca, mas sim a uma página que, no menu “Notícias”, apresentava o título:
"Plágio: onde está e por que acontece?" Trata-se de uma entrevista sobre plágio acadêmico com o
autor Marcelo Krokoscz, excepcionalmente sobre o lançamento de sua obra: “Outras palavras sobre
Autoria e Plágio”. Conforme informações da página, o entrevistador registrou que o entrevistado
mencionou a biblioteca como ator institucional relevante no combate ao plágio, porém não há
evidências de ação dele realizada na biblioteca ou em parceria com este setor.
Cabe observar que a página principal da biblioteca da USP dispõe, com destaque, hiperlink
para acesso à "Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais", constando que se trata do "órgão da
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Universidade responsável por alinhar a gestão da informação, da produção intelectual e das bibliotecas
institucionais aos objetivos da USP" (USP, 2025b). A página inicial da referida agência consta em sua
“Seção de notícias”, um menu para acesso direto a uma subpágina cujo tema é "Turnitin para Equipes
de Bibliotecas da USP: Gravação do webinar e materiais de apoio". Nela, é apresentada sucintamente
uma notícia sobre o software Turnitin e, o relaciona de forma ainda mais sucinta ao plágio no geral.
5 DISCUSSÕES DOS RESULTADOS
Com relação aos achados teóricos, tomando por base a análise do conceito de plágio
acadêmico como apresentado na literatura a fim de cumprir o primeiro objetivo deste artigo, observa-
se que as tipologias de plágio recorrentes no contexto universitário, segundo as referências citadas,
operam de maneiras diversas. Refletir sobre o plágio acadêmico implica reconhecer sua complexidade
e seus desafios que o acompanham, como apontam Krokoscz (2015) e Bell (2018). O plágio direto ou
literal permanece como o tipo menos laborioso tanto para realizar quanto para detectar. Sua prática,
por demandar reduzido esforço intelectual, acaba por se configurar como uma reprodução quase
mecânica de conteúdo alheio. Como observam Wachowicz e Costa (2016), a semelhança entre o
conteúdo original e sua cópia indevida faz com que sua identificação seja simples. Para a reversão e a
correção dessa prática, recorre-se, em geral, à aplicação das normas que regulam a escrita científica.
São nestes casos que os softwares anti-plágio se tornam mais eficazes, a exemplo do Turnitin. Nesse
sentido, a biblioteca universitária tem condições de exercer intervenção mais efetiva, assumindo um
papel estratégico na prevenção desse tipo específico de plágio.
Bibliotecários e bibliotecas que assumirem o compromisso de coibir o plágio direto tendem,
em um primeiro momento, a enfrentar menos dificuldades em comparação a outras modalidades, uma
vez que essa prática é menos sofisticada. Nesse sentido, a intervenção pode ser orientada pelo
desenvolvimento de competências básicas voltadas ao conhecimento preventivo dessa conduta
eticamente reprovável. Adicionalmente, o uso do Turnitin como recurso auxiliar possibilita a geração
de relatórios de similaridade textual em uma etapa de caráter predominantemente corretivo. Tais
relatórios são viabilizados pela própria natureza do plágio direto, que permite ao software identificar,
no conteúdo submetido à ferramenta, semelhanças a textos de autoria previamente publicada e não
devidamente citada no material analisado (Turnitin, 2025).
O mesmo, porém, não se pode afirmar sobre a tipologia que a literatura, especialmente
Krokoscz (2015) e Wachowicz e Costa (2016), denomina plágio indireto. Nessa modalidade, o plagiador
empenha-se em substituir palavras, reformular trechos e disfarçar a estrutura do texto original,
buscando sobretudo ocultar a fonte e a autoria. Como lembram Wachowicz e Costa (2016), apoiados
em Duval (1985), trata-se de uma prática cuja prevenção e detecção se tornam mais árduas,
justamente porque se apoia na arte de dissimular o rastro. Nesse cenário, a biblioteca universitária
tende a obter maior êxito ao atuar na esfera educativa e preventiva, conforme defendem Germek
(2012), Bell (2018) e Alves, Casarin e Fernández-Molina (2016). Uma vez consumada essa forma de
plágio, resta à biblioteca possibilidades de intervenções bastante limitadas. No caso do plágio indireto,
as ferramentas de detecção mostram-se de utilidade limitada, uma vez que a análise humana,
fundamentada na expertise e no conhecimento especializado, torna-se indispensável. Ainda assim, a
identificação permanece complexa, o que reforça a importância de estratégias preventivas.
o plágio acadêmico consentido, como discutido por Krokoscz (2015) e por Wachowicz e
Costa (2016), insere-se em uma discussão mais sensível e difícil de tratamento, na qual o envolvimento
da biblioteca universitária tende a ser também limitado. Isso ocorre porque, como apontam esses
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autores, essa modalidade de conduta possui um caráter particularmente ardiloso, marcado pelo
conluio entre aqueles que a praticam com vistas à obtenção de vantagens pessoais (Krokoscz, 2015;
(Wachowicz & Costa, 2016). Considerando que agir depois da ocorrência dessa modalidade de plágio
torna-se uma tarefa impraticável pela biblioteca, evidenciando ainda mais que prevenir é mais eficaz
do que combater. Nesse sentido, Lopes, Costa, Bracho e Carneiro (2024) ressaltam que a prevenção
exige, antes de tudo, a capacitação ética sólida dirigida à comunidade acadêmica; o compromisso
institucional com critérios rigorosos e transparentes de coautoria; e uma vigilância permanente sobre
práticas de compra e venda de trabalhos acadêmicos, acompanhada da conscientização dos riscos,
prejuízos e sanções decorrentes de envolvimento no plágio consentido.
Considerando os pressupostos do plágio consentido, conforme apontado por diversos autores,
observa-se que o recurso tecnológico Turnitin, disponibilizado pelas bibliotecas, não é suficiente para
abarcar esse tipo de plágio em suas múltiplas dimensões. Os softwares antiplágio são ferramentas
desenvolvidas para identificar padrões textuais e realizar comparações automatizadas, o que implica
limitações inerentes à sua natureza cnica. Segundo Murch, Worley & Volk (2025), o Turnitin
configura-se como uma ferramenta de análise predominantemente quantitativa, que nem sempre
fornece indícios precisos da ocorrência de plágio. Em determinadas situações, pode apresentar
percentuais de similaridade equivocados, além de impor restrições quanto à quantidade de caracteres
analisados. Ademais, quando o texto submetido contém elevado número de termos técnicos ou
específicos recorrentes, podem ocorrer vieses nos relatórios gerados.
Entre os diferentes tipos de plágio discutidos na literatura e analisados neste artigo, o
autoplágio destaca-se como um dos mais difíceis de identificar e, em razão de suas peculiaridades,
como um dos mais obscuros de ser enfrentado. Essa dificuldade decorre, sobretudo, de suas nuances
com aquilo que Codina e Cortiñas (2022) denominaram de reciclagem de conteúdo produzido pelo
próprio autor. A semelhança entre ambas as práticas tornam turva a fronteira que as separa,
acrescentando que, segundo esses autores, a reciclagem tende a ser mais tolerada do que o
autoplágio. Lopes, Costa, Bracho e Carneiro (2024) enfatizam, nesse contexto, a importância de
conscientizar o pesquisador acerca do valor da originalidade, do estímulo à inovação e do uso
equilibrado de autocitações como estratégias possíveis para evitar o autoplágio.
Pode-se afirmar como isso, que o papel das bibliotecas universitárias paulistas têm maiores
chances de gerar impactos positivos quando orientadas à prevenção, à luz de políticas e diretrizes de
boas práticas na pesquisa e combate ao plágio como um todo. Ao contrário de apenas informar e/ou
noticiar sobre o Turnitin como ficou demonstrado nas fontes de informação analisadas a partir dos
portais institucionais, os agentes bibliotecários podem atuar na mediação informacional em ações
vinculadas à biblioteca e em parcerias com docentes, cursos e órgãos que lidam com pesquisa. As
limitações e os desafios conferidos ao software Turnitin, anteriormente mencionados no que se refere
ao tratamento do plágio consentido, aplicam-se igualmente às situações de autoplágio.
Considerando os achados empíricos, outra questão que se coloca é: de que forma as
universidades investigadas têm atuado diante da necessidade de evitar a conduta do plágio
acadêmico? Com base nas informações extraídas das páginas analisadas, apresentadas no Quadro 1,
observa-se que essas instituições, embora adotem algumas diligências, concentram seus esforços
predominantemente na correção do problema, em detrimento de ações preventivas. A principal
evidência dessa abordagem reside no fato de que, conforme apontado nesta pesquisa, o recurso
central disponibilizado para o enfrentamento do plágio é o software Turnitin. A partir das informações
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levantadas, não foram identificadas medidas cujas ações centrais se fundamentam na mediação
humana, em oposição à primazia atribuída à ferramenta tecnológica.
Mesmo Obando Zambrano (2024) e Germek (2012) apontando que tal ferramenta exerce
papel relevante no apoio às boas práticas de integridade acadêmica, Alves (2016) lembra que, diante
da complexidade que envolve a ocorrência do plágio, torna-se imprescindível a intervenção humana.
É a curadoria crítica do profissional que confere sentido e precisão às pistas oferecidas pelo software,
evitando que a análise seja meramente quantitativa. Evidentemente, o profissional bibliotecário e/ou
o cientista da informação dispõem de formação e competências que o qualificam para atuar nisso.
Analisando o cenário geral desta pesquisa, verifica-se que o assunto plágio acadêmico é
apresentado, na maioria das vezes, timidamente de forma indireta pelas bibliotecas das três
universidades. As menções encontradas nas páginas institucionais, dedicam-se apenas a apresentar e
informar sobre as funcionalidades do software Turnitin. Apesar de essa tecnologia contribuir para o
enfrentamento e combate ao plágio acadêmico, não se identificaram nessas universidades,
especialmente em suas bibliotecas, políticas, ações ou atividades que abordem o plágio acadêmico de
forma particular em suas múltiplas manifestações conforme evidenciado pelos autores como Krokosz
(2015), Wachowicz e Costa (2016) e Roig (2025).
Diante das potencialidades da biblioteca universitária, conforme mencionado por Viana
(2021), este setor demonstra vocação para implementar e gerenciar projetos mais robustos no
enfrentamento ao plágio acadêmico. Tais projetos teriam como sujeitos principais os membros da
comunidade universitária (estudantes e professores), além de envolver parcerias importantes como a
pós-graduação, núcleos de assuntos relativos à propriedade intelectual, patentes e direitos autorais,
editoras e institutos de pesquisa dessas instituições serão cruciais para o sucesso da iniciativa.
As tímidas iniciativas mencionadas pelas bibliotecas da USP, Unesp e UNICAMP se conectam
ao que uma pesquisadora relata a respeito da relação entre a biblioteca universitária e o plágio
acadêmico. Segundo Alves (2016) com base na dimensão ética do uso competente da informação, a
universidade pode estabelecer comitês de integridade acadêmica. Os comitês teriam a função de atuar
na atividade educativa sobre integridade na pesquisa, coibindo problemas de plágio, por exemplo,
entre outras questões. Por isso, considera-se que a pessoa bibliotecária se torna agente crucial nessa
atividade, aproximando as ações da biblioteca universitária aos interesses da agenda institucional que
direciona o uso ético da informação, o que, por sua vez, reforça a discussão de forma mais ampla sobre
o plágio no contexto acadêmico.
Assim, para atender ao segundo objetivo específico deste estudo, pode-se afirmar que essas
universidades (seja no âmbito da estrutura de suas bibliotecas ou não) direcionam seus esforços de
enfrentamento ao plágio acadêmico, sobretudo, ao licenciamento e a manutenção do software
Turnitin, tomando-o como principal recurso institucional de controle. Neste caso, não se evidenciou a
perspectiva apresentada por Lopes, Costa, Bracho e Carneiro (2024), de que o enfrentamento ao plágio
precisa passar por uma abordagem verdadeiramente holística, capaz de articular políticas
institucionais robustas de prevenção, um projeto educacional amplo e consistente, aliado ao uso
estratégico das tecnologias da informação e da comunicação, em uma perspectiva preventiva.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo dedicou-se à discussão sobre o plágio acadêmico como má conduta na produção
científica e as circunstâncias de atuação das bibliotecas universitárias paulistas no seu enfrentamento.
Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.6, e-re.324, p.1-21, 2026. ISSN: 2236-5753
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Algumas das considerações mais relevantes reafirmam que o plágio no contexto acadêmico foi
problematizado sob diversos aspectos e, em consonância com o objetivo geral aqui delineado. O artigo
reafirma as potencialidades da biblioteca universitária para atuar em ações preventivas relacionadas
ao plágio no âmbito acadêmico e, ao mesmo tempo, evidencia suas limitações no que se refere às
ações corretivas.
Os achados na literatura evidenciaram, com elevada consistência, que a categoria de plágio
analisada pode manifestar-se sob múltiplas formas, o que fundamentou a apresentação e a discussão
dos diferentes tipos de plágio examinadas ao longo dessa pesquisa. Esse percurso analítico permitiu
explicitar desafios e complexidades que permeiam as ações necessárias ao enfrentamento dessa
conduta acadêmica, o plágio acadêmico. Tal compreensão decorre do alcance ao primeiro objetivo
específico, conforme tratado na revisão de literatura e exposto na seção destinada à discussão dos
resultados.
No contexto das instituições investigadas (Unesp, UNICAMP e USP), considerando os achados
empíricos, evidenciou-se nítida predominância de ações de caráter corretivo, em detrimento de
abordagens preventivas e mais holísticas. Nessas instituições, o software Turnitin aparece como o
principal recurso implementado e, por vezes, único adotado para o tratamento do plágio. Ainda que
essa tecnologia seja relevante incorporada em ações e políticas institucionais mais abrangentes, a
ferramenta também apresenta suas limitações e não garante resolução do problema em suas múltiplas
manifestações. No âmbito das bibliotecas dessas organizações, as iniciativas até o momento podem
ser consideradas tímidas, uma vez que inexistem ações educativas e formativas voltadas à
competência informacional da comunidade acadêmica como estratégia de prevenção. Nesse cenário,
a biblioteca aparece apenas como departamento de instrução sobre o uso do software Turnitin.
Por meio de seus recursos humanos, as bibliotecas podem promover informações e
conhecimentos por meio de cursos, palestras, oficinas e campanhas de conscientização no contexto
universitário. A proximidade da biblioteca com sua comunidade acadêmica, somada à sua expertise na
organização da informação, do conhecimento e no gerenciamento de recursos informacionais, a
posiciona de forma favorável, com vocação para intervir e tratar a questão do plágio em suas várias
facetas. Em suma, ficou evidente que as bibliotecas das universidades públicas paulistas têm potencial
para ampliar seu papel no enfrentamento do plágio para além do uso do software Turnitin. À medida
que se capacita no tema, a bibliotecária pode assumir papel de protagonismo no desenvolvimento de
ações voltadas às múltiplas manifestações do plágio acadêmico, culminando na implementação de
iniciativas permanentes e colaborativas, em articulação com outros departamentos, com vistas à
promoção mais ampla da integridade na pesquisa.
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