Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6030, p.1-22, 2025. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
A presença da ditadura militar no Brasil no campo da ciência da informação
Amanda Dameto Hortencio, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil,
https://orcid.org/0009-0005-7579-8170
Zaira Regina Zafalon, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Brasil,
https://orcid.org/0000-0002-4467-2138
DOI: https://doi.org/10.62758/re.316
RESUMO
O presente estudo realiza um mapeamento sistemático da produção acadêmica em Ciência da
Informação sobre a Ditadura Militar brasileira (19641985), examinando 131 documentos (100 artigos
e 31 trabalhos de evento) para compreender as narrativas informacionais construídas acerca do
regime autoritário, em especial no tensionamento entre memória coletiva e direito ao esquecimento
previsto na Lei da Anistia de 1979. A pesquisa apoiase em três eixos teóricos características do
regime (censura, repressão e controle da informação); teoria da memória e do esquecimento; e o
papel da Ciência da Informação na preservação e recuperação de registros históricos , adotando
abordagem qualiquantitativa, exploratória e aplicada, com coleta de dados na base BRAPCI e análise
de conteúdo categorial. Os resultados evidenciam sete categorias temáticas principais: arquivos da
ditadura, censura, Comissão da Verdade, comunicação na ditadura, direitos humanos, memória da
ditadura e resistência, destacando esforços de arquivamento e digitalização, estudos sobre
silenciamento, avaliações das comissões de investigação e a dimensão ética dos profissionais da
informação no acesso público à memória histórica. Concluise que a Ciência da Informação
configurase campo estratégico para assegurar o direito à verdade e combater o esquecimento
institucionalizado, recomendandose o fortalecimento de práticas arquivísticas e de divulgação que
garantam acesso democrático aos registros das violações, contribuindo para processos de justiça de
transição e aprendizado coletivo.
Palavras-Chave: Ditadura Militar; Memória; Ciência da Informação; Brasil.
La presencia de la dictadura militar en Brasil en el campo de las Ciencias de la Información
RESUMEN
Este estudio mapea sistemáticamente la producción académica en Ciencias de la Información sobre la
Dictadura Militar Brasileña (1964-1985), examinando 131 documentos (100 artículos y 31 ponencias)
para comprender las narrativas informativas construidas sobre el régimen autoritario, especialmente
con respecto a la tensión entre la memoria colectiva y el derecho al olvido estipulado en la Ley de
Amnistía de 1979. La investigación se basa en tres ejes teóricos: características del régimen (censura,
represión y control de la información); la teoría de la memoria y el olvido; y el papel de las Ciencias de
la Información en la preservación y recuperación de registros históricos, adoptando un enfoque
cualitativo-cuantitativo, exploratorio y aplicado, con recopilación de datos de la base de datos BRAPCI
y análisis de contenido categórico. Los resultados destacan siete categorías temáticas principales:
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archivos de la dictadura, censura, la Comisión de la Verdad, comunicación durante la dictadura,
derechos humanos, memoria de la dictadura y resistencia, con énfasis en las iniciativas de archivo y
digitalización, estudios sobre silenciamiento, evaluaciones de comisiones de investigación y la
dimensión ética de los profesionales de la información en el acceso público a la memoria histórica. Se
concluye que las Ciencias de la Información constituyen un campo estratégico para garantizar el
derecho a la verdad y combatir el olvido institucionalizado, recomendando el fortalecimiento de
prácticas de archivo y difusión que garanticen el acceso democrático a los registros de violaciones,
contribuyendo a los procesos de justicia transicional y al aprendizaje colectivo.
Palabras-Clave: Dictadura Militar; Memoria; Ciencias de la Información; Brasil.
The presence of the military dictatorship in Brazil in the field of Information Science
ABSTRACT
This study systematically maps academic production in Information Science on the Brazilian Military
Dictatorship (1964-1985), examining 131 documents (100 articles and 31 conference papers) to
understand the informational narratives constructed about the authoritarian regime, especially
regarding the tension between collective memory and the right to be forgotten as stipulated in the
1979 Amnesty Law. The research is based on three theoretical axescharacteristics of the regime
(censorship, repression, and control of information); the theory of memory and forgetting; and the
role of Information Science in the preservation and retrieval of historical recordsadopting a
qualitative-quantitative, exploratory, and applied approach, with data collection from the BRAPCI
database and categorical content analysis. The results highlight seven main thematic categories:
archives of the dictatorship, censorship, the Truth Commission, communication during the
dictatorship, human rights, memory of the dictatorship, and resistance, emphasizing archiving and
digitization efforts, studies on silencing, evaluations of investigation commissions, and the ethical
dimension of information professionals in public access to historical memory. It is concluded that
Information Science constitutes a strategic field for ensuring the right to truth and combating
institutionalized forgetting, recommending the strengthening of archival and dissemination practices
that guarantee democratic access to records of violations, contributing to transitional justice processes
and collective learning.
Keywords: Military Dictatorship; Memory; Information Science; Brazil.
1 INTRODUÇÃO
A Ditadura Militar no Brasil, um período que se estendeu de 1964 a 1985, marca uma das fases
mais conturbadas e complexas da história brasileira. Sustentado pela doutrina de segurança nacional,
o regime consolidou um aparato repressivo voltado à supressão de direitos civis, censura à imprensa,
perseguição política e eliminação de opositores sob a justificativa de combater a subversão e promover
o desenvolvimento. A repressão atingiu movimentos estudantis, greves operárias, setores da
esquerda, artistas, intelectuais e partidos políticos gerando resistências em múltiplas frentes da luta
armada à mobilização civil.
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A transição democrática foi gradativa, marcada por pressões sociais crescentes ao longo dos
anos 1980. A campanha “Diretas Já” – ainda que não tenha obtido eleições diretas naquele momento
foi fundamental para viabilizar o processo de redemocratização. A eleição de Tancredo Neves, em
1985, representa esse novo ciclo, ainda que sua posse não tenha ocorrido por motivos de saúde, tendo
seu vice, José Sarney, assumido o governo.
Sessenta anos após o golpe, a Ditadura Militar permanece como uma ferida aberta na memória
nacional brasileira. O debate sobre esse período é permeado por tensões emocionais, políticas e éticas,
refletindo tanto as violações cometidas quanto as dificuldades de enfrentamento desse legado. Ao
contrário de outros países do Cone Sul, o Brasil adotou uma abordagem mais lenta e fragmentada no
processo de justiça de transição, distanciando-se de políticas de responsabilização e reparação
imediatas.
Exemplo emblemático dessa postura é a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/1979), que impossibilitou
a responsabilização penal de agentes do Estado por crimes cometidos durante o regime (Lei nº 6.683,
1979). Segundo Uzêda (2024), tratou-se de um “pacto do esquecimento”, não oficializado por
documentos ou consulta popular, mas efetivamente estabelecido nas entrelinhas políticas da época.
Tal medida impôs obstáculos significativos à construção duma memória justa, sendo até hoje um
entrave para familiares de desaparecidos que lutam por verdade e justiça.
A criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em 2012, representou um marco na
tentativa de confrontar as violações do passado. Seu relatório final, entregue em 2014, identificou
responsáveis por torturas e mortes, além de propor medidas de reparação, como a requalificação de
espaços públicos e a abertura de arquivos (Santos, 2021). No entanto, mesmo com esses avanços,
persistem desafios na consolidação de uma memória coletiva que contemple múltiplas vozes e
experiências.
As memórias sobre a Ditadura não são homogêneas: elas se constituem por narrativas
fragmentadas, disputas simbólicas e interpretações divergentes, muitas vezes influenciadas por
posições ideológicas. De acordo com Santos (2021), essas memórias coletivas moldam modos de
sentir, agir e avaliar o passado e o presente, sendo fundamentais para a construção das identidades
sociais. Nesse contexto, ganha relevância o debate sobre o direito ao esquecimento que, no caso da
Ditadura, tem sido criticado por promover o silenciamento de violações graves (Karam & Oliveira,
2020).
Diante dessas questões, a pesquisa busca responder à seguinte pergunta: como os estudos da
Ditadura Militar no Brasil estão retratados na Ciência da Informação? Para isso, como objetivo geral,
propõe-se investigar como a memória da Ditadura Militar no Brasil é preservada e representada no
campo da Ciência da Informação, a partir de três objetivos específicos: caracterizar a Ditadura Militar
no Brasil; contextualizar os estudos sobre Memória e Esquecimento; analisar o papel da Ciência da
Informação na preservação e difusão da memória sobre o regime ditatorial.
Ao refletir sobre os 60 anos do golpe, torna-se imprescindível compreender o papel desse
campo na formação das narrativas e na mediação entre passado e presente.
Metodologicamente, trata-se de um estudo aplicado, de natureza qualiquantitativa, com
objetivo exploratório, adotando-se como procedimento o mapeamento sistemático da literatura
disponível na Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI).
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A análise dos resultados será orientada pela análise de conteúdo, permitindo identificar padrões e
tendências nas abordagens informacionais sobre o período.
Espera-se que este estudo contribua para a ampliação do debate sobre o papel da informação
e da memória em contextos de autoritarismo, evidenciando como os registros e suas mediações
constroem narrativas históricas. Ao promover o acesso à informação e à verdade, a pesquisa reforça
os valores democráticos e o compromisso com a justiça social, demostrando que o passado, quando
bem documentado e debatido, pode iluminar os caminhos do presente e do futuro.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico do trabalho se estrutura em três eixos principais: Ditadura Militar no
Brasil, Memória e Esquecimento e o papel dos estudos no campo da Ciência da Informação.
O regime militar brasileiro, instaurado após o golpe de 1964, deve ser compreendido à luz das
tensões históricas que se intensificaram desde o fim do Estado Novo, em 1945 (Elias, 2022). A
redemocratização pós-Vargas foi marcada por pressões internas e externas favoráveis à democracia,
catalisadas pela derrota do Eixo na Segunda Guerra Mundial. No entanto, a deposição de Getúlio
Vargas em 1945 em meio ao movimento “Queremista” evidenciou tanto a complexidade do
momento quanto a ambivalência popular diante da democracia e da perda de direitos sociais.
O governo Dutra (1946) sinalizou um retorno à ordem liberal, com a promulgação de uma nova
Constituição. Ainda assim, o contexto da Guerra Fria incentivou medidas repressivas, como a cassação
do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1947, e a intensificação do controle estatal sobre sindicatos
(Reigoto, Mattos & Cerqueira, 2019; Martins, 2021).
Durante os anos seguintes, os governos de Vargas (1951-1954), Kubitschek (1955-1960), Jânio
Quadros (1961) e João Goulart (1961-1964) oscilaram entre tentativas de modernização, populismo e
instabilidade. A reação conservadora culminou na deposição de Goulart por militares em 1964
(Delgado, 2009; Amorim, 2024). O golpe foi legitimado pelo Congresso e consolidado pelo Comando
Supremo da Revolução (Arquivo Nacional, 2001).
O governo Castello Branco (1964-1967) instituiu os Atos Institucionais, como o AI-1, que
modifica a Constituição Brasileira de 1946 quanto à eleição, ao mandato e aos poderes do Presidente,
e o AI-2, que também modifica a Constituição quanto ao processo legislativo, às eleições, aos poderes
do Presidente e à organização dos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), promovendo
cassações e instituindo o bipartidarismo (Arquivo Nacional, 2001). A criação do Serviço Nacional de
Informação (SNI) simbolizou o aparato de vigilância estatal, centralizando a repressão à oposição
(Nascimento, 2015). O AI-5, em 1968, decretado durante o governo Costa e Silva, suspendeu garantia
do habeas corpus para certos crimes, bem como dava ao Presidente o poder de decretar estado de
sítio, intervenção federal, suspensão de direitos políticos e restrição de direito público e privado, bem
como cassação de mandatos eletivos, o que configurou a institucionalização da tortura e ampliação do
autoritarismo (Lemos, 2023; Motta, 2018).
O período seguinte, sob gestão de Médici (1969-1974) e Geisel (1974-1979), ficou marcado
pelos “Anos de Chumbo”, combinando repressão e crescimento econômico (Fico, 2001, p. 5 citado em
Cordeiro, 2009). A partir do governo Geisel, iniciou-se o processo de abertura gradual, ou “distenção”,
buscando uma transição controlada (Rocha Junior, 2022, p. 5).
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Sob Figueiredo (1979-1985), a Lei da Anistia, de 1979, e o movimento Diretas foram marcos
da redemocratização (Ramos & Costa, 2023). A eleição de Tancredo Neves, em 1985, seguida da posse
de José Sarney após sua morte, representou o encerramento formal do regime autoritário (Chicarino,
2012).
Essa retomada de aspectos históricos do período da Ditadura Militar no Brasil incita discussões
sobre o papel de estudos da memória no campo da Ciência da Informação.
A memória desempenha um papel crucial no funcionamento cerebral humano, envolvendo
complexos processos de armazenamento, processamento e recuperação de informações ao longo do
tempo (Mourão Júnior & Faria, 2015). Essa capacidade é fundamental para inúmeras áreas da
experiência humana, influenciando de maneira significativa tanto a construção da identidade pessoal
quanto a identidade coletiva de grupos e sociedades. Através da memória, os indivíduos são capazes
de manter uma narrativa contínua de suas próprias vidas, integrando experiências passadas ao
contexto atual e utilizando essas informações para moldar suas trajetórias futuras. Este mecanismo
não apenas ajuda na formação de um sentido coerente de identidade pessoal, mas também assegura
a continuidade da própria percepção de si ao longo do tempo.
Além do impacto pessoal, a memória também desempenha um papel fundamental nas
dinâmicas sociais e culturais; é influenciada pela coletividade e pelo entorno sociocultural. Maurice
Halbwachs (1990) defende que a memória individual se ancora em marcos sociais e referenciais
compartilhados, formando aquilo que domina memória coletiva. Essa memória coletiva é estruturada
e perpetuada por rituais, símbolos e narrativas históricas, servindo como base identitária e coesiva
(Assumpção & Castral, 2022, p. 13). Entretando, processos de esquecimento e silenciamento também
moldam as memórias seja por falhas cognitivas, traumas ou repressões culturais e políticas.
Potier (2017) chama atenção para o caráter ambíguo do esquecimento, destacando tanto sua
função adaptativa quanto de sua instrumentalização em pactos políticos, como os de anistia. Quando
silenciadas, memória dolorosas são excluídas da narrativa oficial, resultando em marginalização e
alienação histórica. A resistência ao esquecimento é, portanto, uma ação política e identitária.
O fenômeno do esquecimento e do silenciamento destaca a importância de uma abordagem
crítica e inclusiva na preservação da memória coletiva. Reconhecer e abordar esses aspectos permite
uma compreensão mais profunda e equitativa da história e das experiências humanas, garantindo que
as vozes marginalizadas sejam ouvidas e que os eventos sejam lembrados de forma mais completa e
precisa. Assim, a luta contra o esquecimento e o silenciamento é fundamental para a integridade da
memória coletiva e para a formação de uma sociedade mais justa e consciente de seu passado e
presente.
Quanto ao papel da Ciência da Informação, ela explora como a informação é gerenciada,
acessada e utilizada. Surgida no século XX, ela se desenvolveu na interseção das áreas de
Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e Documentação (Le Coadic, 2004). Com o objetivo de
facilitar o acesso e uso eficiente da informação, a Ciência da Informação é caracterizada como um
campo interdisciplinar voltado à organização, recuperação e uso estratégico da informação (Le Coadic,
2004; Siqueira, 2010).
A Ciência da Informação tem um papel fundamental na preservação da memória, agindo como
uma ponte essencial entre o passado e o futuro ao garantir a salvaguarda de registros e informações.
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Entende-se que a memória sobre a qual a Ciência da Informação se detém não está associada ao
desenvolvimento de técnicas de memorização ou no entendimento das patologias que impedem seu
aperfeiçoamento, tampouco em captar memórias potenciais para a construção da história. Ao incorporar
estudos memorialísticos, a Ciência da Informação visa fazer com que os registros informacionais sejam fontes
para atualização da memória a partir da organização, representação e recuperação da informação (Silva &
Martins, 2022, p. 13).
Em sua abordagem à preservação da memória, ela engloba estratégias para a proteção de
documentos tanto físicos quanto digitais.
Além das dimensões técnicas e tecnologias, o campo da Ciência da Informação incorpora
aspectos éticos, culturais e sociais na preservação da memória. A inclusão de múltiplas perspectivas e
a representatividade na memória preservada são essenciais para evitar uma história unilateral.
A reflexão sobre o esquecimento é deveras importante, sobretudo em um campo de conhecimento que
concebe a memória como preservação, para compreender que essa mesma memória possui outras categorias,
tem sobretudo, relação com as tecnologias de informação e comunicação, operando sua pragmática na
sociedade. Enfim, podemos até fazer o deslocamento semântico do termo “memória” com a área em relação à
memória organizada e preservada, que permite a disseminação e a recuperação do conhecimento. (Monteiro,
Carelli & Pickler, 2008, p. 12).
Nesse sentido, a Ciência da Informação assume papel estratégico na mediação entre memória
e sociedade. Ao preservar múltiplas vozes e combater o silenciamento, contribui para uma memória
coletiva mais inclusiva, crítica e plural essencial para a consolidação de uma sociedade democrática
e informada.
Dessa forma, o trabalho articula as conexões entre o passado autoritário do Brasil, os desafios
da memória e o papel da informação na construção de uma sociedade mais justa, onde a memória das
violações não seja esquecida, mas sim elaborada e transmitida como aprendizado coletivo.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este estudo adota uma abordagem qualiquantitativa, integrando técnicas com o objetivo de
proporcionar uma compreensão abrangente e contextualizada do tema pesquisado. Ao conjugar
ambas as abordagens, a pesquisa amplia sua capacidade analítica, oferecendo uma leitura mais
completa das representações sobre a Ditadura Militar no Brasil no campo da Ciência da Informação.
O viés quantitativo justifica-se por sua capacidade de identificar padrões e tendências na
produção científica, oferecendo uma visão objetiva sobre a frequência, a distribuição e a evolução das
publicações ao longo do tempo. Como enfatizam Souza & Kerbauy (2017), os métodos quantitativos
são eficazes para detectar correlações entre variáveis e examinar grandes volumes de dados,
viabilizando inferências relevantes sobre os contextos de produção relacionados à temática.
os métodos qualitativos são fundamentais para captar a complexidade dos sentidos
atribuídos às representações históricas, permitindo interpretações sensíveis e aprofundar as
narrativas identificadas. Conforme afirma Martins (2015), a pesquisa qualitativa é um modo de ver e
compreender o mundo humano que se constrói a partir da escuta, da descrição e da análise reflexiva
das manifestações sociais.
A natureza aplicada da pesquisa reside em seu compromisso com a produção de conhecimento
voltado à resolução de questões concretas. Como observam Kauark, Manhães & Medeiros (2010), a
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pesquisa aplicada mobiliza saberes científicos para enfrentar desafios reais, promovendo impactos
sociais significativos.
Para o tratamento dos dados, foi adotada a análise de conteúdo, conforme proposta por
Bardin (1997), que define essa técnica como um conjunto sistemático de procedimentos destinados à
descrição e inferência das mensagens, por meio de indicadores que revelem suas condições de
produção, circulação e recepção. Essa técnica é particularmente adequada à análise de documentos
científicos, pois permite identificar categorias temáticas, padrões discursivos e variações na
abordagem do tema em estudo.
A pesquisa foi organizada a partir de um protocolo de mapeamento sistemático, no qual
constam as etapas de identificação, extração, categorização e análise das publicações, sobre a Ditadura
Militar no campo da Ciência da Informação e está apresentada no Quadro 1, a seguir.
Essa sistematização visa assegurar a transparência, a reprodutibilidade e a precisão da análise,
possibilitando a construção de um panorama confiável da produção científica sobre a Ditadura Militar
no campo da Ciência da Informação.
Quadro 1: Protocolo de pesquisa
PROTOCOLO
Objevo
O objevo deste mapeamento é idencar o que se tem publicado sobre a Ditadura Militar no Brasil no campo
da Ciência da Informação
Pergunta norteadora
Quais são os estudos sobre a Ditadura Militar no Brasil no campo da Ciência da Informação?
Quem são os autores?
Quais as fontes de publicação?
Quando foram publicados?
Quais são os temas centrais destes estudos?
População
Publicações que têm a Ditadura Militar como tema
Resultados
Extrair, agregar e apresentar os dados do mapeamento
PALAVRAS-CHAVE E SINÔNIMOS
Termos
Ditadura
DEFINIÇÃO DE CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DE FONTES
Critério de busca
As publicações consideradas neste estudo serão aquelas que respondam aos critérios de busca por palavra-
chave em todos os campos.
Idioma
Todos os idiomas dos textos recuperados, sem restrição
Métodos de seleção
Montar expressão de busca; aplicar a expressão na base denida para a realização da pesquisa; exportar os
dados das publicações; importar os dados em uma planilha do Excel; elaborar grácos e tabelas que auxiliarão
na análise e apresentação dos dados.
DEFINIÇÃO DE FONTES
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Bases de dados
BRAPCI
CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DE DOCUMENTOS
Critério de inclusão
Palavra-chave no assunto, tulo ou resumo dos documentos recuperados, cujo tema tenha aderência ao
contexto da ditadura militar no Brasil e no campo da Ciência da Informação: incluir
Critério de exclusão
Palavra-chave ausente no assunto, tulo ou resumo (publicações que não tenham relação com o contexto da
Ditadura Militar no Brasil): excluir
Tipos de documentos
Argos, trabalhos em eventos e livros
EXTRAÇÃO DE DADOS
Campos do formulário de extração de dados
Título, palavra-chave e resumo
Fonte: Elaborado pelas autoras (2025).
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A análise de resultados apresentada nesta seção busca interpretar e discutir os dados obtidos
no mapeamento sistemático sobre a representação da Ditadura Militar no campo da Ciência da
Informação. Fundamentada na análise de conteúdo, a discussão é guiada pelos objetivos e pelas
questões norteadoras previamente estabelecidas, que incluem: o que está sendo estudado, quem são
os autores que abordam o tema, quando as publicações foram realizadas e onde esses estudos têm
sido disseminados.
4.1 Resultados Quantitativos
A análise quantitativa baseou-se em pesquisa realizada na base de dados BRAPCI com o termo
“ditadura”, selecionado por sua carga semântica representativa. A busca inicial retornou 194
documentos, mas após o processo de triagem que incluiu verificação de títulos, palavras-chave,
resumos e, quando necessário, leitura integral do documento foram excluídos 63 registros, dos quais
14 por duplicidade, 17 por inadequação temática, 21 erro no processamento da busca pela base, e 11
por tipo documental. O corpus final consistiu em 131 documentos. Os tipos documentais
predominantes foram artigos de periódicos (100), seguidos por artigos de eventos (31), especialmente
do ENANCIB, Encontro Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação, principal
evento da área no Brasil.
Em relação à autoria dos artigos, três pesquisadoras se destacaram por sua produtividade,
conforme mostra o Gráfico 1: Georgete Medleg Rodrigues, Maria Guiomar da Cunha Frota e Icléia
Thiesen Magalhães Costa, todas vinculadas a instituições públicas brasileiras de pesquisa e com
trajetórias reconhecidas na área de Arquivologia e Memória. Georgete Rodrigues, vinculada à
Universidade de Brasília (UnB), concentra suas investigações nos arquivos da Ditadura e nas políticas
de acesso à informação pública, com destaque para sua atuação em estudos sobre as Comissões da
Verdade e os desafios enfrentados por profissionais da informação diante do legado autoritário. Maria
Guiomar, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), dedica-se à relação entre arquivos e
memória social, explorando como práticas documentais contribuem para a construção de narrativas
históricas sobre o regime militar. Icléia Thiesen, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
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(UNIRIO), tem produzido reflexões relevantes sobre o papel dos arquivos e instituições de memória na
garantia do direito à verdade e na preservação de testemunhos históricos.
Gráfico 1: Quantidade de publicações por autor
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
A análise do perfil autoral revela ainda a centralidade das universidades públicas no
desenvolvimento de pesquisas sobre a Ditadura e destaca o papel da Ciência da Informação e das
Humanidades na interlocução entre memória, arquivos e justiça.
Ao serem observadas as revistas que se destacaram pelo volume de publicações sobre o tema,
foram identificados 38 periódicos (Tabela 1).
Dentre os periódicos que mais publicaram sobre a temática, destaca-se a Revista Acervo,
publicada pelo Arquivo Nacional, responsável por 27 dos 131 artigos analisados. Sua predominância
pode ser atribuída ao fato de deter acervos documentais originários de órgãos de repressão daquele
período, como o SNI e o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que funcionou como polícia
política durante o período da Ditadura. Outras revistas que se mostraram relevantes por publicarem
sobre o tema e que são ligadas a instituições públicas e a programas de pós-graduação em Ciência da
Informação são: Em Questão, Informação & Informação e Liinc em Revista. Esses periódicos abrigam
discussões interdisciplinares que articulam a Ditadura com temas como censura informacional, gestão
documental, bibliotecas e políticas de memória.
Tabela 1: Quantidade de documentos por revista
Título da revista
Quantidade
Revista Acervo (Arquivo Nacional)
27
Em Questão
6
Informação & Informação
5
Revista Eletrônica Internacional de Economia Política da Informação, da Comunicação e da
Cultura
5
Múltiplos Olhares em Ciência da Informação
4
Comunicação & Informação
3
0246810
Georgete Medleg Rodrigues
Maria Guiomar da Cunha Frota
Icléia Thiesen Magalhães Costa
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Título da revista
Quantidade
Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação
3
Revista Conhecimento em Ação
3
Ágora: Arquivologia em debate
2
Ensaio Geral
2
Informação & Sociedade: Estudos
2
Informação Arquivística
2
Liinc em revista
2
Logeion: filosofia da informação
2
OFFICINA - Revista da Associação de Arquivistas de São Paulo
2
Perspectivas em Ciência da Informação
2
Ponto de Acesso
2
Revista de Estudos do Discurso, Imagem e Som - Policromias
2
Revista EDICIC
2
Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde
2
Revista Fontes Documentais
2
Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação
2
Archeion Online
1
Awari
1
Biblionline
1
Ciência da Informação em Revista
1
DataGramaZero
1
Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação
1
Informação@Profissões
1
IRIS - Revista de Informação, Memória e Tecnologia
1
Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia
1
Prisma.com (Portugual)
1
Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina
1
Revista Brasileira de Educação em Ciência da Informação
1
Revista Folha de Rosto
1
Revista Informação na Sociedade Contemporânea
1
Revista Online da Biblioteca Prof. Joel Martins
1
Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação
1
TOTAL
100
Fonte: Elaboração própria (2025).
A variedade de títulos reflete a transversalidade do tema no campo da informação,
evidenciando seu papel na construção da memória social e na consolidação democrática. Além disso,
o interesse constante de tais periódicos por essa temática aponta para um esforço coletivo de
enfrentamento do legado autoritário e de afirmação do direito à verdade histórica.
A distribuição temporal dos artigos, abrangendo o período de 2000 a 2024, evidencia alguns
acontecimentos que impactaram a produção de estudos sobre a Ditadura: 2012, ano da criação da
Comissão Nacional da Verdade (CNV); 2014, marco dos 50 anos do golpe militar e da entrega oficial do
relatório final da CNV; e o intervalo entre 2021 e 2023, possivelmente pelo contexto político
contemporâneo e pelo recrudescimento de debates públicos sobre autoritarismo e memória social.
Em contrapartida, observa-se uma queda significativa nas publicações em 2024, o que pode estar
associado à redução de investimentos em pesquisa e ao desmonte de políticas de fomento à Ciência
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vivenciado nos últimos anos sob o governo de Jair Bolsonaro. Os dados correspondentes estão
representados, respectivamente (Gráfico 2).
Gráfico 2: Quantidade de publicações por ano
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Os artigos que compuseram o corpus de análise foram classificados em sete categorias
temáticas principais: Censura (32), Arquivos da Ditadura (26), Memória da Ditadura (26), Resistência à
Ditadura (16), Comissão da Verdade (15), Direitos Humanos (12) e Comunicação na Ditadura (4),
fornecendo uma estrutura robusta para a análise qualitativa apresentada a seguir.
4.2 Resultados Qualitativos
A análise qualitativa dos 131 artigos selecionados foi organizada com base em sete categorias
temáticas, definidas a partir da recorrência de assuntos e abordagens nos textos analisados. A
disposição dessas categorias segue uma lógica de progressão conceitual e histórica, que permite
compreender a trajetória das práticas autoritárias e suas consequências, passando por
enfrentamentos sociais e institucionais até alcançar os atuais esforços de preservação da memória e
consolidação democrática.
A sequência adotada Censura, Comunicação na Ditadura, Resistência à Ditadura, Direitos
Humanos, Comissão da Verdade, Arquivos da Ditadura e Memória da Ditadura foi estruturada como
um percurso interpretativo que parte de mecanismos formais e informais de repressão e controle
informacional empregados pelo regime militar, avança pelas formas de oposição e denúncia dessas
práticas, e culmina nos processos contemporâneos de justiça de transição, acesso à informação,
produção de memória e direito à verdade.
2
01 1 0101
6
1
3
7
23
13
3
56
89 9
17
12
14
7
0
2
4
6
8
10
12
14
16
18
2000200220042006200820102012201420162018202020222024
Quantidade
Ano de publicação
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Tal ordenamento não apenas reflete a dinâmica dos conteúdos observados nos artigos, mas
também favorece uma leitura analítica mais ampla sobre o modo como a Ditadura Militar brasileira é
investigada, documentada e lembrada no campo científico. Ao seguir esse encadeamento temático,
foi possível evidenciar tanto os impactos estruturais da repressão sobre a sociedade quanto os
caminhos construídos para resistir, reparar e reconstituir narrativas plurais. Dessa forma, a
categorização se consolida como uma ferramenta metodológica capaz de revelar as interconexões
entre os eventos do passado autoritário e os debates contemporâneos sobre Memória, justiça e
democracia.
Na primeira categoria, Censura, que agrega 32 artigos, observa-se como o regime militar
utilizou diversos dispositivos para silenciar vozes dissidentes, especialmente na literatura, música e
meios de comunicação. Os estudos de Dutra (2021), Jardim & Zaidan (2018) e Grigoleto, Soella &
Fagundes (2020) exemplificam a diversidade de abordagens sobre o impacto da censura em diferentes
suportes informacionais e grupos sociais.
A categoria Comunicação na Ditadura, com quatro artigos, aprofunda a instrumentalização da
mídia pelo regime, com ênfase na construção de narrativas oficiais e na desinformação como
estratégia de legitimação do poder. Destacam-se os trabalhos de Rihan & Sette (2021) e Stefanello
(2000; 2003), que discutem a representação da Amazônia e o papel do Estado na regulação da
informação.
A categoria Resistência à Ditadura (16 artigos) evidencia múltiplas formas de contestação
política, cultural e simbólica articuladas por sujeitos individuais e coletivos. Estudos como os de
Green (2014), Santana & Fraga (2024) e Bezerra, Pimenta & Ormay (2014) apontam para a diversidade
dos movimentos de oposição, desde manifestações artísticas até ações sindicais e acadêmicas.
Estudos que foram reunidos na categoria Direitos Humanos (12 artigos) concentram-se nas
violações cometidas pelo regime e nos processos de justiça e reparação. Artigos como os de França &
Dias (2021), Guazzelli & Torres (2014) e Oliveira & Padrós (2021) destacam a relevância dos arquivos
repressivos para compreender os mecanismos de controle e as lutas por reconhecimento das vítimas.
Na categoria Comissão da Verdade (15 artigos) são estudadas essas instâncias como
dispositivos de justiça de transição e reconstituição da verdade histórica. Os estudos de Tenaglia &
Rodrigues (2018a, 2018b, 2020), Ribeiro (2019, 2023) e de Silva, Oliveira & Dias (2022) evidenciam os
desafios enfrentados por essas comissões no acesso a documentos e na superação de barreiras legais
e institucionais.
Na categoria Arquivos da Ditadura (26 artigos), os autores abordam os desafios de
preservação, acesso e interpretação de documentos sensíveis. Destacam-se Costa (2011, 2012, 2013a),
Moraes & Bizello (2022) e Rodrigues (2012), que discutem as limitações do marco legal, a cultura do
sigilo e as tensões entre memória, verdade e justiça.
Por fim, Memória da Ditadura (26 artigos) investiga como diferentes suportes filmes, música,
literatura, museus e blogs participam da construção da memória social. Pesquisadores como Ribeiro,
Gomes & Frota (2023), Costa (2013b) e Almeida & Assis (2017) exploram as disputas narrativas entre
versões oficiais e alternativas, ressaltando o papel da mediação informacionais e das práticas
documentais na elaboração da memória coletiva.
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Por fim, a análise transversal das categorias demonstra como o regime militar moldou
profundamente a vida política, cultural e institucional do país. O estudo reafirma a necessidade de
vigilância, preservação da memória e fortalecimento dos direitos humanos como pilares de resistência
ao autoritarismo.
4.3 Discussão dos Resultados
A investigação qualitativa dos 131 artigos que compuseram o corpus da pesquisa possibilitou
a identificação de padrões temáticos recorrentes, os quais contribuem significativamente para o
aprofundamento do entendimento crítico sobre o período da Ditadura Militar no Brasil. A análise
sistemática desses textos permitiu agrupar os conteúdos em categorias temáticas, evidenciando
diferentes núcleos interpretativos que se articulam em torno de práticas repressivas, resistências
sociais e processos de elaboração da memória. Essas categorias abrangem dimensões centrais da
experiência autoritária brasileira, iniciando pelas estratégias de censura e manipulação da informação
adotadas pelo regime, passando pelos mecanismos de propagação e controle comunicacional, pelas
diversas formas de resistência política e cultural, e pelas graves violações de direitos humanos
cometidas pelo Estado. A análise também abarca a atuação das Comissões da Verdade como
instrumentos de justiça transicional, o papel dos arquivos na reconstituição dos fatos históricos e, por
fim, os esforços de preservação e disputa da memória coletiva no espaço público e institucional.
Essa estrutura temática não apenas organiza o material analisado, mas revela como o campo
científico tem contribuído para desvelar os múltiplos impactos da Ditadura, oferecendo uma
compreensão mais abrangente e crítica dos legados do autoritarismo. Ao reunir essas diferentes
dimensões em um conjunto, a categorização permite visualizar a complexidade do debate científico
sobre o tema, bem como suas interfaces com a construção da cidadania, o direito à verdade e a
consolidação democrática no Brasil contemporâneo.
Na categoria Censura, os artigos analisados evidenciaram que o controle exercido pelo regime
militar sobre a liberdade de expressão extrapolou o campo estritamente político, estendendo-se de
forma sistemática às esferas cultural, acadêmica e jornalística. A repressão operou tanto por meio de
mecanismos explícitos como a proibição de livros, indução à autocensura e a manipulação discursiva
dos meios de comunicação. Esse controle difuso resultou em um ambiente de intimidação e vigilância
simbólica, no qual o medo da retaliação estatal restringia a produção e a circulação de ideias,
impactando negativamente o desenvolvimento intelectual e a vida cultural no país.
Os efeitos da censura sobre a construção da memória coletiva foram profundos, uma vez que
a supressão sistemática de informações e vozes dissonantes contribuiu para a consolidação de versões
oficiais da história, muitas vezes distorcidas, incompletas ou silenciadas. A produção cultural passou a
operar em um campo de tensão permanente entre expressão e repressão, conformando práticas
sociais marcadas pelo silêncio, pela omissão forçada e pela fragmentação da narrativa histórica.
Contudo, em meio a esse contexto repressivo, diversos artigos destacam estratégias de
resistência que se manifestaram por meio de linguagens indiretas, simbólicas e codificadas. A criação
de veículos de imprensa alternativa, a literatura engajada, a música de protesto e outras formas de
expressão cultural tornaram-se ferramentas de enfrentamento e denúncia, rompendo, ainda que
parcialmente, o cerco imposto pelo Estado. Essas manifestações não apenas desafiavam os limites
impostos pela censura, mas também alimentavam uma cultura de resistência que se prolonga na
memória política e cultural brasileira até os dias atuais.
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A categoria Comunicação na Ditadura revela o papel estratégico desempenhado pelos meios
de comunicação como ferramentas fundamentais de sustentação do regime militar. Os artigos
analisados apontam que o governo se apropriou sistematicamente das estruturas comunicacionais
para legitimar seu projeto autoritário, utilizando-se de campanhas de propaganda oficial, manipulação
seletiva de conteúdos e disseminação de desinformação. Por meio dessas estratégias, o regime
construiu narrativas favoráveis à sua atuação, mascarando práticas repressivas e fabricando uma
imagem institucional de ordem, progresso e estabilidade.
A atuação estatal nos campos da imprensa, do rádio e da televisão foi marcada por um duplo
movimento: de um lado, a supressão de discursos críticos por meio da censura direta e da
intimidação aos veículos independentes e, de outro, a construção ativa de um discurso hegemônico
que naturalizava o autoritarismo e silenciava os conflitos sociais. A comunicação foi, assim, convertida
em instrumento de engenharia simbólica, moldando a percepção pública não apenas no plano
nacional, mas também junto à comunidade internacional, diante da qual o regime buscava manter
uma imagem de modernização e legitimidade.
Os efeitos dessas práticas persistem até os dias atuais, manifestando-se nas disputas em torno
da memória pública da ditadura. A sedimentação de narrativas oficiais durante os anos de regime
contribuiu para a perpetuação de mitos históricos e para a negação ou relativização das violações
cometidas. A crítica científica sobre esse uso estratégico da comunicação permite não apenas resgatar
as dimensões ocultadas do passado autoritário, mas também compreender os mecanismos de poder
simbólico que sustentam discursos revisionistas no presente.
A categoria Resistência à Ditadura abrange uma ampla gama de práticas e manifestações que
expressaram o inconformismo da sociedade civil diante do autoritarismo instaurado pelo regime
militar. Os artigos analisados demonstram que, mesmo sob vigilância constante e repressão
sistemática, diversos grupos sociais entre eles estudantes, trabalhadores organizados, artistas e
intelectuais mobilizaram-se em ações que contestavam a violência estatal, a supressão de direitos
e o silenciamento da pluralidade política e cultural.
As formas de resistência foram plurais, assumindo desde a organização de greves, protestos
estudantis e redes de solidariedade clandestinas, até expressões simbólicas veiculadas pela arte, pela
música, pela literatura e pelo teatro. Esses campos culturais tornaram-se espaços privilegiados para a
crítica indireta ao regime, utilizando metáforas, alegorias e linguagens cifradas como forma de driblar
a censura e manter viva a crítica social. Tais estratégias evidenciam a criatividade dos agentes
oposicionistas na construção de alternativas discursivas e performativas capazes de mobilizar
consciências mesmo em um ambiente marcado pelo medo e pela coerção.
A resistência não apenas contribuiu de forma decisiva para o processo de redemocratização
no final da década de 1980, como também deixou um legado simbólico e cultural duradouro. As
práticas de enfrentamento desenvolvidas nesse contexto alimentaram formas de participação política,
engajamento crítico e produção cultural que permanecem atuantes no Brasil contemporâneo. Ao
resgatar essas experiências, os artigos da categoria não apenas documentam um passado de luta, mas
também reafirmam a importância da ação coletiva na defesa de valores democráticos e na construção
de uma memória pública comprometida com os direitos e a justiça social.
A categoria Direitos Humanos evidencia a dimensão mais violenta e sistemática do aparato
repressivo da Ditadura Militar brasileira, ao documentar práticas como tortura, desaparecimentos
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forçados, prisões arbitrárias e execuções extrajudiciais. Os artigos reunidos nessa temática
demonstram que essas violações não foram casos isolados, mas parte de uma política de Estado
orientada à eliminação física e simbólica da dissidência, atingindo tanto militantes políticos quanto
civis, estudantes, trabalhadores e comunidades tradicionais.
Os registros dessas violações produzidos por vítimas, familiares, pesquisadores, entidades
da sociedade civil e instituições de direitos humanos desempenham papel fundamental na
produção da verdade histórica. Para além de seu valor probatório, esses documentos tornam-se
símbolos da resistência à impunidade e da luta por justiça, representando o direito à memória como
dimensão essencial da reparação. A sua preservação e análise constituem ferramentas centrais para a
responsabilização dos agentes do Estado envolvidos em crimes de lesa-humanidade, assim como para
o reconhecimento público das vítimas e de suas histórias.
Os artigos também destacam a relevância das iniciativas de justiça transicional, com ênfase
para as Comissões da Verdade tanto a Comissão Nacional quanto as comissões estaduais e setoriais
como mecanismos institucionais de enfrentamento ao passado autoritário. Embora essas comissões
tenham obtido avanços significativos em termos de documentação e visibilização das violações, a
análise revela obstáculos persistentes, como o acesso limitado a arquivos sigilosos, a resistência de
setores à abertura de dados e o peso simbólico da Lei de Anistia como barreira à responsabilização
judicial. Ainda assim, os estudos ressaltam o papel dessas iniciativas na construção de uma cultura
democrática baseada no respeito aos direitos fundamentais, na não repetição e no dever estatal de
lembrar.
Na categoria Comissões da Verdade, os artigos analisam criticamente o papel dessas instâncias
como instrumentos centrais da justiça de transição no Brasil, voltadas à apuração de graves violações
de direitos humanos cometidas pelo Estado durante a Ditadura Militar. A atuação da Comissão
Nacional da Verdade, bem como de suas versões estaduais, municipais e setoriais, é retratada como
parte de um esforço institucional para romper com o silêncio histórico, reconhecer as vítimas do
regime e propor medidas reparatórias e de não repetição. Os estudos ressaltam que o trabalho dessas
comissões envolveu extensas investigações documentais, coleta de testemunhos, produção de
relatórios públicos e recomendações voltadas à responsabilização simbólica e administrativa dos
agentes envolvidos.
A análise também revela os inúmeros obstáculos enfrentados por essas iniciativas, como o
acesso restrito a arquivos militares e policiais, a fragmentação institucional das informações, a
destruição deliberada de documentos e a resistência ativa de setores conservadores da sociedade.
Ainda assim, os textos apontam que o legado das Comissões da Verdade ultrapassa os limites dos
relatórios finais: elas representam um marco simbólico na consolidação da democracia brasileira, pois
institucionalizam o direito à memória e à verdade como deveres do Estado Democrático de Direito.
Nesse sentido, os artigos posicionam as comissões não apenas como mecanismos técnicos de
investigação, mas como espaços políticos de escuta, reconhecimento e visibilização das vítimas. Seu
impacto se estende à formação de políticas públicas de memória, à mobilização da sociedade civil e à
reconfiguração do discurso oficial sobre o passado autoritário, contribuindo para uma memória
institucional comprometida com os direitos humanos, a transparência e a prevenção de novas
violações.
A categoria Arquivos da Ditadura destaca o papel estratégico dos acervos documentais como
dispositivos fundamentais para a construção da verdade histórica, a responsabilização dos agentes da
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repressão e a efetivação de políticas de reparação e memória. Os artigos analisados convergem na
valorização dos processos de preservação, organização, digitalização e abertura pública dos
documentos produzidos por órgãos de repressão, como o SNI, o DOPS e as Forças Armadas,
reconhecendo nesses registros um campo essencial de disputa simbólica e política sobre o passado
autoritário brasileiro.
Apesar de avanços institucionais, como a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527, 2011), os
estudos apontam que o sigilo prolongado, a fragmentação dos acervos e a burocratização dos
mecanismos de consulta ainda representam obstáculos significativos à democratização da informação.
Além disso, há registros de práticas de ocultamento deliberado e destruição de documentos durante
a transição democrática, o que compromete a completude do patrimônio arquivístico nacional sobre
o período ditatorial. Tais lacunas revelam não apenas a persistência de uma cultura de opacidade
herdada do regime, mas também a fragilidade das políticas públicas de gestão da informação histórica
no Brasil.
Os arquivos são abordados nos textos não apenas como fontes de prova para fins de
responsabilização, mas também como instrumentos pedagógicos e políticos, fundamentais para a
formação de uma consciência crítica sobre o passado recente. Nesse sentido, os autores enfatizam a
necessidade de políticas permanentes de preservação e acesso, bem como de iniciativas
interdisciplinares que articulem a Arquivologia, a História, o Direito e a Educação, promovendo o uso
dos documentos em ações de memória, pesquisa e ensino. Ao evidenciar a centralidade dos arquivos
na justiça de transição, os artigos reafirmam que a construção de uma sociedade democrática passa
pelo compromisso institucional com a verdade, a transparência e a valorização dos registros
documentais como patrimônios públicos e instrumentos de cidadania. O acesso pleno a esses acervos
é, assim, condição indispensável para garantir o direito à memória das vítimas e prevenir a repetição
de práticas autoritárias.
Por fim, a categoria Memória da Ditadura concentra-se nas múltiplas formas por meio das
quais o passado autoritário brasileiro é lembrado, representado e transmitido socialmente. Os artigos
reunidos nesta temática evidenciam que a memória da ditadura não é um campo neutro ou
consensual, mas um território em constante disputa simbólica, atravessado por tensões entre
narrativas oficiais, revisionismos históricos e iniciativas contra hegemônicas de resgate das
experiências silenciadas. O debate acadêmico reforça que o modo como esse passado é evocado tem
implicações diretas na consolidação da democracia, na cultura política e na produção de subjetividades
no presente.
As formas de rememoração analisadas incluem uma variedade de suportes e práticas: museus
da resistência, memoriais, exposições, documentários, livros de testemunho, produções artísticas e
projetos sociais de educação em direitos humanos. Tais iniciativas são valorizadas nos estudos como
dispositivos fundamentais para manter viva a lembrança dos abusos cometidos pelo regime e para
promover processos coletivos de reconhecimento, escuta e elaboração do trauma. Elas tamm
funcionam como espaços pedagógicos, nos quais o passado se converte em instrumento de formação
ética, política e cidadã.
Contudo, os artigos também alertam para as disputas de sentido que permeiam o campo da
memória pública. A negação das violações, o relativismo histórico e a resistência institucional a
políticas de memória comprometem os esforços de reparação e de prevenção da repetição. Nesse
contexto, a produção científica enfatiza a necessidade de abordagens inclusivas, plurais e
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descentralizadas, que contemplem as diferentes vozes atingidas pela repressão indígenas,
mulheres, trabalhadores, camponeses, estudantes, entre outros e que incorporem perspectivas
críticas capazes de ampliar a compreensão coletiva sobre os impactos duradouros do autoritarismo.
Assim, a memória é compreendida não apenas como um exercício de rememoração, mas
como um campo de disputa política e de construção ativa do presente. Os estudos reafirmam que
políticas públicas de memória devem ser contínuas, intersetoriais e comprometidas com o
fortalecimento da democracia, da justiça social e do direito à verdade.
A análise global dos eixos temáticos revela a complexidade e a pluralidade das experiências
vividas durante a Ditadura Militar no Brasil, evidenciando que seus efeitos extrapolam o passado e
continuam a repercutir nas estruturas sociais, políticas e culturais contemporâneas. A articulação entre
os temas censura, repressão, resistência, violação de direitos, justiça de transição, arquivos e
memória demonstra que o enfrentamento do legado autoritário exige uma abordagem
multidimensional, sustentada por um compromisso ético com a verdade histórica e a reparação
coletiva.
Mais do que um exercício retrospectivo, o estudo das representações acadêmicas da ditadura
constitui um esforço ativo de construção de sentido no presente. Trata-se de fortalecer uma cultura
política orientada pela não repetição, pelo reconhecimento das vítimas e pela consolidação de práticas
democráticas fundadas na dignidade humana, no acesso à informação e na valorização da memória
como patrimônio público. Assim, a produção científica analisada reafirma a centralidade da justiça, da
preservação documental e da escuta plural como fundamentos indispensáveis para a construção de
um futuro mais justo, consciente e resistente a retrocessos autoritários.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Do ponto de vista quantitativo, a análise revelou uma expressiva produção acadêmica voltada
ao período da Ditadura Militar no campo da Ciência da Informação, evidenciando o interesse contínuo
da comunidade científica em investigar esse momento histórico. Os estudos abordam desde o
tratamento documental realizado à época até reflexões mais amplas sobre como a informação foi
gerida e suas implicações na memória e identidade nacional. Esses dados foram enriquecidos por uma
análise qualitativa que aprofundou o entendimento das abordagens temáticas e metodológicas
adotadas nos trabalhos.
A pesquisa demonstrou como os conceitos de memória, esquecimento e silenciamento são
centrais nas publicações sobre a Ditadura. A memória é discutida sob a perspectiva da preservação de
registros como testemunhos das ações do regime. o esquecimento e o silenciamento são analisados
como estratégias utilizadas pelo governo autoritário para esconder informações que poderiam
comprometê-lo.
A Ciência da Informação assume, nesse contexto, um papel fundamental: profissionais da área
atuam como responsáveis por garantir o acesso a documentos históricos, enfrentando desafios
relacionados à organização, conservação e disponibilização desses materiais. Os estudos revisados
apontam a urgência de estratégias que resistam ao apagamento deliberado da história e que
promovam narrativas mais completas e plurais. Também se destaca a denúncia das práticas de censura
e manipulação informacional implementadas pelo regime, o que reforça a atual relevância dos debates
sobre liberdade de informação e direitos humanos.
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Nesse sentido, compreender como memória, esquecimento e silenciamento se articulam
ajuda a refletir sobre as políticas de memória do Brasil. A Ciência da Informação ultrapassa os limites
da produção acadêmica, contribuindo com ferramentas essenciais para analisar o passado e
influenciar o modo como a sociedade o interpreta. Preservar ativamente a memória histórica é,
portanto, uma condição para aplicar os aprendizados do passado na construção de um futuro mais
justo e consciente.
Por fim, os estudos analisados revelam uma leitura crítica da forma como a Ditadura Militar é
lembrada no campo da Ciência da Informação, mostrando como os legados desse período ainda
impactam o presente.
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