Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-5725, p.1-21, 2025. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
O ensino sobre inteligência artificial diante das mudanças climáticas: uma
análise dos currículos de Biblioteconomia nas universidades públicas federais
brasileiras
Alberto Calil Elias Junior, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO),
Brasil, https://orcid.org/0000-0002-5414-2165
Mariana Bernardes Damasceno, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
(UNIRIO), Brasil, https://orcid.org/0009-0000-9691-631X
mariana.bernardes@edu.unirio.br
Tatiana de Almeida, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Brasil,
https://orcid.org/0000-0002-1703-0148 tatiana.almeida@unirio.br
Marianna Zattar, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) / Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), Brasil, https://orcid.org/0000-0002-3328-3591 mzattar@facc.ufrj.br
Nysia Oliveira de Sá, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil,
https://orcid.org/0000-0001-9186-5920 nysia@facc.ufrj.br
DOI: https://doi.org/10.62758/re.313
RESUMO
Apresenta os resultados de investigação sobre a formação em Biblioteconomia no Brasil. Parte do
pressuposto da urgência da introdução de reflexões sobre os desafios da contemporaneidade no
ensino de Biblioteconomia. Elege a crise climática contemporânea e a introdução da Inteligência
Artificial e de suas aplicações como parte desses desafios. Aponta a crise climática, a inteligência
articula e suas possíveis articulações como objeto da investigação. Tem por objetivo investigar as
matrizes curriculares dos cursos de Biblioteconomia das Universidades Públicas federais brasileiras,
com vistas a verificar as articulações entre a Educação em Informação Socioambiental e as abordagens
sobre Inteligência Artificial na formação em Biblioteconomia a partir da análise das ementas e das
bibliografias. Estabelece como recorte para o corpus da pesquisa as matrizes curriculares que constam
do e-MEC, base de dados oficial dos cursos e instituições de Educação Superior no Brasil. Após a
aplicação dos critérios para identificação das disciplinas com abordagens relacionadas a Inteligência
Artificial realiza a análise de 65 disciplinas. Constata a baixa presença do debate sobre a Inteligência
Artificial, bem como a inexistência de abordagens que tematizem os efeitos de seu uso expandido, em
particular dos aspectos relacionados aos impactos socioambientais. À título de conclusão, destaca a
urgência da centralidade dos debates políticos, sociais e educacionais, especialmente em contextos
formativos como o da Biblioteconomia. Considera que a crescente complexidade dos desafios
socioambientais contemporâneos exige a construção de infra-estruturas que favoreçam a
compreensão das relações intrínsecas entre informação, sociedade e meio ambiente, bem como das
possibilidades de atuar criticamente diante das transformações tecnológicas em curso. Compreende a
inteligência artificial não apenas como uma ferramenta técnica, mas como uma aliada estratégica na
disseminação de informações que promovam a educação em informação socioambiental, desde que
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utilizada de forma ética, crítica e orientada pelo compromisso com a justiça social, com a justiça
informacional e com a justiça climática.
Palavras-Chave: Ensino de Biblioteconomia; Educação em Informação Socioambiental; Inteligência
Artificial; Mudanças Climáticas; Universidades Brasileiras.
Enseñanza de inteligencia artificial frente al cambio climático: un análisis de los currículos de
Bbliotecología en las universidades públicas federales brasileñas
RESUMEN
Este artículo presenta los resultados de una investigación sobre la formación en Bibliotecología en
Brasil. Parte de la premisa de la urgente necesidad de reflexionar sobre los desafíos contemporáneos
en la formación en Bibliotecología. Considera la crisis climática contemporánea y la introducción de la
Inteligencia Artificial y sus aplicaciones como parte de estos desafíos. Señala la crisis climática, la
inteligencia artificial y sus posibles articulaciones como objeto de investigación. Su objetivo es
investigar las matrices curriculares de los cursos de Bibliotecología en las universidades públicas
federales brasileñas, con el objetivo de verificar las articulaciones entre la Educación en Información
Socioambiental y los enfoques de la Inteligencia Artificial en la formación en Bibliotecología, a partir
del análisis de programas de estudio y bibliografías. El corpus de la investigación se basa en las matrices
curriculares que se encuentran en e-MEC, la base de datos oficial de cursos e instituciones de
educación superior en Brasil. Tras aplicar los criterios de identificación de disciplinas con enfoques
relacionados con la Inteligencia Artificial, se analizaron 65 disciplinas. El estudio señala la escasa
presencia del debate sobre la Inteligencia Artificial, así como la falta de enfoques que aborden los
efectos de su uso ampliado, en particular en lo que respecta a los impactos socioambientales. En
conclusión, se destaca la urgente necesidad de debates políticos, sociales y educativos centrales,
especialmente en contextos formativos como la Bibliotecología. Se considera que la creciente
complejidad de los desafíos socioambientales contemporáneos exige la construcción de
infraestructuras que favorezcan la comprensión de las relaciones intrínsecas entre la información, la
sociedad y el medio ambiente, así como las posibilidades de actuar críticamente ante las
transformaciones tecnológicas en curso. Se entiende la inteligencia artificial no solo como una
herramienta técnica, sino como un aliado estratégico en la difusión de información que promueve la
educación socioambiental, siempre que se utilice de forma ética y crítica, y se guíe por un compromiso
con la justicia social, la justicia informativa y la justicia climática.
Palabras-Clave: Educación en Bibliotecología; Educación en Información Socioambiental; Inteligencia
Artificial; Cambio Climático; Universidades Brasileñas.
Teaching artificial intelligence in the face of climate change: an analysis of Library Science curricula
in Brazilian federal public universities.
ABSTRACT
This paper presents the results of research on Library Science education in Brazil. It starts from the
premise of the urgent need to introduce reflections on the challenges of contemporary times in Library
Science education. It chooses the contemporary climate crisis and the introduction of Artificial
Intelligence and its applications as part of these challenges. It points to the climate crisis, artificial
intelligence, and their possible articulations as the object of investigation. Its objective is to investigate
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the curricular matrices of Library Science courses at Brazilian federal public universities, aiming to
verify the articulations between Socio-environmental Information Education and approaches to
Artificial Intelligence in Library Science education, based on the analysis of syllabi and bibliographies.
The research corpus is based on the curricular matrices found in e-MEC, the official database of higher
education courses and institutions in Brazil. After applying the criteria for identifying disciplines with
approaches related to Artificial Intelligence, 65 disciplines were analyzed. The study notes the low
presence of debate on Artificial Intelligence, as well as the lack of approaches that address the effects
of its expanded use, particularly regarding socio-environmental impacts. In conclusion, it highlights the
urgent need for central political, social, and educational debates, especially in formative contexts such
as Library Science. It considers that the increasing complexity of contemporary socio-environmental
challenges demands the construction of infrastructures that favor the understanding of the intrinsic
relationships between information, society, and the environment, as well as the possibilities of acting
critically in the face of ongoing technological transformations. It understands artificial intelligence not
only as a technical tool, but as a strategic ally in the dissemination of information that promotes socio-
environmental information education, provided it is used ethically, critically, and guided by a
commitment to social justice, informational justice, and climate justice.
Keywords: Library Science Education; Socio-environmental Information Education; Artificial
Intelligence; Climate Change; Brazilian Universities.
1 INTRODUÇÃO
A década de 20 do século XXI tem sido marcada por eventos de grande intensidade e impacto,
tanto local, quanto globalmente. O rápido avanço das inteligências artificiais (IAs) e da intensificação
de seu uso têm impulsionado o surgimento de novas formas de interação. Matéria publicada pela CNN
Brasil em junho de 2024 aponta que 72% das empresas do mundo fazem algum uso de aplicações de
Inteligência Artificial (Ramos, 2024). Do mesmo modo, é crescente o debate sobre o uso da IA em
atividades acadêmicas e de pesquisas, resultando na necessidade de adaptação das práticas
pedagógicas nas instituições de ensino superior.
Em relatório publicado em 2024 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente,
destaca-se que a partir do desenvolvimento da IA o número de data centers aumentou de 500.000 em
2012 para 8 milhões em 2024, trazendo impactos ambientais para o planeta. Aponta também a alta
demanda de energia necessária para manter os data centers, bem como o imenso gasto de água para
resfriá-los, que em breve poderá consumir seis vezes mais do que um país com 6 milhões de habitantes
(UNITED, 2024).
No posicionamento estratégico, o governo brasileiro está interessado na oferta de
infraestrutura de data centers para as big techs e, de acordo com Martins (2025), a participação do
Ministério do Meio Ambiente nos encaminhamentos não são consideradas na interlocução, sendo a
ausência uma preocupação em razão do potencial impacto ambiental, especialmente os efeitos
ambientais diretos ou indiretos no uso da água e da energia.
O alto gasto de energia do data center tem duas razões principais: o método de
resfriamento utilizado no projeto e a demanda energética dos supercomputadores
que processam, treinam e distribuem dados (Martins & Amorim, 2025).
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Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas surgem como o maior desafio da
contemporaneidade. Pelo menos desde a década de 1970, com a realização da Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, na cidade de Estocolmo, a comunidade científica
vem alertando sobre os impactos da ação antrópica no clima do planeta e sobre a necessidade de
ações voltadas para conter o colapso ambiental. Tais alertas vêm se materializando nos últimos anos,
com a intensificação de eventos climáticos extremos, em todas as latitudes do planeta. A título de
ilustração, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial, o ano de 2024 foi o ano mais quente
dos últimos 175 anos, após a quebra de vários recordes desde o ano de 2015 (OMM, 2025). A
declaração do Secretário Geral da ONU, António Guterres, por ocasião da publicação dos dados pela
Organização Meteorológica Mundial, reforça a gravidade e a urgência da pauta climática. De acordo
com Guterres:
A avaliação de hoje da Organização Meteorológica Mundial (OMM) prova mais uma
vez que o aquecimento global é um fato frio e duro. Anos individuais ultrapassando
o limite de 1,50 C não significam que a meta de longo prazo foi frustrada. Significa
que precisamos lutar ainda mais para voltar ao caminho certo. Temperaturas
escaldantes em 2024 exigem ações climáticas pioneiras em 2025. Ainda tempo
para evitar o pior da catástrofe climática, mas os líderes precisam agir agora (MMO,
2025).
O último relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre mudança do clima, o AR6,
enfatiza as evidências científicas dos impactos das ações humanas no aquecimento global e na
biodiversidade do planeta. Dada a urgência de ações de mitigação e de adaptação em virtude das
mudanças climáticas e considerando o alto impacto ambiental do uso da IA, torna-se imprescindível
que a formação da pessoa bibliotecária inclua o debate em torno da sua utilização e seus impactos.
No que se refere aos debates relacionados ao meio ambiente, verifica-se na produção
científica nacional dos campos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, que as reflexões sobre
o tema ganham certo destaque em meados da década de 1990¹, após a realização da Rio-92 e
concentram-se em torno da categoria informação ambiental”, como é possível identificar com os
trabalhos de Caribé (1992, 1992), Jorge (1992), Bellesi e Silva (1992), Fernandes e Skolimovski (1992)
e Targino (1994). E mais recentemente, em pesquisas discutindo a Agenda 2030 (Geraldo, 2021; Costa
& Alvim, 2021), o desenvolvimento sustentável (Geraldo & Pinto, 2021; Drumond & Figueiredo, 2019)
e questões atinentes ao negacionismo climático (Santini & Barros, 2022; Léna & Issberner, 2022) e a
desinformação socioambiental.
A incorporação de temas emergentes da contemporaneidade, tais como a urgência climática
e a inteligência artificial, apontam para um conjunto de desafios para os cursos de formação em
Biblioteconomia, muitas vezes expressando alguns hiatos no que concerne à incorporação dessas
temáticas nos currículos. Desse modo, objetiva-se investigar as matrizes curriculares dos cursos de
Biblioteconomia das Universidades Públicas federais brasileiras, com vistas a identificar em que
medida o debate sobre a educação em informação socioambiental se faz presente na formação da
pessoa bibliotecária. Traz, como objetivos específicos: a) Identificar conteúdos relacionados à IA nas
bibliografias básicas e complementares; b) analisar a bibliografia básica e complementar relacionada
à IA para identificar e compreender de que modo a questão socioambiental é abordada.
No Brasil, as expectativas relacionadas ao debate ambiental podem ser encontradas em
diferentes publicações. Como referência, indica-se a Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui
a Política Nacional de Educação Ambiental e outras providências. No texto da lei pode-se vislumbrar
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o entendimento de que a educação ambiental deve compor todos os níveis e modalidades do processo
educativo de modo a possibilitar a construção de saberes teórico-práticos voltados para uma
convivência harmoniosa com o meio ambiente, essencial à qualidade de vida e à sustentabilidade (Lei
n. 9.795, 1999).
Do mesmo modo, assiste-se nos últimos anos o interesse dos governos e da sociedade civil na
IA e em suas aplicações. Como exemplo, citamos a ação do Ministério da Educação do Brasil (MEC)
que no encontro dos BRICS realizado em junho de 2025 apresentou as iniciativas de uso da IA "nos
currículos da educação básica, na gestão escolar e nas políticas de dados educacionais”(MEC, 2025).
Dito isso, destaca-se, nesta comunicação, a dimensão socioambiental das abordagens em
torno da IA, seus usos e aplicações, das abordagens em torno da IA, seus usos e aplicações, com foco
nas relações entre a sociedade e o meio ambiente, a partir da formação da pessoa bibliotecária.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico deste estudo articula duas dimensões centrais e inter-relacionadas: a
socioambiental e a tecnológica. A primeira trata da urgência de uma educação em informação
comprometida com a crise ecológica contemporânea, enquanto a segunda discute os impactos do uso
crescente da inteligência artificial nas práticas biblioteconômicas. Ao integrar essas perspectivas,
busca-se refletir criticamente sobre os sentidos e os desafios da formação em Biblioteconomia diante
das transformações ambientais e tecnológicas da atualidade.
2.1 Educação em Informação Socioambiental em Tempos de Colapso Ambiental
Em uma era onde eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais comuns (IPCC, 2023),
evidencia-se a urgência de ações efetivas na promoção de mudanças estruturais que detenham os
avanços do colapso ambiental contemporâneo.
No ano de 2005, o climatologista James Hansen declarou que a humanidade estava a ponto de
ultrapassar as fronteiras dos pontos de inflexão² ou dos pontos de não retorno dos danos ao sistema-
terra provocados pelas ações antrópicas (Russil, Nissa, 2009). Katherine Richardson e outros autores,
afirmam em estudo recentemente publicado, que ultrapassamos as fronteiras de seis, dos nove pontos
de inflexão (Richardson et al, 2023). Não mais dúvidas, na comunidade científica, de que são
necessárias mudanças radicais, dentre as quais a interrupção da utilização dos combustíveis fósseis,
bem como a modificação na matriz energética do planeta, para citar apenas algumas.
Tais alertas, não são novos. Pelo menos cerca de 50 anos, as vozes da comunidade científica
já vêm nos alertando em relação aos efeitos da ação humana sobre o planeta³. Diante deste cenário,
é possível afirmar que:
Life on planet Earth is under siege. We are now in an uncharted territory. For several
decades, scientists have consistently warned of a future marked by extreme climatic
conditions because of escalating global temperatures caused by ongoing human
activities that release harmful greenhouse gasses into the atmosphere.
Unfortunately, time is up (Ripple et al., 2023).
Em tempos de crises múltiplas, a atual crise ecológica ganha o status de ameaça, em particular
para o Sul Global e suas periferias. Toma-se como base para esta investigação a ideia de que o colapso
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ambiental é um dos corolários de uma crise múltipla do Capitalismo. Segundo Luiz Marques (2023,
p.42).
O colapso ambiental não é um evento com data marcada para ocorrer. Trata-se do
processo em que estamos. Esse processo é sutilmente pontuado por sucessivos
estágios de agravamento em intensidade, amplitude e frequência de suas
manifestações e impactos. Mais importante do que tudo: embora gradual essa
sucessão de estágios se caracteriza por sua aceleração e por evoluir de modo linear
(e tendencialmente exponencial), condicionada que é por inúmeras alças de
retroalimentação. Disso decorre a certeza de que, mantida a atual trajetória, a
situação das sociedades ao final deste decênio será (muito) mais crítica do que em
seu início.
A crise climática não é algo para o futuro, para o amanhã, é o nosso presente. Bruno Latour
(2020) argumenta que entramos em um “novo regime climático".
A crise climática está aqui. Nosso fracasso em enfrentá-la escancara a fragilidade
da sociedade que construímos. Nosso modelo de desenvolvimento, de produção de
alimentos e de energia, nossas formas de deslocamento e, sobretudo, nossa
estratificação social, que concentra no topo as decisões sobre tudo isso, são a causa
profunda de um problema desastroso, que estamos obrigados a enfrentar
imediatamente (Aguiar, Marques & Queiroz, 2022, p.27).
Entende-se que estas múltiplas crises são ao mesmo tempo gestadas e constitutivas do modo
de produção capitalista, “um sistema que transforma tudo a terra, a água, o ar que respiramos, os
seres humanos, em mercadoria” (Lowy, 2013, p.79).
Neste contexto, as reflexões teórico-práticas sobre a informação ambiental e a educação em
informação socioambiental tornam-se necessárias na formação da pessoa bibliotecária, na medida em
que os estudos sobre tais noções informam sobre a materialidade das questões ambientais e
estimulam o engajamento das bibliotecas e das ações biblioteconômicas na busca de estratégias para
o enfrentamento ao colapso ambiental.
Ademais, que se considerar que no âmbito das Conferências sobre o Clima, desde a
publicação da “Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992” estabeleceu-se
que
A melhor maneira de tratar as questões ambientais é assegurar a participação, no
nível apropriado, de todos os cidadãos interessados. No nível nacional, cada
indivíduo terá acesso adequado às informações relativas ao meio ambiente de que
disponham as autoridades públicas [...] (Declaração de 1992, como citado em
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe [CEPAL], 2018, p.11).
Tal "[...] compromisso com os direitos de acesso à informação, à participação e à justiça em
questões ambientais” (Declaração de 2012, como citado em CEPAL, 2018, p. 11) é reforçado em 2012,
na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que também ocorreu na
cidade do Rio de Janeiro, e no ano de 2018, no Tratado de Escazú, um acordo construído pelos países
da América Latina e Caribe que advoga o direito à informação ambiental (CEPAL, 2018).
Também, para fins de fundamentação teórica e de forma a extrapolar a ideia de que basta
acesso à informação, vale reconhecer e ressaltar os discursos que alimentam os diferentes níveis de
negacionismo das questões relacionadas à dimensão socioambiental. Dias e Issberner (2024),
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corroborando com as afirmações de Latour (2020), afirmam a centralidade da existência de um novo
regime climático no atual momento histórico e, por conseguinte, de um projeto de negacionismo
climático (Oreskes & Conway, 2010; Proctor, 2019). Conforme Latour (2020), os anos 1990 marcam o
nascimento de uma história que se
[...] caracteriza, antes de mais nada, por aquilo que chamamos de
‘desregulamentação', e que confere um sentimento cada vez mais pejorativo à
palavra ‘globalização'. Mas ela marca também o início, de forma simultânea em todo
o mundo, de uma violenta explosão das desigualdades. Por fim, - e isso não é
destacado com frequência - , é nessa época que se inicia a sistemática operação para
a negação da existência da mutação climática (Latour, 2020, p.9).
O negacionismo climático é utilizado como estratégia de rejeição dos impactos causados pela
prática humana no meio ambiente. Trata-se de um projeto em que a responsabilidade socioambiental
não é estimulada na medida em que crises e eventos extremos são tratados com naturalidade sem
que haja espaço para o surgimento de ações que possam vir a influenciar de alguma forma a situação.
A atitude negacionista em relação ao colapso ambiental se manifesta de diferentes maneiras,
de acordo com atores, contextos e interesses que atravessam as sociedades atingidas pelos eventos
climáticos extremos. Uma dessas posturas é justamente a de culpabilização da natureza. Não raras são
as declarações de governantes e autoridades imputando às árvores, aos rios, às chuvas, a “culpa” pelos
danos. Há também aqueles embalados por ideologias teocráticas, que assumem um discurso fatalista
e que advogam que a única alternativa é aceitar a salvação, que virá de fora, em geral através de uma
divindade. Por outro lado, existem aquelas pessoas que afirmam a sua impotência diante do colapso
ambiental. Para essas pessoas a opção é continuar as suas vidas, ignorando os efeitos deste novo
regime climático ou nas palavras de uma cantora brasileira durante o carnaval de 2024, “macetando o
apocalipse” (Prado & Tavares, 2024).
O negacionismo climático relaciona-se com o negacionismo científico ao disputar o espaço da
ciência da sociedade a partir do jogo da dúvida. Naomi Oreskes e Erik Conway (2010) demonstram as
relações intrínsecas entre a instauração da dúvida em torno de postulados científicos, amplamente
consensuados pela comunidade científica, e o projeto negacionista, a partir dos casos da indústria de
tabaco e da indústria de combustíveis fósseis que financiaram o espalhamento da dúvida sobre os
malefícios do cigarro à saúde e sobre os efeitos para o clima do planeta do uso dos combustíveis fósseis
na matriz energética. Outro exemplo que ilustra essa dinâmica são as políticas adotadas por Donald
Trump (450 e 470 presidente dos Estados Unidos da América), que relativizam as mudanças climáticas,
a partir do constante negacionismo refletido em ações, como a retirada dos EUA do Acordo de Paris e
o desinvestimento em agências governamentais ligadas ao clima, como por exemplo, a NOOA
(National Oceanic and Atmospheric Administration) (Alves, 2025; Garisto & Tolleson, 2025) O
espalhamento da dúvida contribui diretamente para a ignorância, para a não universalização do direito
à informação ambiental e para a falta de ação.
No que concerne ao campo biblioteconômico-informacional, as primeiras reflexões sobre a
“informação ambiental” surgem nos anos 1980. Vieira (1986, p. 203) a define como “[...] dados,
informações, metodologias e processos de representação, reflexão e transformação da realidade, os
quais facilitam a visão holística do mundo e [...] contribuem para a compreensão, análise e interação
harmônica dos elementos naturais, humanos e sociais. Reconhecida como essencial para enfrentar a
crise ambiental (Amorim, 2004), sua incorporação às práticas bibliotecárias amplia a atuação política
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da profissão, promovendo a construção da consciência crítica entre bibliotecários e comunidades
atendidas (Vieira, 1986; Nara & Conduru, 2021).
A formação em Biblioteconomia, diante das transformações sociais, tecnológicas e ambientais
do século XXI, demanda um reposicionamento crítico que vá além da capacitação técnica. Em um país
marcado por desigualdades estruturais e crises sistêmicas, o processo formativo deve considerar não
apenas os saberes informacionais, mas também os compromissos éticos e políticos que orientam o
exercício da profissão.
Nesse sentido, Moraes (2018, p.57) destaca que:
[...] o Brasil necessita cada vez mais de uma formação crítica, na busca de uma
consciência social, ambiental e financeira, o que possibilitaria a transformação dos
casos generalizados de corrupção. Para tanto, a formação dos profissionais necessita
de ser repensada, bem como a sua atuação nos mais diversos espaços.
Essa reflexão aponta para a urgência de currículos que incorporem temáticas
contemporâneas, como a crise ambiental, a ética informacional e os impactos da inteligência artificial,
de forma transversal e situada.
No campo específico da Biblioteconomia, essa formação crítica está intimamente relacionada
à noção de responsabilidade social da profissão. Ainda segundo a autora
A discussão acerca da responsabilidade social bibliotecária não é recente. A
responsabilidade social bibliotecária refere-se a que o profissional deve tratar a
informação com vistas a disponibilizá-la, tendo como princípios fundamentais a
ética, a responsabilidade social e a democracia (Moraes, 2018, p.57-58).
Assim, a atuação da pessoa bibliotecária deve estar comprometida com a promoção do acesso
à informação em sua dimensão cidadã, contribuindo para a construção de sujeitos informados, críticos
e engajados com a transformação social e ambiental.
E, na perspectiva da práxis biblioteconômica, propõe-se articular a noção de “informação
ambiental” com a educação em informação. Entende-se que a educação em informação “não se
refere a uma mera capacitação quanto ao uso de fontes de informação ou avaliação de conteúdos,
por exemplo, mas ao conjunto formativo que passa por essa capacitação [...]”(Zattar, Barbosa &
Borges, 2023, p. 11), “portanto, a perspectiva da educação em informação é de uma educação
reflexiva, crítica e criativa [...]”(Brandão & Borges, 2023, p. 6).
Em um contexto no qual a infra-estrutura de comunicação favorece a formação de
ecossistemas de informação em que ampla circulação da desinformação e do negacionismo,
“estabelecer um uso consciente, crítico e saudável dos conteúdos” (Borges, Silva & Machado, 2024)
apresenta-se como uma importante estratégia no enfrentamento ao negacionismo climático e a luta
pelo direito à informação ambiental. Desse modo, ressalta-se a relevância da construção de olhares
teórico-práticos sobre a educação em informação socioambiental.
2.2 Inteligência Artificial, seus Usos e Impactos nas Práticas Biblioteconômicas
A crescente presença de IA nos processos de organização da informação bem como seu uso
cada vez mais intenso nos meios acadêmicos requer um outro olhar no que se refere à mediação da
informação. Acresce, ainda, considerar que a pessoa bibliotecária tem um compromisso crítico e ético
no que se refere ao desempenho das suas atividades profissionais.
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Rodriguez e Prudêncio (2024), apontam para o aumento, nos últimos anos, no número de
estudos científicos que versam sobre a IA, em diversas áreas de conhecimento. A partir da realização
de mapeamento de estudos que abordam as aplicações da IA em bibliotecas, as autoras identificam
tendências de aumento dos usos de IA nas práticas biblioteconômicas, de modo que “as diversas
aplicações da IA, desde sistemas de recomendação, até a automação de processos bibliotecários, têm
o potencial de transformar significativa a Biblioteconomia” (Rodriguez & Prudêncio, 2024, p. 19).
Para Nina da Hora (2022), a noção de IA “compreende um amplo conjunto de tecnologias que
permitem que indivíduos e organizações integrem e analisem dados e usem esse insight para melhorar
ou automatizar a tomada de decisões.” A autora ressalta que as informações que advém das IAs
também são resultados de um contexto e, portanto, não são neutras.
De acordo com Sérgio Amadeu da Silveira (2024) existem diversos tipos de IA e dois se
destacam. A primeira “se baseia na abordagem simbólica, no uso da lógica para a manipulação de
símbolos”. E a segunda,
[...] se inspira na rede neural do cérebro humano para processar informações. Ela
simula as redes neurais artificiais, compostas por unidades de processamento
(neurônios artificiais) interconectadas, para extrair padrões e tomar decisões a partir
de dados. O aprendizado ocorre por meio do ajuste dos pesos das conexões entre os
neurônios artificiais, a partir de algoritmos de otimização, permitindo que o sistema
melhore seu desempenho em tarefas específicas com base na experiência. Isso é
metaforicamente chamado de treinamento.
Tendo em vista as rápidas transformações destas tecnologias, bem como a sua adesão
generalizada, a realização de pesquisas e reflexões sobre a IA surge como um dos desafios
contemporâneos da Biblioteconomia, de modo que o campo, a partir das ações teórico-práticas dos
sujeitos informacionais, construa condições estruturais para que a tomada de decisão das pessoas
bibliotecárias diante das questões de nosso tempo.
Assim sendo, a escolha da investigação sobre inteligência artificial na formação em
Biblioteconomia considera a perspectiva socioambiental e não se preocupa de forma exclusiva com as
tecnologias de informação e comunicação. Até porque a discussão sobre seus usos como uma
ferramenta tem avançado a cada dia em diferentes dimensões da vida ordinária. Inclusive das ações e
práticas do campo da informação.
Nesta perspectiva, considera-se a observância da problematização teórico e prática que
aborda os impactos dos usos da IA no meio ambiente e no bem-estar, em consonância com a ideia de
saúde de Sérgio Arouca (Centro, 2025).
AI represents the fastest expanding workloads in data centers. For example, a recent
study suggests that the global AI could consume 85 134 TWh of electricity in 2027,
whereas a more aggressive projection by the recent U.S. data center energy report
predicts that AI servers’ electricity consumption in the U.S. alone will surpass 150
300 TWh in 2028. Even considering the lower estimate, [...] water withdrawal of
global AI is projected to reach 4.2 6.6 billion cubic meters in which is more than the
total annual water withdrawal of 4 6 Denmark or half of the United Kingdom.
Simultaneously, a total of 0.38 0.60 billion cubic meters of water will be evaporated
and considered “consumption” due to the global AI demand in 2027 (Li, et al., 2025).
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A despeito do reconhecimento da exigência de altos gastos de água e de energia para a
manutenção da IA e, por conseguinte, dos seus altos impactos ambientais (Strubell, Aganesh &
Mccallum, 2019; Vick, 2024; Martins, 2025; Sporh, 2024) assiste-se ao espalhamento de seu uso nas
diversas instâncias do cotidiano.
Um dos exemplos mais explícitos desse cenário pode ser visto no atual debate sobre a
instalação de data centers em alguns estados brasileiros. Apesar da incidência política em torno do
uso de energia limpa, incluindo a promulgação de uma medida provisória que exige a utilização de
energia elétrica de fontes renováveis (Medida Provisória n. 1.307; 2025, Fuzita, 2025), aponta-se para
a existência de contradições no interior desses processos, na medida em que propõe-se a instalação
de estruturas como os data centers, que consomem quantidades superlativas de água, principalmente
para resfriamento, em regiões com escassez no acesso à água (Martins & Amorim, 2025).
Considera-se que este consumo tem implicações ambientais e que podem agravar problemas
de escassez hídrica em diversas regiões, trazendo consequências tanto para os biomas quanto para as
populações nestes territórios. Ademais, que se ponderar que para além da necessidade de se
garantir o uso de energia limpa e renovável, outros aspectos devem ser considerados quanto ao uso
expandido da IA, como por exemplo, os danos ambientais gerados pelo alto consumo de bens naturais
(energia, água, dentre outros).
Assis afirma que "a incorporação da tecnologia da IA nas bibliotecas, tornou-se uma
preocupação recente para os profissionais da área (Assis, 2024, p.12). Esta atenção materializa-se na
publicação em 2020, pela International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) de
uma declaração sobre bibliotecas e inteligência artificial (IFLA, 2020).
Na medida em que esta tecnologia vai se transformando, aumenta o número de bibliotecas
que as incorporam em seus serviços e práticas. Estudos recentes apontam para um conjunto de
aplicações da IA em bibliotecas e unidades de informação (Assis, 2024, Rodriguez & Prudencio, 2024;
Sousa & Fujita, 2025), dentre as quais podemos citar: a) uso de IA na redação de políticas institucionais
de bibliotecas, como regulamentos internos, políticas de desenvolvimento de coleções, dentre outras ;
b) aplicações no serviço de referência de bibliotecas, como por exemplo, com a criação de chatbots
para o serviço de referência virtual; c) auxílio na pesquisa bibliográfica; d) uso da IA na gestão dos
serviços e das rotinas das bibliotecas; e) na criação de registros MARC; f) auxílio na indexação de
assuntos; g) auxílio na recuperação de metadados.
Tais exemplos apontam para o fato de que a IA se configura como uma realidade para muitas
bibliotecas e unidades de informação. Assim, compreende-se que o ensino sobre inteligência artificial
deve considerar também as dimensões do mundo da vida , em articulação com os problemas materiais
concretos de nosso tempo histórico, dentre os quais destaca-se os impactos socioambientais.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta comunicação, que apresenta resultados da investigação em curso, configura-se como um
estudo de natureza qualitativa e de caráter exploratório. Trata-se de uma pesquisa documental, que
tem como objeto a análise das bibliografias dos componentes curriculares relacionados ao ensino da
IA, na formação em Biblioteconomia.
Para esta investigação, delimitou-se como corpus da análise, os cursos de graduação na área,
oferecidos por universidades públicas federais no Brasil, na modalidade presencial, que constam como
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ativos na plataforma do e-MEC e que disponibilizam os projetos políticos pedagógicos em ambientes
digitais
A investigação realizou-se em três etapas. Na primeira houve a identificação dos cursos de
Biblioteconomia no país, a partir da consulta ao e-MEC conforme os critérios estabelecidos. O e-MEC
é uma base de dados oficial dos cursos e Instituições de Educação Superior no Brasil - IES -
independentemente de Sistema de Ensino. A segunda etapa consistiu na visita aos ambientes virtuais
das universidades selecionadas, com vistas à identificação dos projetos pedagógicos dos cursos para
coletas de dados dos ementários das disciplinas. Em seguida, na terceira etapa, iniciou-se a análise do
corpus da pesquisa em que, a partir da leitura das ementas e das bibliografias, buscou-se identificar as
disciplinas que tratam de temas relacionadas a IA e aos seus usos, bem como analisar indícios da
promoção de debates e reflexões sobre os impactos socioambientais desses usos nas práticas
biblioteconômicas.
A adoção dessas etapas metodológicas revelou-se fundamental para assegurar a
sistematicidade e a abrangência da investigação. A estrutura em fases permitiu, de um lado, delimitar
com precisão o universo empírico da pesquisa - os cursos de Biblioteconomia ofertados no Brasil - e,
de outro, garantir uma coleta criteriosa com vistas à análise de dados nos documentos institucionais
oficiais, como os projetos pedagógicos dos cursos. Além disso, a análise aprofundada do corpus
possibilitou interpretar criticamente as abordagens curriculares relativas à inteligência artificial e seus
impactos socioambientais, permitindo a identificação de lacunas e potencialidades formativas nos
processos de ensino-aprendizagem da área.
4 RESULTADOS
A presente investigação adotou como etapa inicial o mapeamento dos cursos presenciais de
graduação em Biblioteconomia ofertados no âmbito das universidades públicas federais brasileiras e
para isso, utilizou-se a plataforma e-MEC, como descrito anteriormente. O levantamento inicial
identificou 33 cursos presenciais de Biblioteconomia em atividade; no entanto, considerando o recorte
metodológico da pesquisa - que se restringe às universidades federais - foram excluídos os cursos
vinculados a instituições estaduais, resultando em um total de 27 cursos mapeados (Figura 1).
Figura 1: Mapeamento dos 27 cursos de graduação presenciais em Biblioteconomia nas
universidades públicas federais do País
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Fonte: Elaboração própria (2025).
Ato contínuo, aplicou-se ao corpus da pesquisa os critérios previamente estabelecidos, a
saber: disponibilização do projeto político pedagógico nos ambientes virtuais da universidade e
disponibilização da ementa e da bibliografia da disciplina (Quadro 1).
Quadro 1: Mapeamento dos cursos de graduação e da disponibilidade dos materiais analisados
Universidade
Graduação
PPP
Ementa
Bib.
Universidade Federal do Espírito
Santo
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal de Minas
Gerais
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal Fluminense
Bacharelado em Biblioteconomia e
Documentação
Sim
Não
Não
Universidade Federal de São Carlos
Bacharelado em Biblioteconomia e
Ciência da Informação
Sim
Não
Não
Universidade Federal do Rio de
Janeiro
Bacharelado em Biblioteconomia e
Gestão de Unidades de Informação
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Rio de
Janeiro
Bacharelado em Biblioteconomia e
Gestão de Unidades de Informação
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Estado do
Licenciatura em Biblioteconomia
Sim
Sim
Não
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Rio de Janeiro
Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Não
Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Não
Universidade Federal de Santa
Catarina
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Rio Grande
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Rio Grande
do Sul
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Fundação Universidade Federal de
Rondônia
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Amazonas
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Não
Não
Universidade Federal do Pará
Bacharelado em Biblioteconomia
Não
Não
Não
Universidade de Brasília
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal de Goiás
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Não
Não
Universidade Federal de
Rondonópolis
Bacharelado em Biblioteconomia e
Ciência da Informação
Não
Não
Não
Universidade Federal de Alagoas
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal da Paraíba
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Não
Não
Universidade Federal de Sergipe
Bacharelado em Biblioteconomia e
Documentação
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal de
Pernambuco
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Maranhão
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Não
Não
Universidade Federal do Ceará
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal da Bahia
Bacharelado em Biblioteconomia e
Documentação
Sim
Não
Não
Universidade Federal do Rio Grande
do Norte
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
Universidade Federal do Cariri
Bacharelado em Biblioteconomia
Sim
Sim
Sim
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Fonte: Elaboração própria (2025).
A partir desse cenário, a Figura 2 sintetiza, de forma visual, o mapeamento realizado.
Figura 2: Disponibilidade dos projetos políticos pedagógicos, ementas e bibliografias
Fonte: Elaboração própria (2025)
Após o levantamento procedeu-se à leitura e análise do material coletado, com vistas a
identificação das disciplinas com alguma abordagem em torno da IA. Nesse conjunto foram
identificadas 65 disciplinas, sendo que 29 obrigatórias e 36 optativas, Para o prosseguimento da
análise optou-se por separar as disciplinas em eixos temáticos, conforme apresentados abaixo:
Quadro 2: Distribuição das disciplinas por eixos temáticos
Eixo temático
Disciplinas
Tecnologias da Informação
14
Informática
12
Programação
9
Arquitetura da Informação
8
Ciência de Dados
4
Bases de Dados
4
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Redes e Sistemas de Informação
4
Bibliotecas Digitais e Repositórios
3
Informatização de Unidades de Informação
3
Análise de Softwares
2
Análise e Modelagem de Processos
1
Automação
1
Fonte: Elaboração própria (2025).
A análise das respectivas ementas e das bibliografias, aponta que apenas quatro incorporam,
de alguma maneira, o debate sobre a IA na formação das pessoas bibliotecárias, o que representa 6,2%
do total do material analisado.
Figura 3: Distribuição das ementas analisadas
Fonte: Elaboração própria (2025).
Duas das disciplinas são oferecidas pela UNB, uma pela UFMG e uma pela UFCA. Destas, três
são optativas e uma obrigatória. A análise do material também aponta que não há indícios de
abordagens que tematizem os efeitos do uso expandido da IA, em particular os aspectos relacionados
aos impactos socioambientais.
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A baixa presença do tema no material analisado, bem como a ausência de indícios de
abordagens preocupados com as múltiplas consequências da incorporação de uma nova tecnologia no
cotidiano dos fazeres biblioteconômicos aponta para um dos desafios da formação em
Biblioteconomia na contemporaneidade: inserir nos currículos as reflexões teórico-práticas sobre as
intensas transformações sócio-técnicas, a partir de abordagens que considerem não apenas o caráter
inovador das mesmas, mas principalmente os efeitos da adoção destas tecnologias para as populações
e comunidades atendidas pelas pessoas bibliotecárias
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entende-se que a presente pesquisa trará contribuições aos debates em torno das demandas
de inserção de conteúdos emergentes, no caso estudado a utilização da IA, na formação da pessoa
bibliotecária. A pesquisa aqui apresentada enfatiza a relevância das reflexões sobre os impactos
socioambientais na atuação da pessoa bibliotecária.
As considerações finais desta pesquisa apontam para a urgência de colocar as questões
socioambientais no centro dos debates políticos, sociais e educacionais, especialmente em contextos
formativos como o da Biblioteconomia. Assim, a crescente complexidade dos desafios ambientais
contemporâneos exige profissionais capazes de compreender a relação intrínseca entre informação,
sociedade e meio ambiente, bem como de atuar criticamente diante das transformações tecnológicas
em curso. Nesse sentido, a inteligência artificial pode ser compreendida não apenas como uma
ferramenta técnica, mas como uma aliada estratégica na disseminação de informações que promovam
a conscientização ambiental, desde que utilizada de forma ética, crítica e orientada pelo compromisso
com a justiça social, com a justiça informacional e com a justiça climática.
Ressalta-se a importância da atuação dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDEs)⁵ e do
acompanhamento da produção técnico-científica do campo, com vistas a cuidar da atualização da
formação, considerando-se os desafios contemporâneos. Ao integrar conteúdos socioambientais nos
currículos de Biblioteconomia, as instituições de ensino superior contribuem para uma formação mais
ampla e sensível às demandas atuais, permitindo que as pessoas bibliotecárias assumam um papel
ativo na promoção de práticas informacionais que consideram, de forma justa, equânime e solidária,
as relações estabelecidas com todos os seres que habitam o planeta, humanos e não humanos. As
unidades de informação, por sua vez, tornam-se espaços potentes para a mediação de saberes
voltados às questões urgentes do meio ambiente, à educação em informação socioambiental e ao
fortalecimento de comunidades mais conscientes e resilientes. Assim, a articulação entre inteligência
artificial, ética e educação em informação socioambiental revela-se como um caminho promissor para
a atuação bibliotecária diante dos desafios do século XXI.
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7 NOTAS
1 Apesar desse destaque por ocasião da Rio-92, é possível encontrar alguns trabalhos pautando a
Informação ambiental e a questão ambiental, como por exemplo: Caribé (1988), Vieira (1981) e Vieira
(1986).
² De acordo com o glossário do IPCC pontos de inflexão são “a critical threshold beyond which a system
reorganises, often abruptly and/or irreversibly".
³ Em 1972, em Estocolmo, realizou-se a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
Humano, sendo a primeira conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir as
questões ambientais em escala global. “Diante da pressão da sociedade empenhada em melhorar as
questões ambientais, a ONU, em 1972, realizou a Conferência de Estocolmo, na qual iniciou um
grande debate sobre a racionalização e o uso consciente do meio ambiente, fazendo com o que tema
entrasse também para a agenda internacional” (Nara & Conduru, 2012, p.4).
Olhares para as crises contemporâneas têm sido desenvolvidos por diversos autores, afirmando que
estas não são isoladas (Lowy, 2013), de tal modo que alguns autores falam em uma policrise (Brand
& Wissen, 2021; Fernandes, 2024).
O Núcleo Docente Estruturante (NDE) de um curso de graduação constitui-se de grupo de docentes,
com atribuições acadêmicas de acompanhamento, atuante no processo de concepção, consolidação
contínua atualização do projeto pedagógico do curso. (Resolução 01 de 17 de junho de 2010.
Normatiza o Núcleo Docente Estruturante e dá outras providências).