Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6029, p.1-16, 2025. ISSN: 2236-5753
Este documento tiene licencia bajo la Creative Commons Attribution 4.0 International.
Perspectivas contemporâneas da atuação do bibliotecário na gestão de
pessoas: uma análise na literatura com ênfase nas práticas profissionais
Luciano Cavalcante, Universidade Federal do Ceará (UFC), Brasil, https://orcid.org/0009-
0006-8557-3458
Maria Áurea Montenegro Albuquerque Guerra, Universidade Federal do Ceará (UFC),
Brasil, https://orcid.org/0000-0003-2510-911X
Jade Gomes de Sousa Ferreira, Universidade Federal do Ceará (UFC), Brasil,
https://orcid.org/0000-0002-7125-6623
DOI: https://doi.org/10.62758/re.309
RESUMO
O artigo estuda o papel contemporâneo do bibliotecário na gestão de pessoas, destacando a
necessidade de novas competências profissionais diante das transformações tecnológicas,
organizacionais e sociais. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica recente (20192024), com foco
nas bibliotecas universitárias, e analisa 13 artigos selecionados de bases reconhecidas como Scielo e
Brapci. A pesquisa é de caráter exploratório e bibliográfico. Foram identificados 138 artigos com
palavras-chave como “bibliotecário gestor de pessoas” e “liderança em bibliotecas”. Após triagem, 13
artigos foram selecionados, compondo o corpus analítico. O foco foi compreender como a literatura
recente vem abordando as práticas e os desafios da gestão de pessoas nas unidades de informação. O
estudo conclui que a gestão de pessoas passou de uma função complementar para uma competência
central do bibliotecário. O profissional da informação deve ser estrategista, líder humanizado e
articulador de saberes. Isso exige uma formação sólida, atualização constante e uma postura ética e
colaborativa frente aos desafios organizacionais.
Palavras-Chave: Pespectivas Contemporâneas; Atuação do Bibliotecário; Práticas Profissionais; Gestão
de Pessoas.
Perspectivas contemporáneas sobre el papel del bibliotecario en la gestión de recursos
humanos: una revisión de la literatura con énfasis en las prácticas profesionales.
RESUMEN
Este artículo estudia el rol contemporáneo de los bibliotecarios en la gestión de recursos humanos,
destacando la necesidad de nuevas competencias profesionales ante las transformaciones
tecnológicas, organizacionales y sociales. La investigación se basa en una revisión bibliográfica reciente
(2019-2024), centrada en bibliotecas universitarias, y analiza 13 artículos seleccionados de bases de
datos reconocidas como SciELO y BRACCI. La investigación es exploratoria y bibliográfica. Se
identificaron 138 artículos utilizando palabras clave como "bibliotecario como gestor de recursos
humanos" y "liderazgo en bibliotecas". Tras la selección, se seleccionaron 13 artículos que conforman
el corpus analítico. El enfoque se centró en comprender cómo la literatura reciente ha abordado las
prácticas y los desafíos de la gestión de recursos humanos en las unidades de información. El estudio
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concluye que la gestión de recursos humanos ha pasado de ser una función complementaria a una
competencia esencial de los bibliotecarios. Los profesionales de la información deben ser líderes
estratégicos, humanizados y articuladores del conocimiento. Esto requiere una sólida formación,
actualización constante y una postura ética y colaborativa ante los desafíos organizacionales.
Palabras-Clave: Perspectivas Contemporáneas; Papel del Bibliotecario; Prácticas Profesionales;
Gestión de Recursos Humanos.
Contemporary perspectives on the librarian's role in human resource management: a
literature review with an emphasis on professional practices.
ABSTRACT
This article studies the contemporary role of librarians in human resource management, highlighting
the need for new professional skills in the face of technological, organizational, and social
transformations. The research is based on a recent literature review (20192024), focusing on
university libraries, and analyzes 13 articles selected from recognized databases such as SciELO and
BRACCI. The research is exploratory and bibliographic in nature. 138 articles were identified using
keywords such as "librarian as human resource manager" and "leadership in libraries." After screening,
13 articles were selected, comprising the analytical corpus. The focus was on understanding how
recent literature has addressed the practices and challenges of human resource management in
information units. The study concludes that human resource management has moved from a
complementary function to a core competency of librarians. Information professionals must be
strategic, humanized leaders, and articulators of knowledge. This requires solid training, constant
updating, and an ethical and collaborative stance in the face of organizational challenges.
Keywords: Contemporary Perspectives; Role of the Librarian; Professional Practices; Human Resource
Management.
1 INTRODUÇÃO
Diante da globalização e da chamada era do conhecimento, nada mais natural que o mercado
atual possuir uma gama de profissionais que lidem com a gestão da informação, sobretudo, da
organização do conhecimento em uma sociedade cada vez mais integrada na busca pela informação.
Nesse sentido, vem o bibliotecário como parte desse processo, pois ele constitui um profissional que
vem aliar um arcabouço de competências voltadas ao gerenciamento de recursos informacionais para
lidar com o contexto voltado para a organização e sistematização da informação e o conhecimento em
prol da sociedade. Desse modo, as pessoas apresentam um papel importante nesse processo, onde o
bibliotecário passa a trabalhar com equipes com o intuito de padronizar os procedimentos dentro das
unidades de informação em consonância com o perfil de usuários. Desse modo, vem o bibliotecário
que deve estar preparado para enfrentar dilemas e desafios que o cenário atual exige, onde a Gestão
de Pessoas, no recinto das unidades de informação, vem favorecer um diferencial diante do mercado
de trabalho e das organizações.
Diante disso, a justificativa da pesquisa se direciona na importância da Gestão de Pessoas e
suas perspectivas contemporâneas da atuação do bibliotecário de forma a evidenciar as práticas e
ações que otimizam o processo e os fluxos no recinto das unidades de informação em conjunto com
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as pessoas. Frente a esse cenário, acarreta consigo a necessidade de aperfeiçoamento maior do
bibliotecário em processos e técnicas com enfoque na necessidade de liderança voltadas para o
usuário, no âmbito científico e tecnológico.
No entanto, os gestores têm que lidar com muitas variáveis que podem impactar no cotidiano
do trabalho e muitas vezes esses fatores podem influenciar na consecução das atividades dentro de
uma unidade de informação (Chiavenato, 2010). Partindo dessa premissa, de modo a debruçar com
questões inerentes à atuação do bibliotecário na Gestão de Pessoas frente à esses dilemas, o trabalho
vem com a seguinte problemática: Quais são as perspectivas profissionais do bibliotecário atual como
gestor de pessoas em unidades de informação observada na literatura?
Assim, o trabalho tem como objetivo analisar na literatura a concepção do bibliotecário
contemporâneo na Gestão de Pessoas de forma que possibilite o alcance da efetividade organizacional
nas unidades de informação.
2 PROPOSIÇÕES PARA O BIBLIOTECÁRIO CONTEMPORÂNEO
O cenário atual, marcado pela informatização crescente e pela sobrecarga informacional, exige
do bibliotecário contemporâneo um novo posicionamento profissional, pautado no fortalecimento de
suas habilidades e competências. A informatização dos processos em unidades de informação não
apenas modificou as formas de acesso e uso da informação, como também demandou um bibliotecário
mais empoderado e preparado para atuar estrategicamente na gestão e mediação informacional.
Nesse contexto, autores como Araújo e Garcia (2009), Rungo, Valentim e Damian (2025), Carvalho
(2002), Belluzzo (2016), Gil (2011) e Maximiano (2008) contribuem com reflexões fundamentais sobre
esse novo perfil profissional.
Com base nesses autores, entende-se que o bibliotecário não é mais visto apenas como o
guardião de acervos ou executor de tarefas técnicas. Seu papel se expande para o de um agente ativo
na construção do conhecimento, que atua diretamente na organização, recuperação, disseminação e
avaliação da informação. Esse profissional torna-se essencial na identificação de demandas
informacionais e na proposição de soluções que otimizem os recursos das unidades de informação,
promovendo maior eficiência e eficácia nos processos.
Araújo e Garcia (2009) destacam a importância do bibliotecário como um facilitador da
informação, alguém que, munido de competências técnicas e cognitivas, consegue aplicar
metodologias informacionais que impactam diretamente na tomada de decisão organizacional. Da
mesma forma, Belluzzo (2016) ressalta a necessidade de capacitação contínua, uma vez que o
bibliotecário precisa estar em sintonia com as transformações tecnológicas e as exigências do mercado
informacional.
Rungo, Valentim e Damian (2025) argumentam que a atuação do bibliotecário é cada vez mais
interdisciplinar, exigindo flexibilidade, dinamismo e visão estratégica para interagir com diferentes
áreas do conhecimento. Carvalho (2002) aponta que o ciclo da informação que inclui registro,
organização, disseminação e avaliação é agora responsabilidade direta desse profissional, que
contribui ativamente para o desempenho das organizações.
Maximiano (2008) complementa ao afirmar que a atuação do bibliotecário também se
relaciona com a gestão administrativa, oferecendo suporte na resolução de problemas e no
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alinhamento das práticas informacionais às estratégias organizacionais. Gil (2011) reforça que esse
profissional precisa desenvolver competências que o tornem capaz de transformar dados e
informações em conhecimento útil e aplicável.
Dessa forma, as proposições para o bibliotecário contemporâneo envolvem não apenas sua
adaptação às mudanças tecnológicas, mas, sobretudo, seu protagonismo como mediador do
conhecimento. Com o domínio de técnicas e ferramentas adequadas, ele contribui significativamente
para a qualidade dos serviços prestados pelas unidades de informação, impactando na construção de
uma sociedade mais informada, crítica e participativa. Assim, o bibliotecário do presente e do futuro
deve ser estratégico, proativo e preparado para atuar de forma multifacetada, assumindo funções que
ultrapassam as fronteiras tradicionais da Biblioteconomia.
Dando continuidade às proposições para o bibliotecário contemporâneo, é fundamental
compreender que a atuação desse profissional está diretamente conectada à eficiência dos fluxos
informacionais e à capacidade de transformar dados em conhecimento relevante para os usuários e
para a organização. O bibliotecário, nesse novo contexto, assume um papel decisivo na mediação da
informação, integrando diferentes áreas do saber, alinhando-se às políticas institucionais e
contribuindo com os processos de inovação.
Belluzzo (2016) destaca que o bibliotecário deve ser capaz de interpretar o ambiente
informacional de forma crítica e estratégica, adotando uma postura ativa frente às mudanças que
ocorrem tanto nas tecnologias quanto nos perfis dos usuários. Essa postura demanda, além do
domínio técnico, competências gerenciais, visão sistêmica e sensibilidade para lidar com questões
éticas, sociais e culturais da informação.
Nesse sentido, o bibliotecário contemporâneo passa a atuar como gestor do conhecimento
dentro das organizações, sendo capaz de identificar, mapear e organizar o conhecimento tácito e
explícito, transformando-o em um recurso estratégico. A valorização da informação como ativo
organizacional demanda que o bibliotecário desenvolva competências em gestão de pessoas,
planejamento, liderança e trabalho colaborativo, como apontam Maximiano (2008) e Gil (2011).
Outra dimensão importante envolve a capacidade do bibliotecário de utilizar tecnologias de
forma crítica e eficaz. Não se trata apenas de conhecer ferramentas digitais, mas de saber aplicá-las
estrategicamente em benefício dos objetivos da unidade de informação e das necessidades dos
usuários. Isso implica atuar em ambientes virtuais, desenvolver ações de curadoria digital, utilizar
softwares de gestão do conhecimento e adotar métricas de avaliação para tomada de decisão baseada
em evidências.
Rungo, Valentim e Damian (2025) chamam atenção para o fato de que a atuação do
bibliotecário está cada vez mais voltada à inovação e ao empreendedorismo informacional. Isso
significa que o profissional precisa identificar oportunidades, propor soluções inovadoras e antecipar
tendências, posicionando-se como um agente transformador nas instituições em que atua. Essa
abordagem inovadora exige abertura ao novo, espírito crítico, e sobretudo, uma formação sólida e
contínua, que acompanhe as transformações da sociedade da informação.
Além disso, o bibliotecário contemporâneo também se insere em uma lógica de atuação que
ultrapassa os limites das bibliotecas tradicionais. Conforme Rungo, Valentim e Damian (2025), esse
profissional pode atuar em espaços como empresas privadas, centros de pesquisa, consultorias,
ambientes virtuais de aprendizagem, editoras, startups de tecnologia e redes interorganizacionais. Isso
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amplia significativamente o seu campo de atuação e reforça a necessidade de uma formação
multidisciplinar, flexível e voltada para os desafios do século XXI.
Portanto, as proposições que envolvem o perfil do bibliotecário contemporâneo apontam para
um profissional mais estratégico, inovador e comprometido com a transformação social por meio do
acesso e uso qualificado da informação. Sua atuação ultrapassa o campo técnico, exigindo habilidades
em gestão, tecnologia, mediação e educação, consolidando sua relevância na estrutura das
organizações e na sociedade como um todo. O bibliotecário do presente e do futuro deve estar
preparado para atuar como protagonista em ambientes informacionais dinâmicos, sendo reconhecido
não apenas por sua competência técnica, mas por sua capacidade de promover conhecimento,
cidadania e desenvolvimento social.
3 O MERCADO DE TRABALHO ATUAL PARA O BIBLIOTECÁRIO NO CONTEXTO DA GESTÃO
DE PESSOAS
O cenário contemporâneo do mercado de trabalho tem exigido do bibliotecário um novo perfil
profissional, que além das competências técnicas tradicionalmente associadas à Biblioteconomia.
Com o avanço das tecnologias da informação, a complexidade das demandas organizacionais e a
ampliação do papel social das bibliotecas, especialmente as universitárias, torna-se imprescindível ao
bibliotecário desenvolver habilidades de liderança, comunicação, relacionamento interpessoal e
gestão de equipes. Nesse contexto, a gestão de pessoas desponta como uma das áreas estratégicas
para sua atuação, conferindo-lhe maior protagonismo e relevância institucional.
Santos, Pereira e Damian (2018) destacam que o bibliotecário contemporâneo precisa se
posicionar como um profissional multidisciplinar, atuando em diferentes frentes organizacionais e
contribuindo de forma significativa para a construção de ambientes colaborativos e inovadores. Essa
perspectiva amplia o campo de atuação e reforça a importância de competências voltadas à gestão,
entre elas a capacidade de liderar equipes, administrar conflitos e promover a motivação dos
colaboradores.
Ainda nesse sentido, Santos e Valentim (2020) afirmam que o bibliotecário, quando atuante
em unidades de informação, passa a exercer também funções de liderança, que exigem sensibilidade
para lidar com pessoas, promover a escuta ativa, reconhecer talentos e criar ambientes de trabalho
inclusivos e participativos. Essa atuação é possível mediante uma postura proativa e um contínuo
processo de formação e atualização, aspectos que o bibliotecário precisa considerar como parte
indissociável de sua prática profissional.
Chiavenato (2010), um dos principais teóricos da área de administração e gestão de pessoas,
contribui com o entendimento de que gerir pessoas significa promover o desenvolvimento humano
dentro das organizações, criando vínculos de confiança, cooperação e engajamento. Para ele, o gestor
de pessoas não apenas administra tarefas, mas, sobretudo, conduz processos humanos que
influenciam diretamente no desempenho organizacional. Aplicando esse raciocínio ao contexto das
bibliotecas universitárias, o bibliotecário deve compreender que gerir uma equipe demanda não só o
domínio técnico, mas também a habilidade de mediar relações e liderar processos com visão
estratégica.
Marras (2010) complementa essa perspectiva ao apontar que a gestão de pessoas
contemporânea requer que o gestor seja um articulador de mudanças e um facilitador de ambientes
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de aprendizado. Isso implica dizer que o bibliotecário precisa estar atento às tendências do mercado,
às transformações tecnológicas e às novas formas de organização do trabalho, buscando sempre
alinhar os objetivos institucionais às necessidades e potencialidades da equipe que gerencia.
Robbins (2008), por sua vez, reforça a ideia de que o comportamento organizacional está
diretamente relacionado ao desempenho das equipes e à eficácia da liderança. Para ele, aspectos
como cultura organizacional, motivação, estilos de liderança e processos de comunicação influenciam
diretamente nos resultados das organizações. Assim, o bibliotecário, ao compreender essas dinâmicas,
pode adotar práticas de gestão mais humanizadas, contribuindo para ambientes mais produtivos e
saudáveis.
Belluzzo (2016), uma referência na área da Ciência da Informação, enfatiza a necessidade do
bibliotecário desenvolver uma postura crítica e estratégica frente ao mercado, apropriando-se de
competências que o posicionem como um gestor da informação e das pessoas. Para a autora, esse
profissional deve ser capaz de gerir projetos, equipes e serviços informacionais com base em princípios
de inovação, colaboração e responsabilidade social, rompendo com estereótipos e consolidando uma
imagem de liderança e competência.
Nesse processo de transformação do perfil profissional, a interdisciplinaridade se torna um
elemento-chave. Spudeit (2017) ressalta que a atuação do bibliotecário em ambientes organizacionais
diversos exige um olhar plural e integrador, capaz de dialogar com áreas como administração,
psicologia, comunicação e tecnologia. Essa abordagem amplia as possibilidades de inserção no
mercado e reforça a importância de o bibliotecário se reconhecer como um profissional estratégico,
apto a liderar e gerir com excelência.
Dessa forma, o mercado de trabalho atual para o bibliotecário, no que tange à gestão de
pessoas, exige um reposicionamento de sua prática profissional, no qual as competências
interpessoais, a liderança e a visão sistêmica tornam-se elementos estruturantes. O bibliotecário deixa
de ser apenas um técnico da informação para assumir o papel de gestor, mediador e agente de
transformação nos espaços em que atua, contribuindo diretamente para o desenvolvimento
institucional e humano das bibliotecas e demais organizações da sociedade da informação.
Essa transição de um perfil técnico para um perfil mais gerencial e estratégico implica um
processo contínuo de formação e aperfeiçoamento. A busca por capacitação em áreas como gestão
de pessoas, liderança, comunicação organizacional, inteligência emocional e planejamento estratégico
se torna imprescindível. O bibliotecário deve estar preparado para lidar com equipes diversas,
administrar conflitos, promover a motivação e o bem-estar no ambiente de trabalho, além de liderar
processos de inovação e mudança.
Nesse sentido, o papel das instituições formadoras é crucial. Os cursos de Biblioteconomia
devem considerar essas demandas do mercado e ampliar sua grade curricular, incorporando
disciplinas que contemplem conteúdos sobre gestão de pessoas, liderança e comportamento
organizacional, alinhando-se às exigências do campo profissional contemporâneo. Conforme
reforçado por Santos e Valentim (2020), a formação do bibliotecário precisa contemplar tanto o
domínio técnico-informacional quanto o desenvolvimento de competências humanas e gerenciais, de
modo a prepará-lo para assumir funções de liderança com segurança e competência.
Além da formação acadêmica, é necessário que o bibliotecário desenvolva um olhar atento
para as tendências do mercado e mantenha-se atualizado por meio da educação continuada, como
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cursos de curta duração, especializações e treinamentos corporativos. Essa postura proativa favorece
não o crescimento profissional individual, mas também fortalece as equipes sob sua liderança,
refletindo positivamente na qualidade dos serviços prestados pela biblioteca ou unidade de
informação.
Importante destacar que a liderança no contexto da gestão de pessoas nas bibliotecas não se
restringe ao exercício de cargos de chefia. Envolve, sobretudo, uma postura de influência positiva, de
escuta ativa e de estímulo ao crescimento coletivo. O bibliotecário-líder é aquele que inspira, que
conduz a equipe com empatia e ética, que sabe delegar e confiar, que valoriza as diferenças e que
busca construir ambientes colaborativos, onde todos se sintam parte de um propósito maior.
Outro aspecto relevante nesse debate é a valorização do capital humano como principal ativo
das organizações. Chiavenato (2010) já alertava para a importância de enxergar as pessoas não como
meros recursos, mas como seres humanos dotados de conhecimentos, habilidades, sentimentos,
experiências e aspirações. Essa visão humanizada deve guiar a atuação do bibliotecário-gestor, que
precisa reconhecer o potencial de sua equipe e criar condições para que todos possam se desenvolver
profissionalmente, contribuindo com inovação, criatividade e engajamento.
Dessa forma, é possível afirmar que o mercado de trabalho atual demanda do bibliotecário
muito mais do que domínio técnico: exige visão estratégica, habilidades interpessoais, capacidade de
liderança e sensibilidade para lidar com os desafios humanos das organizações. A gestão de pessoas,
nesse contexto, deixa de ser uma atividade complementar para se tornar uma competência central e
indispensável à atuação profissional no século XXI. Ao investir no aprimoramento dessas habilidades,
o bibliotecário amplia seu campo de atuação e fortalece sua presença como agente de transformação
nos diferentes espaços informacionais.
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória com base em uma análise da literatura,
cujo objetivo principal foi compreender e refletir sobre as perspectivas contemporâneas da atuação
do bibliotecário como gestor de pessoas e der organizacional. Conforme Gil (2010), a pesquisa
exploratória permite ao pesquisador aprofundar-se nos conceitos, teorias e abordagens do tema em
questão, estabelecendo conexões diretas com o problema de pesquisa. Essa metodologia foi aliada à
pesquisa bibliográfica, conforme compreendida por Minayo (2011), ao ir além da mera exposição de
conceitos, permitindo um diálogo crítico com os dados e ampliando o entendimento sobre o objeto
de estudo.
Para a coleta do material, foram utilizadas como fontes as bases de dados Scielo (Scientific
Electronic Library Online) e Brapci (Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da
Informação), reconhecidas por sua relevância nas áreas da Biblioteconomia e Ciência da Informação.
O recorte temporal estabelecido compreendeu o período de 2019 a 2024, com o intuito de identificar
as publicações mais recentes e alinhadas às transformações do mercado de trabalho e às exigências
contemporâneas da atuação bibliotecária no contexto da gestão de pessoas.
Inicialmente, foram localizados 138 artigos por meio da aplicação de palavras-chave como
“bibliotecário gestor de pessoas”, “liderança em unidades de informação”, “competências gerenciais
do bibliotecário”, “gestão de pessoas em bibliotecas” e “perfil profissional do bibliotecário”. A
filtragem dos resultados se deu a partir da leitura dos títulos, resumos e palavras-chave, com o objetivo
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de verificar a aderência dos textos ao tema central da pesquisa. Como critério de inclusão, foram
considerados apenas os artigos que abordavam diretamente a atuação do bibliotecário sob a ótica da
gestão de pessoas, liderança, competências interpessoais e práticas gerenciais no contexto das
unidades de informação.
Foram excluídos da amostra artigos que tratavam do tema de forma tangencial, sem
desenvolver reflexões ou dados empíricos consistentes sobre o papel do bibliotecário como gestor.
Após esse processo de triagem, 13 artigos foram selecionados para análise detalhada. Esses textos
foram lidos na íntegra, permitindo identificar tendências, lacunas e contribuições sobre o papel
gerencial do bibliotecário, bem como mapear as competências mais demandadas nesse campo e os
desafios enfrentados por esses profissionais em suas funções de liderança, conforme o quadro a
seguir.
Quadro 1: Artigos selecionados para análise
Título do Trabalho/ Ano
Descrição
O bibliotecário universitário como gestor de
pessoas (2020)
Investiga o perfil do bibliotecário universitário como gestor
de pessoas em uma instituição privada de ensino superior em
Santa Catarina, analisando a formação, competências e
percepções sobre liderança. A pesquisa propõe a inclusão de
disciplinas de gestão nos cursos de biblioteconomia.
Articulação entre a competência em
informação, a gestão de pessoas e a
aprendizagem organizacional significativa:
uma reflexão sobre novas condutas
aplicáveis às bibliotecas públicas (2020)
Analisa como a competência em informação, a gestão de
pessoas e a aprendizagem organizacional se inter-relacionam
para fortalecer a atuação dos bibliotecários em bibliotecas
públicas. Destaca-se seu papel na promoção do acesso crítico
à informação e na formação cidadã dos usuários.
Perfil do bibliotecário: competência em
comunicação e liderança para a
desconstrução de estereótipos (2019)
Discute a importância das competências em comunicação e
liderança na atuação do bibliotecário, destacando seu
impacto na valorização profissional e na desconstrução de
estereótipos. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica
nas áreas de Biblioteconomia, Comunicação e Liderança.
Aspectos gerenciais de bibliotecários com
foco na liderança em unidades de
informação (2020)
Analisa as competências e atributos gerenciais necessários ao
bibliotecário-gestor, com foco na liderança em Unidades de
Informação. Através de revisão de literatura, destaca a
importância das habilidades administrativas para a atuação
eficaz na gestão bibliotecária.
Abordagem da sustentabilidade no contexto
da gestão de bibliotecas: revisão da
literatura internacional (2022)
Analisa a aplicação do conceito de sustentabilidade na gestão
de bibliotecas, a partir de uma revisão da literatura científica.
Identifica quatro temas centrais: construção verde, TICs,
modelos de avaliação e práticas sustentáveis.
Liderança feminina na gestão de bibliotecas
Investiga a percepção de mulheres líderes sobre a liderança
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universitárias de Santa Catarina (2022)
na gestão de bibliotecas universitárias públicas, destacando
competências essenciais, desafios enfrentados e
aprendizados adquiridos. A pesquisa adota abordagem
qualitativa com entrevistas e análise temática.
Periódico científico BiblioCanto: uma
experiência de gestão editorial nas áreas de
Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia
e Ciência da Informação (2021)
O artigo apresenta um relato de experiência sobre a gestão
editorial da revista BiblioCanto, destacando o protagonismo
do bibliotecário como gestor de pessoas na função de editor
científico e o crescimento do periódico como um nicho
promissor na área da Ciência da Informação.
Dimensionamento de recursos humanos em
bibliotecas universitárias: um modelo
aplicado à Universidade de São Paulo (2023)
Relata o processo de diagnóstico e tentativa de solução para
o dimensionamento adequado de recursos humanos nas
bibliotecas do SIBi/USP, destacando ações institucionais, a
criação da Meta_5 e a consultoria técnica do Prof. Robert M.
Hayes.
Gestão de pessoas no contexto da
Biblioteconomia/Ciência da Informação:
revisão narrativa de literatura nos anais do
CBBD e do SNBU (2020)
O artigo analisa a produção científica sobre gestão de
pessoas em bibliotecas, com foco em temas como
capacitação, motivação, liderança e trabalho em equipe, a
partir de publicações nos principais eventos da área entre
2012 e 2015. Destaca a importância do fator humano nas
relações organizacionais.
Conexões da gestão de pessoas e o
bibliotecário: aspectos práticos (2022)
O artigo aborda a relação entre a gestão de pessoas e a
atuação do bibliotecário, destacando aspectos práticos do
cotidiano profissional, como liderança, comunicação e
desenvolvimento de equipes em unidades de informação.
Relato de experiência do estágio à docência
da disciplina de gestão de recursos
humanos em unidades de informação
(2024)
O artigo apresenta um relato de experiência sobre o estágio à
docência na disciplina de Gestão de Recursos Humanos em
Unidades de Informação, abordando práticas pedagógicas,
desafios e aprendizados no processo de formação docente.
Gestão de pessoas em bibliotecas
universitárias: capacitação de equipes
frente às Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs) (2022)
O artigo propõe alternativas para capacitação de equipes em
bibliotecas universitárias, integrando técnicas de
biblioteconomia e administração, com foco na gestão de
pessoas e no uso de novas tecnologias. Visa formar equipes
de alto desempenho no ambiente informacional.
Gestão de Pessoas em Bibliotecas
Universitárias uma proposta de atuação
(2021)
O artigo propõe uma abordagem estratégica para a gestão de
pessoas em bibliotecas universitárias, com foco em liderança,
capacitação, feedback, resolução de conflitos e
transparência. Apresenta uma proposta prática para apoiar
bibliotecários gestores na administração de equipes.
Fonte: Elaboração própria (2025).
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A análise buscou, portanto, sistematizar os achados da literatura recente e oferecer uma visão
crítica e aprofundada sobre as exigências e oportunidades para o bibliotecário no exercício da gestão
de pessoas nas organizações informacionais.
5 RESULTADOS FINAIS
Nesse sentido, a perspectiva contemporânea do bibliotecário como gestor de pessoas deve
conter em sua essência o perfil adequado à dinamicidade informacional característico de sua atuação
profissional, levando em consideração à importância de ser capaz de realizar diagnósticos da
organização onde ele trabalha e promover atitudes interventivas que reflitam na efetividade dos
processos das unidades de informação. Dessa forma, diante da análise na literatura as perspectivas
contemporâneas do bibliotecário na gestão de pessoas se concentraram em quatro eixos temáticos,
tais como: (1) Liderança e competências gerenciais; (2) Formação e capacitação profissional; (3)
Integração entre gestão de pessoas e tecnologias; (4) Valorização do papel social e comunicacional do
bibliotecário (Figura 1).
Figura 1: Eixo temático na perspectiva contemporânea da atuação do bibliotecário na gestão de
pessoas
Fonte: Elaboração própria (2025).
Dessa maneira, com a ilustração dos eixos relativos à atuação do bibliotecário como gestor de
pessoas, foi observado que com o estudo, a temática tem adquirido contornos cada vez mais
complexos e estratégicos no contexto contemporâneo, especialmente diante das transformações no
ambiente informacional e das exigências do mercado de trabalho. Com base nos eixos apresentados
na figura liderança e competências gerenciais; integração entre gestão de pessoas e tecnologias;
formação e capacitação profissional; valorização do papel social e comunicacional do bibliotecário
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é possível traçar uma análise crítica que dialoga com os autores investigados na revisão de literatura e
evidencia as principais tendências e desafios dessa atuação.
O primeiro eixo, “Liderança e Competências Gerenciais”, destaca a importância da atuação
proativa do bibliotecário frente à gestão de equipes, exigindo habilidades como liderança situacional,
mediação de conflitos e capacidade de motivar os colaboradores. Chiavenato (2010) e Marras (2010)
reforçam a ideia de que a gestão de pessoas não se resume a processos administrativos, mas envolve
relações humanas baseadas na confiança, comunicação clara e empatia. No contexto das bibliotecas
universitárias, Santos e Valentim (2020) ressaltam que o bibliotecário tem sido desafiado a
desenvolver competências de liderança para lidar com equipes multidisciplinares, sendo necessário
dominar aspectos como escuta ativa, negociação e engajamento institucional. Essa perspectiva é
corroborada por Barros e Prates (2020), que defendem o modelo de liderança participativa como
forma de consolidar um ambiente de trabalho saudável e colaborativo.
o eixo “Integração entre Gestão de Pessoas e Tecnologias evidencia que o uso das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) deve estar intrinsecamente conectado à atuação
gerencial do bibliotecário. O cenário de transformação digital exige do profissional não apenas domínio
técnico, mas também uma liderança consciente e sensível aos impactos das tecnologias no cotidiano
dos colaboradores. Pereira e Silva (2022) apontam que, nas bibliotecas universitárias, o bibliotecário
deve estar preparado para capacitar continuamente sua equipe no uso de ferramentas tecnológicas,
promovendo inovação e inclusão digital. Essa integração, segundo Spudeit (2017), é fundamental para
que a biblioteca atue como um espaço inteligente de aprendizagem e colaboração, pautado em
princípios de sustentabilidade e responsabilidade social.
No que diz respeito à “Formação e Capacitação Profissional”, os autores analisados são
unânimes em destacar a lacuna existente na formação acadêmica dos bibliotecários no que tange à
gestão de pessoas. Santos, Pereira e Damian (2018) argumentam que o ensino da Biblioteconomia
ainda mantém uma estrutura curricular excessivamente técnica, com pouco espaço para o
desenvolvimento de competências gerenciais. Belluzzo (2016) complementa essa análise ao defender
a inserção de conteúdos sobre liderança, comunicação, cultura organizacional e comportamento
humano nos cursos de graduação, de forma a preparar o profissional para os desafios do trabalho em
equipe e para a tomada de decisões estratégicas. A capacitação continuada, nesse sentido, também
se torna indispensável para garantir a atualização do bibliotecário frente às novas demandas do
mercado e às constantes mudanças tecnológicas.
Por fim, o eixo “Valorização do Papel Social e Comunicacional do Bibliotecário” chama atenção
para a dimensão humana e simbólica da profissão. Robbins (2008) destaca que a comunicação eficaz
é um dos pilares da gestão de pessoas, sendo essencial para a construção de um ambiente de trabalho
transparente, ético e motivador. No caso do bibliotecário, essa competência comunicacional se
estende para além do espaço interno da equipe, alcançando o relacionamento com a comunidade
acadêmica e os diversos públicos atendidos. Isso reforça a função social da biblioteca como um espaço
de diálogo, inclusão e mediação de saberes. Santos e Valentim (2020) também apontam que o
bibliotecário precisa desenvolver uma postura crítica e propositiva, desconstruindo estereótipos e
assumindo o protagonismo na mediação entre informação, pessoas e tecnologias.
Dessa forma, os quatro eixos se entrelaçam na construção de um novo perfil profissional para
o bibliotecário, pautado na interdisciplinaridade, na liderança colaborativa, na gestão estratégica e no
compromisso ético e social. A literatura revisada oferece importantes subsídios teóricos para
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compreender esse processo e aponta caminhos concretos para fortalecer a formação e atuação do
bibliotecário como gestor de pessoas nas organizações contemporâneas.
Haja visto que foram subdivididos em nove categorias intituladas: Gestão por Competências,
Liderança Transformacional, Gestão Participativa, Bem-estar e Qualidade de Vida no Trabalho,
Inclusão e Diversidade, Mediação de Conflitos, Gestão do Conhecimento, Avaliação de Desempenho e
Feedback contínuo e Uso de Tecnologias na Gestão. Dessa maneira, insta citar as categorizações com
os artigos selecionados para análise.
Figura 2: Categorização da atuação do bibliotecário na gestão de pessoas
Fonte: Elaboração própria (2025).
Com base nos 13 artigos selecionados, foi possível categorizar as perspectivas
contemporâneas da atuação do bibliotecário como gestor de pessoas. A partir dessa categorização, foi
importante para analisar na literatura como o bibliotecário gestor de pessoas está se munindo de
ferramentas necessárias que apresentem um diferencial competitivo do bibliotecário em sua atuação
como líder frente aos outros profissionais no mercado.
A análise das categorias apresentadas na ilustração, revela o amadurecimento da atuação do
bibliotecário como gestor de pessoas no contexto das bibliotecas universitárias, sustentada por uma
diversidade de enfoques teóricos e práticos. Cada eixo aborda dimensões essenciais da gestão
contemporânea e encontra respaldo em estudos recentes que destacam a necessidade de um perfil
profissional mais estratégico, humano e tecnicamente capacitado.
A categoria Gestão por Competências destaca a valorização do conhecimento técnico,
atitudinal e comportamental como base para o desempenho eficaz da função gerencial do
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bibliotecário. A obra O bibliotecário universitário como gestor de pessoas (2020) e o estudo Gestão de
Pessoas em Bibliotecas Universitárias: uma proposta de atuação (2021) defendem que o profissional
precisa desenvolver habilidades como empatia, comunicação interpessoal, planejamento estratégico
e inteligência emocional, além de competências técnicas específicas da área da informação. Essas
competências contribuem para a eficiência na liderança de equipes e na tomada de decisões em
ambientes complexos.
Na segunda categoria, a Gestão Participativa, por sua vez, é apontada como uma abordagem
que favorece o engajamento dos colaboradores, promovendo a escuta ativa e o compartilhamento de
decisões. O artigo Conexões da gestão de pessoas e o bibliotecário: aspectos práticos (2022), como
também no artigo intitulado: Gestão de Pessoas em Bibliotecas Universitárias: uma proposta de
atuação, destacam que o bibliotecário deve se posicionar como um mediador entre os objetivos
institucionais e as necessidades humanas, fomentando práticas horizontais que favoreçam a inovação
e o sentimento de pertencimento no ambiente de trabalho.
Na categoria Liderança Transformacional, as obras analisadas indicam a importância da
inspiração, influência e desenvolvimento do potencial das equipes. O estudo sobre a Liderança
feminina na gestão de bibliotecas universitárias de Santa Catarina (2022) propõe uma visão sensível
às questões de gênero e poder, desafiando a hierarquização tradicional e valorizando o papel da
mulher na liderança bibliotecária. O trabalho sobre perfil do bibliotecário e o artigo intitulado: aspectos
gerenciais em unidades de informação em 2020, convergem para a valorização da liderança
comunicativa, empática e focada na inovação contínua.
A categoria Inclusão e Diversidade aparece como um ponto nevrálgico para a transformação
social no campo da Biblioteconomia. O artigo Perfil do bibliotecário: competência em comunicação e
liderança para a desconstrução de estereótipos (2019), ressalta que a competência comunicacional e
a liderança comprometida com a equidade são fundamentais para desconstruir estereótipos e garantir
ambientes mais inclusivos nas bibliotecas. O bibliotecário, nesse sentido, torna-se um agente
promotor da diversidade, não apenas entre os usuários, mas também na composição e gestão das
equipes.
Na categoria Mediação de Conflitos, os trabalhos intitulados: Gestão de Pessoas em Bibliotecas
Universitárias: uma proposta de atuação (2021) e Liderança feminina na gestão de bibliotecas
universitárias (2022), enfatizam que o bibliotecário precisa estar preparado para lidar com tensões
interpessoais e institucionais, assumindo uma postura diplomática e sensível às diferenças. A liderança
feminina aparece mais uma vez como referência para uma gestão centrada no diálogo e na busca por
soluções coletivas. Essa mediação é facilitada por habilidades de escuta, empatia e argumentação,
fundamentais para a construção de ambientes colaborativos.
A categoria Gestão do Conhecimento surge como uma vertente que ultrapassa a mera
organização de informações, propondo a articulação entre competência informacional, aprendizagem
organizacional e práticas de gestão de pessoas. O artigo intitulado: Articulação entre a competência
em informação, a gestão de pessoas e a aprendizagem organizacional significativa (2020) e Relato de
experiência do estágio à docência da disciplina de gestão de recursos humanos (2024), apontam para
a necessidade de criar ambientes propícios à circulação de saberes, aprendizagem significativa e
inovação constante. As bibliotecas, nesse contexto, devem se tornar comunidades de prática onde o
conhecimento é gerado, compartilhado e aplicado estrategicamente.
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Na categoria Uso de Tecnologias na Gestão evidencia que o domínio de TICs não se limita ao
âmbito técnico, mas deve estar integrado à liderança e à gestão estratégica. Os artigos intitulados:
Gestão de pessoas em bibliotecas universitárias - capacitação de equipes frente às TICs (2022) e
Abordagem da sustentabilidade no contexto da gestão de bibliotecas (2022), ressaltam que o
bibliotecário deve atuar como facilitador do uso inteligente e ético da tecnologia, promovendo tanto
a eficiência operacional quanto à responsabilidade socioambiental. Isso exige não apenas
conhecimento técnico, mas também visão crítica e reflexiva sobre os impactos tecnológicos no
cotidiano da equipe e dos usuários.
A categoria de Bem-estar e Qualidade de Vida no Trabalho aborda o cuidado com as condições
subjetivas e objetivas que impactam a atuação profissional. O artigo intitulado: Gestão de Pessoas no
contexto da Biblioteconomia e Ciência da Informação (2020) reforça que o gestor bibliotecário precisa
estar atento à saúde mental, ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional e à valorização do trabalho
em equipe. Esses aspectos são cruciais para a manutenção de um ambiente organizacional saudável e
produtivo, onde a motivação e o reconhecimento são práticas constantes.
Por fim, a categoria Avaliação de Desempenho e Feedback Contínuo, como destaca os artigos
Gestão de Pessoas em Bibliotecas Universitárias: uma proposta de atuação (2021) e novamente o
artigo: Gestão de pessoas no contexto da Biblioteconomia/Ciência da Informação (2020), deve ser
concebida como um processo dialógico e construtivo. Ao contrário da lógica punitiva ou meramente
burocrática, o feedback contínuo é valorizado como uma ferramenta de crescimento profissional,
aprendizagem organizacional e alinhamento de expectativas entre liderança e equipe.
Em síntese, os estudos analisados apontam para uma visão ampliada e crítica da atuação do
bibliotecário como gestor de pessoas. Trata-se de um profissional que transita entre os domínios da
informação, da tecnologia, da comunicação e das relações humanas, exigindo uma formação
multidimensional e uma postura proativa diante dos desafios contemporâneos das bibliotecas
universitárias.
Partindo dessa perspectiva, foi observado que é essencial que o bibliotecário gestor de pessoas
esteja cada vez mais qualificado, apresentando habilidades que contribuam na tomada de decisão de
maneira estratégica, como também o bom relacionamento interpessoal para gerir ferramentas que
englobam os fluxos organizacionais.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A literatura mostra que a perspectiva contemporânea do bibliotecário na gestão de pessoas,
está galgada na responsabilidade de gerenciar uma unidade de informação e saber dos princípios
tradicionais da administração. Outrossim, motivar seu pessoal para que sintam-se valorizados e com
isso proporcionem bons resultados. Isso faz com que os objetivos sejam mais exequíveis, tendo em
vista que uma equipe bem liderada e orientada para o caminho certo será estimulada a fazer o melhor
pela organização.
Dessa forma, os estudos evidenciam o avanço e a complexificação do papel do bibliotecário
no cenário contemporâneo da gestão de pessoas em bibliotecas universitárias. Os estudos revisados
demonstram uma clara transição de uma atuação predominantemente técnica para uma postura
estratégica, humanizada e alinhada aos desafios sociais, tecnológicos e organizacionais do século XXI.
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O bibliotecário gestor se revela como um articulador de saberes, um mediador de relações e
um promotor de ambientes inclusivos, colaborativos e inovadores. Suas práticas não se limitam à
administração de recursos humanos, mas abrangem o cuidado com o bem-estar da equipe, o incentivo
ao desenvolvimento profissional contínuo, a promoção da diversidade e o uso ético das tecnologias.
Além disso, o fortalecimento da liderança transformacional e da gestão participativa aparece como
caminho promissor para a construção de equipes mais engajadas, autônomas e alinhadas às
finalidades institucionais.
Dessa forma, reafirma-se a necessidade de uma formação ampliada para o bibliotecário, que
inclua competências socioemocionais, comunicacionais, tecnológicas e gerenciais. Tais elementos são
imprescindíveis para que o profissional atue com eficácia e sensibilidade nos diversos contextos da
gestão de pessoas, contribuindo de maneira significativa para a transformação e valorização das
bibliotecas como espaços de conhecimento, convivência e inclusão.
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Documentação, 21, 120. Recuperado de https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1945.