Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6035, p.1-21, 2025. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
Seminário de Saberes Arquivísticos (SESA): inteligência artificial e práticas
educativo-decoloniais para a valorização da memória e promoção do
pensamento crítico
Eliete Correia dos Santos, Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Brasil,
https://orcid.org/0000-0002-5491-5711
Ana Lúcia Terra, Universidade de Coimbra (UC), Portugal, https://orcid.org/0000-0003-
1292-2849
Ana Carolina Soares Santos, Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Brasil,
https://orcid.org/0009-0005-4585-9147
DOI: https://doi.org/10.62758/re.321
RESUMO
Este projeto investiga como a integração de práticas educativas, dialógicas e decoloniais no contexto
arquivístico, aliada ao uso de inteligência artificial (IA) aplicada à difusão de arquivos, pode promover
a valorização da memória histórica local e estimular o desenvolvimento do pensamento crítico e
cultural nas comunidades, com foco na justiça social e epistêmica. A relevância do estudo reside na
transformação das práticas arquivísticas para uma maior ênfase no acesso à informação e no
engajamento com o usuário. A valorização da história local, particularmente das memórias
marginalizadas, e a ampliação do acesso à cultura são aspectos fundamentais para a promoção de
uma educação inclusiva e crítica. A metodologia qualitativa adota uma abordagem interpretativista
e exploratória, com análise documental e aplicação de práticas bakhtinianas de dialogicidade e
heteroglossia. A pesquisa será conduzida em arquivos públicos e privados da Paraíba, utilizando IA
para mapear e interpretar interações e práticas educativas. Os resultados esperados incluem o
aumento no acesso a documentos históricos, a valorização da memória cultural local e a
implementação de metodologias decoloniais nas práticas arquivísticas. Espera-se também um
engajamento ativo de estudantes e comunidades, contribuindo para o desenvolvimento de novas
práticas pedagógicas e fortalecendo a consciência crítica e histórica. Os impactos do projeto se
estendem à formação de uma rede de colaboração entre arquivos, escolas e comunidades, além de
influenciar políticas públicas e iniciativas que integrem educação e preservação de memória,
promovendo a diversidade e inclusão nas práticas arquivísticas.
Palavras-Chave: Inteligência Artificial; Práticas Educativo-Decoloniais; Memória Histórico-Social;
Pensamento Crítico; SESA.
Seminario sobre Conocimiento Archivístico (SESA): Inteligencia Artificial y Prácticas
Educativas Decoloniales para Valorar la Memoria y Promover el Pensamiento Crítico
RESUMEN
Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6035, p.1-21, 2025. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
Este proyecto investiga cómo la integración de prácticas educativas, dialógicas y decoloniales en el
contexto archivístico, combinada con el uso de inteligencia artificial (IA) aplicada a la difusión de
archivos, puede promover la valoración de la memoria histórica local y estimular el desarrollo del
pensamiento crítico y cultural en las comunidades, con un enfoque en la justicia social y epistémica.
La relevancia del estudio reside en la transformación de las prácticas archivísticas hacia un mayor
énfasis en el acceso a la información y la participación de los usuarios. La valoración de la historia
local, en particular de las memorias marginadas, y la ampliación del acceso a la cultura son aspectos
fundamentales para la promoción de una educación inclusiva y crítica. La metodología cualitativa
adopta un enfoque interpretativo y exploratorio, con análisis documental y la aplicación de prácticas
bajtinianas de dialogicidad y heteroglosia. La investigación se llevará a cabo en archivos públicos y
privados de Paraíba, utilizando IA para mapear e interpretar interacciones y prácticas educativas. Los
resultados esperados incluyen un mayor acceso a documentos históricos, la valoración de la memoria
cultural local y la implementación de metodologías decoloniales en las prácticas archivísticas.
También se espera la participación activa de estudiantes y comunidades, contribuyendo al desarrollo
de nuevas prácticas pedagógicas y fortaleciendo la conciencia crítica e histórica. Los impactos del
proyecto se extienden a la formación de una red de colaboración entre archivos, escuelas y
comunidades, así como a la influencia en políticas públicas e iniciativas que integran la educación y
la preservación de la memoria, promoviendo la diversidad y la inclusión en las prácticas archivísticas.
Palabras-Clave: Inteligencia Artificial; Prácticas Educativas Decoloniales; Memoria Histórico-Social;
Pensamiento Crítico; SESA.
Seminar on Archival Knowledge (SESA): Artificial Intelligence and Decolonial Educational
Practices for Valuing Memory and Promoting Critical Thinking
ABSTRACT
This project investigates how the integration of educational, dialogical, and decolonial practices in
the archival context, combined with the use of artificial intelligence (AI) applied to the dissemination
of archives, can promote the appreciation of local historical memory and stimulate the development
of critical and cultural thinking in communities, focusing on social and epistemic justice. The
relevance of the study lies in the transformation of archival practices towards a greater emphasis on
access to information and user engagement. The appreciation of local history, particularly
marginalized memories, and the expansion of access to culture are fundamental aspects for the
promotion of inclusive and critical education. The qualitative methodology adopts an interpretative
and exploratory approach, with document analysis and the application of Bakhtinian practices of
dialogicity and heteroglossia. The research will be conducted in public and private archives in Paraíba,
using AI to map and interpret interactions and educational practices. Expected results include
increased access to historical documents, the appreciation of local cultural memory, and the
implementation of decolonial methodologies in archival practices. Active engagement from students
and communities is also expected, contributing to the development of new pedagogical practices
and strengthening critical and historical awareness. The project's impacts extend to the formation of
a collaborative network between archives, schools, and communities, as well as influencing public
policies and initiatives that integrate education and memory preservation, promoting diversity and
inclusion in archival practices.
Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6035, p.1-21, 2025. ISSN: 2236-5753
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Keywords: Artificial Intelligence; Decolonial Educational Practices; Historical-Social Memory; Critical
Thinking; SESA.
1 INTRODUÇÃO
O Seminário de Saberes Arquivísticos (SESA) propõe uma reflexão urgente e necessária sobre
os caminhos que a Arquivologia pode trilhar na contemporaneidade, especialmente quando
atravessada por tecnologias emergentes e por debates éticos e sociais. Esta investigação se propõe
a discutir como os arquivos, longe de serem apenas espaços de guarda e organização documental,
podem atuar como territórios de resistência, educação e reconstrução de narrativas. Ao integrar a
inteligência artificial às práticas pedagógicas decoloniais, buscamos não apenas otimizar o acesso e
a difusão de acervos, mas também promover a escuta das vozes historicamente silenciadas e o
fortalecimento da memória social a partir de múltiplos olhares e saberes.
Este artigo apresenta uma reflexão inicial teórico-metodologógica do projeto de pesquisa,
aprovado em 26 de maio de 2025, pela Fapesq-PB (Edital 05/2025 Apoio ao protagonismo
científico de mulheres e meninas na ciência). A questão do enfrentamento da problemática local e
os benefícios do desenvolvimento de projetos educativos nos arquivos são de grande relevância para
a sociedade contemporânea, especialmente no que diz respeito ao papel dos arquivos como espaços
vivos de memória e cultura. A investigação visa não apenas preservar e acessar documentos, mas
também promover a interação com diferentes comunidades e grupos sociais, criando uma
aproximação crítica e reflexiva sobre a história local e as identidades culturais.
O foco crescente no uso de arquivos por parte de comunidades com interesse em história
local, genealogia ou temas específicos oferece uma oportunidade única para esses serviços de
informação. Os arquivos, tradicionalmente considerados depósitos passivos de documentos, estão
se transformando em ativos centros de aprendizado e cultura. Como destacam Craven (2008) e Cook
(2015), a missão dos arquivos vai além da custódia de documentos, estendendo-se ao apoio ao
ensino e à promoção da história local. Além disso, a capacidade de integrar novas tecnologias e
metodologias, como a digitalização e as práticas de arquivística participativa (Freeman, 2016), tem
ampliado as possibilidades de envolvimento das comunidades com o patrimônio arquivístico.
Esse movimento, de crescente inclusão dos arquivos em processos educativos e culturais,
reflete uma nova compreensão sobre o papel dos arquivos como agentes de transformação social. O
enfoque na educação de jovens estudantes, em especial os do ensino básico e médio, tem sido uma
estratégia eficaz para estimular o pensamento crítico e a reflexão sobre a história, permitindo que
os alunos interajam diretamente com fontes primárias e artefatos culturais, promovendo o
aprendizado de uma maneira inovadora e participativa (Şentürk, 2013). Portanto, não apenas
contribui para a preservação do patrinio cultural, mas também para a construção de uma
cidadania crítica e engajada.
Buscamos por meio da investigação, a promoção de práticas educativas e culturais
inovadoras nos arquivos, com ênfase em metodologias decoloniais e na ampliação do acesso à
memória e ao patrimônio local. A proposta visa não apenas solucionar a falta de interação efetiva
das comunidades com os arquivos, mas também criar novos espaços de aprendizagem que
fomentem a construção crítica da história local, com uma abordagem inclusiva e participativa. A
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pertinência científica e técnica desta pesquisa está diretamente relacionada à transformação da
prática arquivística tradicional, que se desloca de uma mera função de custódia para uma atuação
mais proativa no campo educativo e cultural, alinhada às necessidades contemporâneas da
sociedade da informação.
A importância deste estudo se encontra no fato de que os arquivos, enquanto instituições de
preservação e difusão da memória, desempenham um papel fundamental na construção do
conhecimento histórico e cultural. A crescente demanda por recursos de informação por parte de
diferentes comunidades, com interesses que vão desde a pesquisa genealógica até a história local,
aponta para a necessidade de um novo modelo de atuação dos arquivos. Esta mudança implica em
uma reconfiguração das práticas arquivísticas, com foco na ampliação do acesso e da divulgação dos
documentos, bem como na promoção de uma participação mais ativa dos usuários na construção e
utilização dos arquivos (Craven, 2008; Cook, 2015).
Além disso, a integração de metodologias decoloniais no processo educativo dos arquivos é
uma questão central desta investigação. Ao incorporar essas metodologias, buscamos questionar as
narrativas dominantes e promover uma reflexão crítica sobre as histórias e culturas que
tradicionalmente foram marginalizadas.
As epistemologias decoloniais, como discutidas por autores como Santos (2022a) e Batista
(2020), reconhecem a pluralidade de saberes e propõem a descolonização do conhecimento,
entendendo que o conhecimento histórico e cultural não pode ser restrito a uma única visão de
mundo, mas deve refletir a diversidade de experiências e contextos. Esse movimento decolonial se
alinha à nossa proposta, que visa desafiar a historiografia tradicional e oferecer um espaço de diálogo
para outras narrativas, valorizando o patrimônio local e as identidades culturais.
Uma inspiração para o desenvolvimento desta investigação, especialmente no que diz
respeito à valorização das especificidades regionais e locais no processo de construção do
conhecimento, é o estudo sobre cultura (Santos, 2013). Baseando-se no pensamento Bakhtiniano,
propõe repensar que a história e a cultura de um país devem ser entendidas a partir de suas
particularidades, longe das imposições externas e da visão homogênea de progresso, cujo
desenvolvimento deveria ser pensado de maneira inclusiva, respeitando as diversidades culturais e
históricas das diferentes regiões e comunidades.
Além disso, Santos (2013) defende a relevancia de uma educação que não apenas
transmitisse conhecimento, mas que também fosse capaz de transformar a percepção crítica dos
indivíduos sobre sua própria história e realidade social. Esta perspectiva encontra eco nas
metodologias que buscamos implementar na investigação, que visam utilizar os arquivos como
espaços de reflexão e aprendizado crítico, promovendo a construção de uma consciência histórica e
cultural mais ampla e plural.
Portanto, a pesquisa se insere no contexto das discussões contemporâneas sobre a
democratização do acesso à memória e ao patrimônio, para promover uma reflexão mais ampla
sobre o papel da memória e da história na construção de uma sociedade mais justa e consciente de
sua diversidade cultural. Diante desse cenário, a questão-problema é: Como a integração de práticas
educativas, dialógicas e decoloniais, no contexto arquivístico, pode promover uma maior valorização
da memória histórica local, ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento do pensamento
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crítico e cultural nas comunidades, considerando as contribuições teóricas de Bakhtin, os estudos
sobre inteligência artificial (IA) associados à difusão em arquivos?
O objetivo geral é investigar como a integração de práticas educativas, dialógicas e
decoloniais no contexto arquivístico, aliada ao uso da IA aplicada à difusão em arquivos, pode
promover a valorização da memória histórica local e estimular o desenvolvimento do pensamento
crítico e cultural nas comunidades, com foco na justiça social e epistêmica.
Dessa forma, a presente pesquisa propõe-se a construir um diálogo entre memória,
tecnologia e justiça epistêmica, reconhecendo os arquivos como espaços educativos e
transformadores. Ao articular práticas dialógicas, inteligência artificial e metodologias decoloniais, a
investigação contribui para repensar a função social dos arquivos, ampliando sua atuação para além
da guarda documental e assumindo seu papel como agente ativo na construção de uma cidadania
crítica e plural.
2 SESA: EDUCAÇÃO ARQUIVÍSTICA INTERDICIPLINAR E TRANSFORMADORA NO
CONTEXTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
No cenário contemporâneo, marcado por transformações digitais, desafios socioambientais
e a necessidade de inclusão social, destaca-se o papel fundamental de projetos que integram ensino,
pesquisa e extensão de forma crítica, inovadora e socialmente engajada. Nesse contexto, o SESA
emerge como uma proposta consolidada da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em parceria
com instituições nacionais e internacionais, como a Universidade de Coimbra, a Universidade do
Porto e o Instituto Politécnico do Porto.
O programa tem como principal objetivo promover o letramento acadêmico e digital de
alunos dos cursos de Arquivologia e Ciência da Informação, articulando práticas educativo-
decoloniais, saberes locais e uso de tecnologias como a inteligência artificial para valorizar a
memória, estimular o pensamento crítico e formar profissionais capazes de responder aos desafios
complexos da contemporaneidade.
Gostaríamos de enfatizar que SESA atua diretamente nas demandas científicas e sociais
atuais, promovendo a integração indissociável entre ensino, extensão e pesquisa. Com seu caráter
interdisciplinar, interinstitucional e interprofissional, o SESA gera não apenas publicações e
monografias, mas também processos inovadores que contribuem significativamente para a
formação técnica e cidadã dos alunos, ao mesmo tempo que fortalece a produção de novos
conhecimentos. Ressaltamos que o SESA, desde 2007 promove o diálogo entre a Arquivologia e
outras áreas, como Educação, Cultura, Tecnologia e Saúde, demonstrando seu caráter
interdisciplinar. Sua abordagem extensionista abrange diversas áreas de atuação, como Gestão
Informacional, Metodologias de Ensino, Patrimônio Cultural, e Cidadania, formando alunos capazes
de responder às demandas complexas do mercado de trabalho e da sociedade. Além disso, o SESA
demonstra um compromisso direto com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS),
focando na promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação para a Inclusão Social e Produtiva. O
programa valoriza tanto os saberes locais quanto internacionais, o que é essencial para o
desenvolvimento socioeconômico da Paraíba e do Brasil. Essa proposta representa, portanto, uma
resposta concreta e estratégica às transformações que a universidade enfrenta.
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O SESA capacita professores e alunos a atuarem de maneira mais abrangente, utilizando
ferramentas digitais e ambientes virtuais de aprendizagem para enfrentar os desafios
contemporâneos. Isso fortalece a cooperação acadêmica e fomenta a inserção de novas tecnologias
na gestão documental, ampliando a eficiência e a sustentabilidade do campo arquivístico.
O SESA se destaca por suas contribuições ao patrimônio cultural, histórico e social,
especialmente em uma era marcada pela transformação digital. O programa atua diretamente na
preservação e valorização da memória coletiva e no acesso à informação, elementos cruciais para a
construção de identidades sociais. A proposta também facilita o acesso a práticas culturais e
educacionais em comunidades menos favorecidas, cumprindo um papel inclusivo e democrático.
Internacionalmente, o SESA promove o intercâmbio de saberes e práticas entre países
lusófonos, fortalecendo os laços culturais e sociais da Comunidade de Países de Língua Portuguesa
(CPLP). Esse intercâmbio é essencial para uma sociedade global mais justa e cooperativa. Formação
Acadêmica e Produção Científica Academicamente, o SESA desempenha um papel crucial na
formação integral dos estudantes de Arquivologia, oferecendo experiências práticas que
complementam a teoria aprendida em sala de aula. Oficinas, palestras e debates, realizados no
âmbito do programa, são fundamentais para que os discentes estejam preparados para enfrentar as
demandas do mercado de trabalho com uma visão crítica e uma sólida base teórica. A
interdisciplinaridade e a colaboração internacional enriquecem ainda mais essa formação,
permitindo aos alunos entender diferentes abordagens e práticas da Arquivologia em contextos
diversos.
O SESA contribui significativamente para a pesquisa acadêmica ao incentivar a produção e
disseminação de conhecimento científico. Promove publicações, eventos acadêmicos e a
participação ativa dos estudantes no processo de construção de novos saberes, colaborando para o
avanço e a inovação das práticas arquivísticas. Além disso, o SESA está alinhado com as diretrizes
nacionais e internacionais de educação superior, que destacam a importância da extensão
universitária como pilar da formação acadêmica. A integração entre ensino, pesquisa e extensão não
só enriquece a formação dos discentes, como também fortalece a relevância social da universidade
ao responder diretamente às demandas contemporâneas da sociedade.
Assim, o SESA representa mais do que uma ação institucional: é um espaço de produção de
sentido, de intercâmbio epistêmico e de justiça social. Ao promover a inclusão, a valorização da
memória coletiva e o diálogo entre diferentes saberes, o programa reafirma a função social da
universidade e o compromisso da Arquivologia com a transformação da realidade. Com base em
fundamentos decoloniais, interdisciplinares e tecnológicos, o SESA projeta um futuro possível e
necessário, onde a educação arquivística se alinha aos princípios da cidadania, da equidade e da
sustentabilidade.
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
O objeto de pesquisa ações educativas em arquivos públicos e privados conjuga ações de
natureza linguística, arquivística e pedagógica. Dadas às várias faces do objeto, acreditamos que é
preciso olhá-lo de forma interdisciplinar. Os arquivos públicos e privados da Paraíba foram
escolhidos como campo empírico, contemplando uma amostra de arquivos da capital paraibana e
circunvizinhas. Entre os modelos de pesquisa qualitativa em Linguística direcionada ao ensino, cujo
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aspecto primordial não é a mensuração em relação ao tipo de dado apresentado, optamos pela
pesquisa interpretativista para análise dos dados, de cunho exploratório e descritivo, e da pesquisa
documental para selecionar os dados a fim de que se possa explorar e identificar formas de integrar
metodologias decoloniais em programas educativos de arquivos, destacando práticas eficazes que
promovam a inclusão de perspectivas diversas e a crítica às narrativas históricas tradicionais,
enriquecendo a experiência educativa e valorizando vozes marginalizadas; pela interdisciplinar para
revisão da teoria, justamente para valorizar características típicas de um objeto do campo de Ciências
Socias, da Educação, da Ciência da Informação, da Arquivologia e da Linguagem, simultaneamente.
Entendemos, como afirma Moita Lopes (1994, p. 331), que a investigação do objeto “precisa
dar conta da pluralidade de vozes em ação no mundo social e considerar que isso envolve questões
relativas a poder, ideologia, história e subjetividade e pretendemos, ao longo da análise e da
conclusão, fazer ilações sobre esses fatores.
A pesquisa numa perspectiva bakhtiniana é centrada na ideia de dialogicidade e
heteroglossia, conceitos que se referem à multiplicidade de vozes e à interação dinâmica entre elas
no processo de comunicação. Para Bakhtin, a linguagem não é uma estrutura fixa e isolada, mas algo
que se constrói e se transforma no encontro de diferentes discursos e contextos históricos. Cada
palavra, cada gesto, carrega as histórias e experiências de quem fala, e é através desse processo de
troca que o conhecimento se estabelece.
Essa perspectiva se alinha com o diálogo intercultural proposto pelas metodologias
decoloniais, que criticam a hegemonia do saber ocidental e buscam incluir as vozes subalternas e as
narrativas localizadas, ou seja, as histórias e os saberes que foram excluídos ou silenciados pela
colonização. A ideia central das metodologias decoloniais é descolonizar o conhecimento,
reconhecendo que não existe uma única verdade ou um único caminho para a construção do saber.
As vozes indígenas, afro-brasileiras e outras comunidades historicamente marginalizadas têm, então,
seu espaço de fala assegurado, criando um espaço para a reconstrução da história e do saber.
É interessante observar, a partir do momento em que consideramos as metodologias
decoloniais, as quais enfatizam tanto o diálogo, o movimento, a construção coletiva do sujeito-
objeto, que em certo ponto, a necessidade de se recriar os métodos de leitura, de pesquisa etc
(Batista, 2020).
A construção de um paradigma científico que procure conciliar “os avanços da ciência com
um mundo onde reine verdadeiramente a fraternidade, a igualdade de oportunidades, a liberdade,
a justiça distributiva e acima de tudo, a paz e a concórdia.” (Maria, 2013, p. 7).
Acreditamos que a modernização deveria ser entendida não como um processo de imposição
de modelos estrangeiros, mas como um diálogo entre as culturas locais e as transformações que
ocorrem no processo de globalização, pois vimos o desenvolvimento como um processo histórico e
cultural, no qual as tradições e identidades locais devem ser respeitadas e integradas às
transformações sociais.
Essa ênfase na inclusão da diversidade cultural é um ponto de convergência da perspectiva
bakhtiniana de que o conhecimento é construído de maneira interativa, com as metodologias
decoloniais, que buscam desafiar as narrativas dominantes e dar voz às culturas marginalizadas.
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No contexto desta investigação, as duas perspectivas podem ser usadas para analisar e
transformar as práticas educativas dentro dos arquivos e da comunidade escolar:
A perspectiva bakhtiniana vai guiar a análise da interação entre as vozes dos alunos,
professores, arquivistas e comunidades, destacando como diferentes discursos e
histórias locais podem dialogar e gerar novos significados.
A metodologia decolonial pode ser aplicada para garantir que as vozes e as histórias
marginalizadas ou não representadas nos arquivos sejam valorizadas, propondo uma
leitura crítica e inclusiva da memória coletiva.
Ambas teorias podem inspirar o entendimento do desenvolvimento cultural dentro do
arquivo como um processo de respeito e valorização das culturas locais, reconhecendo
o potencial educativo dos arquivos para promover um desenvolvimento autêntico,
baseado nas histórias e na memória local.
Portanto, a integração dessas abordagens não só proporciona uma análise mais rica e crítica
dos arquivos e da história local, mas também contribui para o empoderamento das comunidades,
reconhecendo seu papel ativo na construção e disseminação do conhecimento histórico e cultural.
A análise bakhtiniana e a metodologia decolonial têm pontos de intersecção importantes,
especialmente no que se refere à análise crítica das dinâmicas de poder, à construção de significados
a partir de uma pluralidade de vozes e à busca por transformar as estruturas sociais e culturais de
forma mais inclusiva e justa.
A utilização de método de base qualitativo e interpretativista considera a complexidade do
real e da interdisciplinaridade. O termo complexo assume aqui o mesmo sentido proposto por Morin
(2002) a respeito de ser tecido em conjunto. A complexidade do real significa perceber as ligações,
interações e implicações mútuas de fenômenos multidimensionais e de realidades confrontantes.
Para sistematização, utilizamos o método quadricular (Silva, 2013), cujos polos consistem
em: problematização científica (epistemológico), o dos princípios (teórico), o da abordagem
operacional (técnico), e o da forma (morfológico). No polo epistemológico adota-se o paradigma
científico, pos-custodial, informacional, holístico e dialógico. O polo teórico, trata-se da cultura e de
princípio dialógico de linguagem, contextualizados através da Teoria bakhitiniana. Polo técnico:
revisão de literatura, estudo qualitativo, procedimento de exploração, descrição e análise de dados.
Já no polo morfológico: qualificação dos dados, resultados e discussão da pesquisa.
Os participantes da pesquisa são alunos, professores, membros da comunidade, arquivistas
etc. Trabalhamos sobre um conjunto de dados oriundos de diversas fontes em diversos suportes,
gerados pelas informações coletadas pelos informantes, pelos sites dos arquivos e/ou pela visita in
loco de alguns arquivos.
Um dos locais definido para imersão prática desta investigação é Tribunal Regional
Eleitoral da Paraíba. A Justiça Eleitoral brasileira iniciou suas atividades em 1932, com o Tribunal
Regional Eleitoral da Paraíba organizando o alistamento de eleitores, as divisões territoriais e
realizando as primeiras eleições. No entanto, com a extinção temporária da instituição em 1937,
muitos documentos foram perdidos ou dispersos, dificultando o acesso a informações históricas
vitais. Em 2012, iniciou-se um projeto de resgate histórico que resultou na digitalização e preservação
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de documentos relacionados ao período, com o material agora disponível no repositório digital
atom.tre-pb.jus.br, nas publicações e atividades de exposição museal.
Por isso, a preservação da memória institucional da Justiça Eleitoral é fundamental para
compreender o desenvolvimento democrático no Brasil. A extinção temporária da Justiça Eleitoral
em 1937 resultou na perda de documentos históricos importantes, e a falta de um fundo arquivístico
consolidado dificultou a pesquisa sobre a evolução da instituição. O projeto iniciado em 2012 é
essencial para resgatar e preservar esses arquivos, garantindo sua difusão e acessibilidade a longo
prazo.
A utilização de novas tecnologias, incluindo Inteligência Artificial (IA), representa uma
oportunidade de aprimorar a gestão e disseminação do patrimônio documental, promovendo a
transparência pública e valorizando a memória institucional. Para tais estudos e aplicabilidade, a
investigação necessita de uma vasta literatura para aprofundamento da temática, tais como:
Almeida, 2022; Amaral, 2023; Azambuja e Silva, 2024; Domeneghini, 2022; Duque-Pereira e Moura,
2023; Fagundes, 2021; Flores, 2022; Freitas, 2008; Garcia, 2020; Kaufman, 2021; Lopes e Mendes,
2023; Marchi, 2023; Nunes e Garbarino, 2024; Pelzl, 2022; Russell, 2021; Santos, Mariano e Melo-
inardi, 2023; Shimasaki, 2021; Sousa, 2023; Souza e Santos, 2019.
Buscar-secriação de iniciativas culturais e educativas que integrem IA para promover a
utilização dos arquivos eleitorais como ferramentas de Educação Patrimonial, como aplicativos
educativos e experiências imersivas em realidade aumentada. Também a produção de materiais
editoriais e audiovisuais, como vídeos e web documentários, para sensibilizar o público sobre a
importância da preservação da memória histórica.
Para dar conta dessa variedade, apresentamos o corpus da pesquisa a partir de três
conjuntos distintos, conforme sua materialidade e suas condições de produção. Esses três grupos
constituem-se de documentos impressos e eletrônicos, diário de pesquisa e entrevista
semiestruturada e sessões grupais realizadas com alunos, professores, membros da comunidade,
arquivistas, etc.
Os procedimentos e categorias de análise seguem uma perspectiva bakhtiniana:
1. Dialogicidade: A análise será focada na interação dialógica entre os diferentes sujeitos
envolvidos no projeto (alunos, professores, membros da comunidade, arquivistas, etc.).
De acordo com Bakhtin, o significado é sempre construído em um processo de troca
contínua, por meio da interação entre os indivíduos e os discursos presentes. Portanto,
será fundamental identificar como as diferentes vozes (participantes, discursos
históricos, culturais, educacionais) se entrelaçam e se influenciam mutuamente.
2. Heteroglossia: Bakhtin enfatiza que a linguagem não é unificada, mas composta por
múltiplas vozes, heteroglossia, ou seja, a multiplicidade de discursos presentes na
sociedade. A investigação, ao se focar em práticas educativas decoloniais, naturalmente
incorpora diversidade cultural e histórica, refletindo a multiplicidade de pontos de vista
presentes nos arquivos e na memória social.
3. Contextualização: Para Bakhtin, todo discurso está imerso em um contexto histórico e
social que determina a forma como ele é produzido e interpretado. Portanto, a análise
dos dados deve levar em consideração não apenas o conteúdo dos discursos, mas
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também o contexto em que foram gerados, levando em conta as condições sociais,
culturais e políticas que influenciam a construção dos significados.
4. Ação Social e Responsabilidade Ética: A análise bakhtiniana enfatiza que o discurso não
é apenas uma construção teórica ou intelectual, mas também uma ação social e ética.
Ou seja, os discursos têm implicações para a construção de identidade, poder e
pertencimento.
5. Acontecimentos e Eventos: Bakhtin também destaca que a linguagem não é apenas uma
troca de palavras, mas sim um acontecimento que ocorre no espaço-tempo da interação.
Portanto, a análise dos dados se concentrará não apenas nos conteúdos das interações,
mas também no processo de transformação que ocorre a partir das atividades do
projeto.
A integração da inteligência artificial nesse processo potencializa a análise, trazendo
eficiência e novas possibilidades interpretativas, sem comprometer os fundamentos teóricos
bakhtinianos.
4 AÇÕES EDUCATIVAS EM ARQUIVOS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: DIÁLOGOS ENTRE
EPSITEMOLOGIAS DECOLONIAS E A TEORIA BAKHTINANA NO COMBATE À HISTÓRIA
ÚNICA
Esta pesquisa parte da proposta de ampliar os horizontes da Arquivologia ao integrar saberes
interdisciplinares e possibilidades epistemológicas emergentes, tanto em nível nacional quanto
internacional. Com base nos estudos bakhtinianos sobre linguagem, cultura e memória (Bakhtin,
2010a; 2010b), buscamos estabelecer diálogos inovadores entre os campos da educação, do
patrimônio cultural e da memória social. Ao mesmo tempo, articula essas bases com os fundamentos
das metodologias decoloniais, abrindo caminhos críticos ainda pouco explorados na área.
Ao nos aproximarmos de uma cultura diferente, lançamos sobre ela perguntas que talvez ela
mesma nunca tenha formulado. É a partir dessas indagações que buscamos compreender o outro, e,
ao fazê-lo, revelam-se novos sentidos e camadas dessa cultura. No entanto, essa compreensão só é
possível quando nossas perguntas são genuínas e fundamentadas. Nesse processo de encontro
dialógico, cada cultura preserva sua identidade e singularidade, sem se confundir com a outra, mas
ambas se transformam e se enriquecem por meio dessa troca (Bakhtin, 2010a).
Bakhtin também destaca a ignorância que tem sido dada nas ciências humanas ao complexo
acontecimento do encontro e da interação com a palavra do outro. “O verdadeiro objeto é a inter-
relação e a interação dos ‘espíritos’” (Bakhtin, 2010a, p. 380) e apresenta a preocupação na tentativa
de compreender a palavra do outro. Primeiro compreender uma obra da mesma maneira como a
compreendeu o próprio autor sem sair dos limites da compreensão dele e, em segundo, a sua
exotopia temporal e cultural, inclusa em nosso contexto, que muitas vezes é alheio para o autor.
Quando pensamos na difusão em arquivos, essas questões sobre as relações com o objeto e
os outros que fazem parte do texto são inquietações legítimas. Bakhtin afirma que não
compreensão sem avaliação. O sujeito da compreensão enfoca a obra com um conceito de mundo
formado que define as avaliações, no entanto esse sujeito não pode descartar a possibilidade de
mudança e até de renúncia aos pontos de vista deliberados. Nesse aspecto, acreditamos que o
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papel do arquivista como um outro é fundamental para o ato criativo da construção da análise de
um doucmento, que pode ter como resultado um enriquecimento na compreensão da palavra alheia.
O aprofundamento da compreensão torna a palavra do outro mais pessoal, porém sem mesclá-la,
capacidade de identificar e encontrar com o outro desconhecido, com o novo.
Se os documentos de arquivos são manifestação da cultura, é preciso entendê-los na
dimensão espácio-temporal das representações e da interatividade discursiva animadas em seu
interior. O documento passa a ser a celebração das vozes na grande temporalidade das culturas e
civilizações. Bakhtin adverte que não se pode estudar a literatura isolada de toda cultura de uma
época, e pior ainda fechar o fenômeno literário apenas na época de sua criação, em sua chamada
contemporaneidade.
Para Bakhtin (2010a), quando buscamos interpretar uma obra apenas considerando as
circunstâncias de sua época original, especialmente as mais imediatas, não conseguimos alcançar a
total profundidade de seus significados. Limitar-se a um período específico impede a compreensão
da trajetória futura da obra ao longo dos séculos seguintes, que muitas vezes se revela paradoxal. As
obras transcendem os limites temporais de sua criação, existindo através do tempo histórico amplo,
e, frequentemente, as grandes obras vivem de forma mais intensa e rica após sua
contemporaneidade.
Diferentemente dos teóricos do Formalismo Russo, que viam o tempo na narrativa como
uma progressão linear e unidirecional para distinguir o tempo da história do tempo da experiência,
Bakhtin buscou inspiração nas leis da física, concentrando-se na simultaneidade de experiências
diferentes que se manifestam em ações. Para ele, tempo e espaço são indissociáveis, o que levou à
superação da ideia de tempo absoluto e linear. O tempo não é organizado simplesmente pela
sequência cronológica, mas sim por convenções que vão além do movimento e da organização de
eventos vivenciais, o que torna a narrativa um espaço fértil para a investigação das múltiplas vozes e
discursos sobre a vida e a arte (Santos, 2013).
Na obra de Bakhtin, essa concepção do tempo está ligada à sua visão do ser humano, que
muda conforme a época. Cada período histórico traz uma nova imagem do homem: inicia-se no
romance grego, onde o tempo está voltado para um passado mítico estável e o herói permanece
imutável diante das provas, e culmina no cronotopo de Rabelais, representativo da cultura popular
e do carnaval, onde o tempo é coletivo, compartilhado por uma sociedade sem classes, que vive no
presente, mas relembra seu passado, eliminando as noções de nascimento original e morte
definitiva. Diferente do tempo místico, essa perspectiva integra passado e futuro em um processo
de constante ressignificação. Bakhtin destaca a posição singular de Rabelais no desenvolvimento do
romance realista de formação, especialmente na construção da imagem do homem em crescimento,
e atribui atenção especial a Goethe nessa análise.
De acordo com Bakhtin (2010a), a habilidade de perceber o tempo no conjunto espacial do
mundo, e de entender o espaço não como um cenário fixo, mas como um todo em processo de
formação e acontecimento, é fundamental. O tempo manifesta-se na natureza e está profundamente
conectado aos ciclos da vida humana, aos costumes e ao trabalho. Além disso, os vestígios visíveis
do tempo histórico, como cidades, obras de arte, técnicas e organizações sociais, são produtos da
ação humana, testemunhas materiais da passagem do tempo.
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Baseando-se em Bakhtin (2010a), Santos (2013) aponta tempo e espaço como inseparáveis
e concretos, onde o aspecto geográfico corresponde a um evento histórico, fazendo do tempo um
elemento histórico e da imagem do homem uma construção em desenvolvimento. O presente é uma
multiplicidade de tempos coexistentes, resquícios do passado e sementes do futuro. Bakhtin cunhou
o termo “cronotopo” para designar essa categoria, na qual tempo e espaço são construídos na
composição da obra literária como um texto cultural, funcionando como uma forma de compreensão
da experiência.
Bakhtin (2010a) afirma que, dentro da grande temporalidade, as vozes dos gêneros literários
continuam a ressoar infinitamente, sem uma palavra final. Os significados do passado, nascidos no
diálogo entre os séculos, nunca são estáveis ou conclusivos; eles se transformam e se renovam ao
longo do desenvolvimento futuro do diálogo. Sentidos esquecidos podem ser recuperados e
revividos em novos contextos, mostrando que nada está absolutamente morto e que cada sentido
pode ter sua renovação, configurando o que Bakhtin chama de “grande tempo”.
Destacam-se alguns pontos essenciais da abordagem cronotópica dos gêneros,
consequentemente, dos documentos de arquivos: as obras e os sistemas culturais são caracterizados
pela constante mobilidade no espaço e no tempo; a cultura deve ser entendida como uma unidade
aberta, nunca limitada ou fechada em suas possibilidades; compreender um sistema cultural requer
um olhar que ultrapasse seus limites imediatos; e as possibilidades discursivas em um diálogo são
tão vastas quanto as possibilidades de uso da linguagem, sendo os documentos de arquivos
responsáveis por criar conexões entre elementos culturais diversos (Santos, 2013).
Aplicando ao nosso objeto de estudo, torna-se evidente a importância de compreender como
a expressão da individualidade se relaciona com as pressões sociais que a moldam, reconhecendo
essas manifestações como culturais, situadas em contextos específicos de tempo e espaço, dentro
de um sistema aberto que permite relações dialógicas ilimitadas no futuro. Além disso, é
fundamental entender que não é possível impor uma visão científica neutra ou objetiva sobre o
presente e o futuro de outros, nem sobre as influências dos sucessores. Assumir a perspectiva do
“futuro presente” ajuda a reconhecer nossa responsabilidade em relação ao tempo e espaço
distantes, refletindo sobre os efeitos das ações atuais que se manifestarão em algum momento e
lugar. Essa complexidade temporal da futuridade social envolve simultaneamente passado, presente
e futuro, além de conhecimento e ética, deslocando o foco exclusivo no conhecimento para também
considerar as ações que realizamos e suas possíveis consequências ao longo do tempo e espaço.
Em nossa investigação, é necessário entender esse conceito de cultura, pois o foco recai
sobre as ações educativas desenvolvidas em arquivos da cidade de João Pessoa, com a intenção de
analisar como essas práticas refletem ou silenciam a diversidade de sujeitos, culturas e histórias que
compõem o tecido social local. Mais do que aprimorar métodos ou desenvolver produtos
pedagógicos inovadores, a proposta pretende contribuir para a formação de profissionais de
Arquivologia com uma perspectiva crítica e sensível às realidades plurais e às vozes historicamente
marginalizadas.
As práticas educativas nos arquivos são compreendidas, aqui, como espaços vivos de
encontro, nos quais se constrói uma percepção de história múltipla, dialogada e afetiva. A memória,
quando trabalhada com intencionalidade pedagógica, transforma-se em ferramenta essencial no
processo de ensino-aprendizagem. Tais ações buscam não apenas cumprir a função social dos
arquivos, mas também gerar reflexão crítica sobre o passado e suas implicações no presente.
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Ao adotar uma perspectiva decolonial (Santos, 2022a; 2022b), a pesquisa se posiciona contra
os modelos hegemônicos de produção de conhecimento, ampliando o reconhecimento das
epistemologias do Sul e das memórias invisibilizadas. Como alerta Chimamanda Adichie (TED, 2009),
o “perigo de uma história única” está na exclusão de vozes e saberes que não se encaixam na
narrativa dominante, exclusão esta reforçada por um legado colonial articulado ao capitalismo e ao
patriarcado.
Nesse cenário, os estudos pós-coloniais (Bhabha, 1998; Achebe, 2009) e a crítica descolonial
latino-americana (Quijano, 2005; Mignolo, 2003; Maldonado-Torres, 2011) se tornaram referências
fundamentais. Enquanto os primeiros analisam os efeitos da colonização nas ex-colônias, os
segundos denunciam a persistência da colonialidade, o modo como estruturas de poder e saber
continuam operando de forma excludente nas sociedades atuais.
A partir dessas perspectivas, as Epistemologias do Sul (Santos, 2022b) reivindicam a
legitimidade dos saberes subalternizados, tais como dos indígenas, africanos, populares, e defendem
o intercâmbio intercultural como forma de justiça cognitiva. Para Torres (2011), o pensamento
decolonial é um projeto em construção que visa romper com a lógica colonial da modernidade e abrir
espaço para outras formas de viver, pensar e aprender.
Nesse contexto, os arquivos se revelam como espaços estratégicos de disputa simbólica.
Longe de serem neutros, operam escolhas que definem o que é lembrado e o que é esquecido, o que
se guarda, o que se perde, o que se destaca e o que permanece à margem. Por isso, uma difusão
arquivística comprometida com os princípios decoloniais precisa questionar as ausências, escutar as
vozes apagadas e enfrentar os temas que historicamente foram invisibilizados, como o racismo, a
intolerância religiosa e a violência de gênero.
Mais do que lugares de armazenamento, os arquivos devem se tornar espaços educativos e
de escuta. Devem abrigar a pluralidade das memórias, reconhecendo que cada documento é
também um fragmento de vida, uma forma de resistência e um gesto de existência. Ressignificar a
memória documental é transformar o arquivo em ferramenta de diálogo, formação cidadã e
construção coletiva de subjetividades.
Como destaca Mignolo (2018), viver de forma decolonial é propor práticas que rompem com
a lógica colonial ao construir alternativas baseadas na convivência, no respeito e na justiça
epistêmica. Assim, transformar o fazer arquivístico implica também em promover o reconhecimento
de múltiplos modos de conhecer e de se relacionar com o passado.
A incorporação de tecnologias como a inteligência artificial (IA) reforça esse movimento. Ao
facilitar o acesso e a organização das informações, a IA potencializa a valorização de narrativas plurais
e o desenvolvimento de experiências educativas mais inclusivas e personalizadas. Com ela, torna-se
possível criar materiais pedagógicos, aplicativos interativos e ações em realidade aumentada que
aproximem a comunidade dos arquivos e da memória que a constitui (Kaufman, 2021; Lopes &
Mendes, 2023; Marchi, 2023; Nunes & Garbarino, 2024; Pelzl, 2022; Russell, 2021; Santos, Mariano
& Melo-Minardi, 2023; Shimasaki, 2021; Souza & Santos, 2019).
Promover uma educação inclusiva e crítica que una arquivos, escolas e comunidades significa
reconhecer que os arquivos não guardam apenas documentos, mas vozes, silêncios, memórias e
disputas. E é justamente nesse espaço entre o passado e o presente que as ações educativas podem
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florescer, ampliando horizontes, construindo pontes e provocando transformações no modo como
entendemos a história, o saber e a nossa própria existência.
A convergência entre as metodologias decoloniais e a teoria bakhtiniana pode ser entendida
da seguinte maneira:
Construção de conhecimento coletivo: Tanto a teoria bakhtiniana quanto às
metodologias decoloniais acreditam que o conhecimento não é um produto fechado ou
imposto, mas um processo dinâmico que se constrói através da interação entre
diferentes vozes, culturas e histórias. Bakhtin (2010), ao abordar o desenvolvimento
cultural, também defende a ideia de que o desenvolvimento não pode ser visto de forma
unidimensional, mas deve ser construído de forma coletiva, incorporando a pluralidade
cultural e respeitando as diversidades locais.
Valorização das vozes marginalizadas: Tanto as metodologias decoloniais quanto a teoria
de Bakhtin têm como princípio central a valorização das vozes marginalizadas. Enquanto
as metodologias decoloniais visam a descolonização do conhecimento e a inclusão de
saberes não ocidentais, Bakhtin enxerga o discurso das vozes marginalizadas como
essencial para a formação do significado e para o entendimento da realidade. Nesta
investigação, por sua vez, propomos que o desenvolvimento deve ser pensado a partir
da realidade local, ou seja, deve considerar e integrar a história e a cultura das
populações locais, que muitas vezes são ignoradas pelos modelos de desenvolvimento
externos.
Respeito pela história e contextos locais: Bakhtin (2010) propôs que a análise do
desenvolvimento não pode desconsiderar a história local, os contextos culturais e as
realidades sociais. Ele defende que as estruturas de poder e as transformações sociais
não são universais e que cada comunidade deve ser vista e respeitada em sua
especificidade histórica e cultural. Isso ressoa com a dialeticidade bakhtiniana, que vê o
saber como um processo histórico e contextualizado, e com a proposta decolonial de que
a história local e os saberes locais precisam ser reconhecidos e respeitados no processo
de construção de conhecimento.
Transformação e resistência: As duas abordagens estão comprometidas com transformar
as estruturas dominantes e resistir às imposições externas. Bakhtin via a linguagem e o
discurso como ferramentas para resistir à autoridade e às normas estabelecidas, as
metodologias decoloniais buscam romper com a colonização do saber e das práticas
culturais, e esta investigação propõe um modelo de desenvolvimento que fosse
autônomo e respeitoso das identidades culturais locais, desafiando os modelos
colonizadores de progresso e crescimento.
5 RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS
Como mencionado na introdução deste artigo, estamos na fase inicial da investigação e
ainda não podemos apresentar resultados concretizados, entretanto destacamos os resultados e
impactos esperados.
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Quanto aos resultados esperados, podemos enfatizar que o trabalho com as ações
educativas em arquivos promove no sujeito reflexões e sentido quanto à preservação dos bens
culturais e sociais de modo integrado ao processo de ensino e aprendizagem. Tais atividades
conseguem favorecer a realização da função social do arquivo, pois a forma arquitetônica da prática
pedagógica é percebida num determinado enunciado pelo seu conjunto de vozes sociais, culturais e
ideológicas construídas por um determinado sujeito.
Acreditamos que esta investigação dará continuidade às pesquisas realizadas anteriormente
(Santos et. al, 2024) e apresenta contribuições aos cidadãos ao perceberem que a temporalidade
investigada não se trata apenas de uma progressão cronológica unidirecional, sequencial. Para
distinguir os tempos da narrativa do tempo de experiência, busca-se compreender a simultaneidade
de experiências distintas que emergem em ações. O tempo indissociável do espaço tornou-se
fundamental para desfazer a noção de tempo absoluto e de tempo cronológico porque um
ordenamento cronológico não faz sentido nem dentro nem fora da narrativa, o tempo se organiza
mediante convenções que não se restringem a definir o movimento e as situações vivenciais, o que
faz da narrativa um campo fértil para investigação uma vez que se permite ouvir as vozes dos
discursos sobre a vida em um texto expresso em um documento.
Por isso, ao olhar os dados, busca-se contribuir com a discussão e com duas dimensões de
impactos científicos:
1. Educação - O ensino de leitura deve-se de diferentes modos de funcionamento dialógico,
os efeitos de sentido produzidos por essa diversidade, a inter-relação dinâmica que se
estabelece entre contexto narrativo e discurso citado. Concebe a comunicação como um
processo interativo, muito mais amplo do que a mera transmissão de informações,
que a linguagem é interação social.
2. Arquivologia - Com diversas abordagens teóricas e metodológicas, em áreas de
conhecimento plurais, para além da perspectiva digital, as ações educativo-culturais em
arquivos são exploradas quanto às suas linguagens, conteúdos, desafios e singularidades,
de forma multidisciplinar e rigorosa, ampliando a discussão e o avanço nas ações
educativas de arquivos.
Cremos que o papel pedagógico nos arquivos como um outro é fundamental para o ato
criativo da reflexão e leitura, que pode ter como resultado um enriquecimento na compreensão da
palavra alheia. As ações educativo-culturais possibilitam o contato direto com o documento e deve
ser visto como manifestação da cultura, é preciso entendê-los na dimensão espácio-temporal das
representações e da interatividade discursiva animadas em seu interior.
Trazer a arquivologia, os arquivos relacionados às metodologias decoloniais, oportuniza, por
sua vez, a compreensão de não negar a ciência, mas perseguir outras formas de entendimento (e
atuação) sobre o mundo que não sejam necessariamente ocidentais ou de aspecto impositivo.
Acreditamos que os resultados contribuirão significativamente para o enriquecimento das
práticas arquivísticas e educativas, promovendo uma maior valorização da memória e da cultura
local, e oferecendo novas possibilidades de aprendizado e de construção coletiva do conhecimento
histórico, a saber:
1. Ampliação do Acesso aos Arquivos e ao Patrimônio Histórico Local
Esperamos que o projeto promova um maior acesso aos documentos arquivísticos,
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especialmente aqueles relacionados à história local e às memórias de grupos
marginalizados, através de atividades educativas e culturais que incentivem a exploração
ativa dos arquivos;
2. Integração de Metodologias Decoloniais no Ensino e na Prática Arquivística
Espera-se que as metodologias decoloniais sejam efetivamente integradas nas práticas
educativas desenvolvidas nos arquivos, proporcionando uma análise crítica das
narrativas históricas e fomentando um olhar plural sobre a memória social e cultural,
com ênfase na valorização de histórias locais e pouco representadas;
3. Engajamento e Participação Ativa de Estudantes e Comunidades Locais
Um dos resultados esperados é o aumento do engajamento de estudantes e membros
da comunidade com os arquivos, por meio de atividades interativas e participativas que
incentivem a reflexão crítica, a análise de documentos históricos e a construção coletiva
de conhecimento;
4. Desenvolvimento de Novas Práticas Educativas nos Arquivos
A investigação deverá gerar novas práticas pedagógicas e metodológicas que possam ser
incorporadas aos serviços arquivísticos e que ajudem a transformar os arquivos em
ambientes mais acessíveis e relevantes para o público escolar e comunitário, além de
servir como modelo para outros projetos arquivísticos educativos;
5. Fortalecimento do Pensamento Crítico e da Consciência Histórica
Espera-se que as atividades propostas estimulem o desenvolvimento do pensamento
crítico nos participantes, incentivando-os a questionar narrativas históricas dominantes
e a compreender melhor a história local e regional, em sua complexidade e diversidade;
6. Promoção da Inclusão e Valorização das Diversas Memórias
Um resultado significativo será a ampliação da valorização das memórias de grupos
culturais e sociais marginalizados, promovendo uma educação que respeite e celebre a
diversidade cultural, social e histórica, alinhando-se à proposta de descolonização do
conhecimento;
7. Documentação e Divulgação das Práticas Educativas Criadas
A investigação terá como resultado a produção de materiais educativos, publicações e
relatórios que documentem as metodologias criadas e os resultados alcançados, que
poderão ser divulgados em conferências, publicações científicas e nas redes sociais para
ampliar o impacto do projeto e a troca de experiências com outras instituições de
memória e educacionais;
8. Impacto no Desenvolvimento de Políticas Educativas e Arquivísticas Locais
Espera-se que a investigação sirva como um ponto de partida para o desenvolvimento
de políticas públicas ou projetos institucionais que integrem mais efetivamente a
educação e os arquivos, com a implementação de práticas inclusivas e críticas que
respondam às necessidades das comunidades locais;
9. Construção de uma Rede de Colaboração entre Arquivos, Escolas e Comunidades
Outro resultado esperado é o fortalecimento da rede de colaboração entre os arquivos,
escolas e comunidades locais, promovendo a continuidade de práticas educativas que
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utilizem o patrimônio documental para o ensino e a reflexão sobre a história e identidade
local.
Vale destacar que o uso da inteligência artificial desempenha um papel fundamental neste
projeto, impulsionando a ampliação do acesso a arquivos e patrimônios históricos locais ao facilitar
a recuperação de informações e a navegação por acervos digitais. A IA também apoia a integração
de metodologias decoloniais, ajudando a identificar, organizar e dar visibilidade a narrativas
marginalizadas. Além disso, as ferramentas de IA são essenciais para o engajamento de estudantes
e comunidades locais, proporcionando experiências educativas interativas e personalizadas que
reforçam a valorização da memória e identidade cultural. A IA contribui ainda para o
desenvolvimento de novas práticas educativas nos arquivos, criando materiais didáticos inovadores
e promovendo abordagens críticas interdisciplinares. Ao estimular o pensamento crítico e a
consciência histórica, a tecnologia também auxilia na documentação e divulgação das práticas
educativas, sistematizando dados e ampliando o alcance dos resultados, enriquecendo a pesquisa
nas áreas de Arquivologia, Educação, Linguística e História.
Esperamos que os impactos desejados possam não apenas transformar as práticas
educacionais e arquivísticas na comunidade, mas também fortalecer a relação entre passado,
presente e futuro, oferecendo à sociedade ferramentas para uma reflexão mais profunda sobre seu
papel no desenvolvimento cultural, social e linguístico, tais como:
1. Fortalecimento da Educação e da Cultura Local: A investigação contribuirá para a
formação de uma nova geração de cidadãos críticos, engajados com sua história e
cultura, ao promover uma abordagem educativa que integra arquivos, memória e
práticas de ensino. A utilização dos arquivos como ferramenta pedagógica ajudará alunos
e educadores a desenvolverem uma compreensão mais profunda e contextualizada da
história local e global, estimulando um pensamento crítico sobre os processos históricos
que moldaram suas realidades;
2. Valorização da Memória e da Identidade Local: Ao resgatar e dar visibilidade à história
local, especialmente por meio de documentos arquivísticos e fontes históricas o
convencionais, a investigação promoverá uma maior valorização da identidade cultural
das comunidades. A partir de uma abordagem decolonial, buscamos questionar
narrativas históricas dominantes e dar voz a perspectivas marginalizadas, fortalecendo o
reconhecimento e o respeito pela diversidade cultural e social da região;
3. Transformação nas Práticas Arquivísticas: Propomos uma renovação nas práticas
arquivísticas tradicionais, focando no acesso mais democrático aos arquivos e na criação
de espaços de interação e participação ativa para a comunidade. A adoção de
abordagens dialógicas, decoloniais e bakhtinianas ajudará a redefinir o papel dos
arquivos como agentes ativos no processo educacional e cultural, promovendo o uso
desses recursos como ferramentas de reflexão crítica;
4. Desenvolvimento do Pensamento Crítico e Reflexivo: O impacto no desenvolvimento do
pensamento crítico nas comunidades locais será um dos resultados mais importantes do
projeto. Ao integrar práticas educacionais inovadoras que envolvem arquivos e memória
histórica, os participantes serão incentivados a questionar, refletir e reinterpretar os
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acontecimentos históricos, fortalecendo sua capacidade de análise e compreensão de
processos sociais e políticos;
5. Empoderamento das Comunidades Locais: Visa proporcionar às comunidades locais,
especialmente aos jovens, ferramentas para uma compreensão mais ampla e crítica de
sua história, promovendo um empoderamento coletivo. A partir de atividades que
envolvem diretamente os participantes na criação, análise e reflexão sobre documentos
arquivísticos, os indivíduos terão a oportunidade de se apropriar de seu patrimônio
cultural e histórico, contribuindo para a construção de uma consciência coletiva mais
crítica e autônoma;
6. Promoção de uma Abordagem Interdisciplinar: O projeto fomentará uma abordagem
interdisciplinar que integra Arquivologia, Educação, História, Linguística e Estudos
Culturais, criando um campo fértil para o desenvolvimento de novas metodologias e
práticas pedagógicas. A Linguística, ao ser incorporada nesse diálogo interdisciplinar,
oferece uma compreensão mais aprofundada dos discursos presentes nos documentos
arquivísticos e sua construção histórica, permitindo uma análise crítica das narrativas
que moldam a memória coletiva. A interação entre diferentes áreas do conhecimento e
a colaboração entre profissionais e acadêmicos de diversas disciplinas contribuirão para
o aprimoramento das práticas educacionais e culturais;
7. Contribuição para a Ciência e Pesquisa: O projeto também se posiciona como uma
contribuição significativa para a pesquisa acadêmica, ao integrar teoria bakhtiniana e as
abordagens decoloniais. Ao realizar um estudo de campo sobre as práticas de educação
em arquivos e sua relação com a memória histórica, o projeto poderá gerar novos
insights e referências para estudos futuros nas áreas de Arquivologia, Educação,
Linguística e História, especialmente em contextos de transformação social e cultural.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluimos que esta pesquisa também tem o potencial de gerar impactos no
desenvolvimento de políticas públicas e projetos institucionais, ao servir como um ponto de partida
para iniciativas que integrem com a educação nos arquivos, com práticas inclusivas e críticas que
atendam às necessidades das comunidades locais.
Um dos resultados mais relevantes é o fortalecimento da rede de colaboração entre
arquivos, escolas e comunidades, criando uma continuidade nas práticas educativas que utilizam o
patrimônio documental para o ensino e a reflexão sobre a história e identidade local.
Por fim, a utilização da IA é essencial para o sucesso dessa pesquisa, pois ela contribuirá para
o desenvolvimento de novos modelos educativos, criando materiais didáticos inovadores e
proporcionando experiências de aprendizagem interativas e personalizadas. E também na
sistematização da documentação e da divulgação das práticas educativas, ampliando o alcance dos
resultados e promovendo a reflexão sobre o papel da história e da memória no desenvolvimento
socio-cultural da comunidade.
Nesse contexto, o SESA reafirma seu compromisso com a transformação social por meio da
Arquivologia crítica, propondo um olhar ampliado sobre a função dos arquivos no século XXI. A
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articulação entre inteligência artificial e práticas educativo-decoloniais não apenas amplia as
possibilidades de acesso à informação, mas também contribui para a construção de uma sociedade
mais justa, plural e consciente de sua própria história. Ao promover o pensamento crítico e a
valorização da diversidade de memórias, o SESA se consolida como um espaço de formação, diálogo
e compromisso com a justiça epistêmica e a cidadania.
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