Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6026, p.1-12, 2025. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
A Bahia se destaca no cenário nacional por sua longa tradição em políticas de leitura e
promoção de bibliotecas públicas, evidenciada por instituições como a Fundação Pedro Calmon e o
Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas. Programas governamentais, como o Plano Nacional do Livro
e da Leitura (PNLL), têm contribuído para consolidar um ecossistema de acesso à informação e
incentivo à leitura. Em Salvador, observa-se a implementação de bibliotecas públicas digitais e
comunitárias, que funcionam como polos de inclusão digital e educação informacional.
Destaca-se também, o programa Conecta Bahia tem desempenhado um papel central na
democratização do acesso à internet. Lançado em 2024, o programa visa instalar até 1.500 pontos de
internet gratuita em praças e prédios públicos, com foco em áreas rurais, comunidades quilombolas e
povos originários. Até o momento, já foram implementados 375 pontos em 180 municípios,
beneficiando diretamente populações historicamente marginalizadas (A tarde, 2024).
Além disso, iniciativas como os Centros Digitais de Cidadania (CDCs), em funcionamento desde
2023, oferecem acesso gratuito a computadores e internet, promovendo a alfabetização digital e o
acesso a serviços públicos online em diversas localidades do estado .
Essas ações demonstram que a Bahia possui experiências robustas e diversificadas de inclusão
digital, tanto em sua capital quanto em contextos comunitários e escolares, consolidando um campo
fértil para análise das relações entre políticas públicas, tecnologia e cidadania informacional.
4.2 Estudos de Caso - Sergipe
O estado de Sergipe apresenta um contexto diferenciado, no qual as iniciativas de inclusão
digital, embora mais restritas em alcance, têm elevado impacto social. O Instituto Federal de Sergipe
(IFS) desempenha papel central nesse processo, com destaque para o Projeto de Recondicionamento
de Computadores, que transforma o instituto em um polo de recuperação e redistribuição de
equipamentos tecnológicos a comunidades vulneráveis. Reconhecida pelo Governo Federal, a
iniciativa contribui tanto para a sustentabilidade tecnológica quanto para a democratização do acesso
digital (IFS, 2024).
Outra frente relevante é o Programa de Bolsas de Inclusão Digital, no qual estudantes do IFS
atuam em comunidades periféricas e rurais para disseminar práticas de letramento digital e ampliar a
conectividade social (IFS, 2024). Complementarmente, o instituto desenvolve cursos de informática
para a terceira idade, promovendo cidadania tecnológica e reduzindo desigualdades geracionais no
acesso às TICs (IFS, s.d.).
Outra iniciativa de destaque no estado é o Programa Federal Mulheres Mil, implementado em
parceria pelo IFS e a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Seel). O projeto visa promover o
empoderamento feminino, a inclusão social e digital, além de gerar oportunidades de empregabilidade
e empreendedorismo para mulheres em situação de vulnerabilidade. Atualmente, cerca de 2 mil
mulheres em 25 municípios sergipanos são beneficiadas, abrangendo comunidades quilombolas,
indígenas, camponesas, marisqueiras, populações de rua e atendidas por centros de referência à
violência (IFS, 2024).
O programa oferece cursos variados escolhidos pelas participantes, incluindo formação em
informática, empreendedorismo, cuidados de saúde da mulher e capacitação em prevenção bucal e
nutricional, com certificação emitida pelo IFS. Além disso, ações complementares envolvem a doação
de uniformes e roupas customizadas em parceria com a Energisa e a Receita Federal, bem como a