Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6028, p.1-16, 2025. ISSN: 2236-5753
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pública, arcabouço legal e conhecimento científico permite construir caminhos mais consistentes para
o fortalecimento democrático por meio da informação.
A partir disso, a Gestão da Informação emerge como um campo essencial para lidar com o
volume exponencial de dados e transformar esse recurso abundante em conhecimento socialmente
útil. Conforme Choo (2006), a gestão da informação envolve um conjunto de processos sistemáticos
que vão desde a identificação e coleta até a organização, interpretação, uso e compartilhamento da
informação, com o objetivo de apoiar a tomada de decisões, fomentar o aprendizado organizacional e
promover inovações. Em contextos urbanos, onde diferentes setores da administração pública geram
dados heterogêneos sobre educação, saúde, segurança, mobilidade, habitação, entre outros, a gestão
adequada dessas informações é decisiva para garantir coerência, eficiência e responsividade na
formulação de políticas públicas. Nesse sentido, observatórios de dados urbanos se consolidam como
ferramentas estratégicas para a integração, análise e disseminação de informações confiáveis e
relevantes.
Observatórios informacionais são dispositivos estruturados para acompanhar, sistematizar e
divulgar informações sobre determinado fenômeno, território ou temática. No contexto da
administração pública, funcionam como espaços de inteligência coletiva e territorial, capazes de reunir
dados dispersos, integrá-los em bases consistentes, produzir indicadores e disponibilizar esse
conhecimento de forma acessível a diferentes públicos (Macêdo; Maricato; Shintaku, 2021). A
proposta de criação do Observa Recife, nesse contexto, surge como resposta a uma demanda urgente:
consolidar dados urbanos, muitos já disponibilizados em formato aberto por órgãos públicos, em uma
plataforma unificada, acessível e visualmente atrativa. Trata-se de promover um ecossistema
informacional urbano mais democrático, eficiente, sensível às demandas sociais e orientado por
evidências, ampliando a possibilidade de uso social dos dados já existentes.
Além de sua função técnica, o observatório também exerce um papel social e comunicacional
ao atuar como mediador entre o universo dos dados e a compreensão cidadã. A mediação
informacional, neste caso, se dá por meio da apresentação de dados complexos de maneira visual,
interativa e intuitiva, facilitando sua apropriação por públicos diversos, inclusive aqueles com menor
familiaridade com tecnologias digitais. Essa mediação amplia o potencial de uso social da informação,
fortalece o letramento informacional e estimula a cidadania ativa, uma vez que permite ao cidadão
acompanhar e avaliar a execução de políticas públicas, como propõe a LAI, de maneira mais embasada
(Macêdo; Maricato; Shintaku, 2021). Ao assumir esse papel intermediador, o observatório também se
torna um espaço simbólico de diálogo entre Estado e sociedade, onde o conhecimento é
compartilhado de forma horizontal.
Nesse sentido, a usabilidade torna-se um eixo central para o sucesso do sistema. Trata-se de
um conceito com forte conotação social, pois está diretamente relacionado à capacidade de diferentes
grupos acessarem e compreenderem as informações oferecidas. Jakob Nielsen (1993), referência
fundamental na área, argumenta que a usabilidade de um sistema está atrelada à facilidade com que
as pessoas conseguem atingir seus objetivos ao utilizá-lo, considerando aspectos como simplicidade,
consistência, feedback, controle pelo usuário e prevenção de erros. Incorporar essas diretrizes na
concepção do Observa Recife permitiu construir uma ferramenta acessível e centrada nas
necessidades reais do usuário, respeitando diferentes níveis de letramento digital. O uso de um design
minimalista, baseado em hierarquias visuais claras, elementos interativos simples e informações
organizadas por eixos temáticos, colaborou para que a interface se tornasse mais intuitiva, reduzindo
barreiras de compreensão e ampliando o engajamento social com os dados.