Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.6, e-re.324, p.1-21, 2026. ISSN: 2236-5753
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literatura científica. Identificar essas variações não apenas amplia as possibilidades de melhor
compreensão do fenômeno, mas também permite fortalecer as medidas de prevenção e os
mecanismos de detecção. A seguir, delineiam-se essas categorias mais encontradas em estudos
relevantes sobre o tema.
Um dos tipos mais comuns é o plágio integral ou total (Wachowicz & Costa, 2016), também
denominado plágio direto (Krokoscz, 2015; Wachowicz & Costa, 2016) ou plágio literal (Harvard
University, 2025). Consiste em copiar exatamente o conteúdo conforme encontrado. Dessa forma,
oculta-se a autoria, sendo, portanto, o mais óbvio. Krokoscz (2015, p. 34) o define como a “reprodução
literal de um texto original sem identificação da fonte” e Wachowicz e Costa (2016, p. 131)
acrescentam que “as ferramentas de busca e a facilidade de reprodução possibilitam este tipo de
plágio, porém [...] é facilmente rastreado pelo uso de softwares específicos que detectam este tipo de
procedimento plagiário [...]”. Possivelmente deve ser o tipo de plágio que exige menos dificuldade para
sua identificação e tratamento.
Outro é o plágio indireto (Krokoscz, 2015; Wachowicz & Costa, 2016). É uma manifestação
comparada a uma paráfrase e acontece quando o plagiador menciona a mesma coisa já dita, sem usar
as mesmas palavras ou expressões e sem indicar o autor. De acordo com Krokoscz (2015, p. 34), pode
ser a “reprodução das ideias de uma fonte original com palavras diferentes da fonte original, mas sem
identificá-la”. De outro modo, trata-se de um tipo diversificado em suas formas de manifestação e que
se caracteriza pelo reaproveitamento de conteúdos, tais como dados, planilhas, citações e sumários
produzidos por terceiros, sem a devida atribuição de crédito autoral (Wachowicz & Costa, 2016).
Devido a ausência das palavras literalmente usadas pelo autor intelectual plagiado, torna-se mais difícil
sua detecção. Existe a possibilidade de que o uso de ferramentas de IA generativa na escrita, possa
significar um tipo de plágio indireto, enquanto o treinamento destas ferramentas tem sido um aspecto
controvertido em relação ao ocultamento de fontes e o infringimento de direitos autorais.
A terceira modalidade de conduta plagiadora destacada na literatura é o plágio consentido
(Krokoscz, 2015; Wachowicz & Costa, 2016). No meio acadêmico, essa prática está associada à busca
por vantagens associadas ao aumento da produção científica dos participantes, quando duas ou mais
pessoas concordam entre si, em incluir nomes em um trabalho científico no qual não tiveram
participação (Wachowicz & Costa, 2016). Forjada em grupo, pode ser compreendida como uma forma
de fraude intelectual resultante de um conluio entre os envolvidos. Segundo Krokoscz (2015, p. 34), o
plagiador decide participar de “trabalhos como sendo próprios, mas que na verdade foram cedidos
por outros (amigos, colegas, parentes entre outros)”. Na linha do que foi apresentado, é plausível
supor que existam numerosos trabalhos científicos assinados por pessoas que pouco ou nada
contribuíram efetivamente na elaboração. Do mesmo modo, é possível identificar “vendedores” de
trabalhos acadêmicos, cuja oferta encontra-se na internet com facilidade.
Por último, o chamado autoplágio (Krokoscz, 2015). Trata-se de uma modalidade de má
conduta acadêmica bastante questionada, cheia de nuances e apresenta várias peculiaridades. Ele é
entendido como a apresentação redundante de um conteúdo próprio como se fosse inédito, sem a
devida autocitação ou, segundo Krokoscz (2015, p. 34), é a “reprodução de trabalhos próprios já
apresentados em outras circunstâncias”. Codina & Cortiñas (2022) aproximam o conceito de
autoplágio da reciclagem de conteúdo, já que ambos se referem ao reuso de conhecimento próprio e
são práticas eticamente suspeitas. A distinção, porém, é crucial: o autoplágio é considerado
definitivamente reprovável eticamente. Já a reciclagem pode ser aceitável, dependendo do contexto.
Na prática, a reciclagem pode ser entendida como autoplágio quando utiliza trechos de um conteúdo