Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6032, p.1-17, 2025. ISSN: 2236-5753
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Reflexões sobre a Biblioteconomia antirracista nos cursos de Biblioteconomia
do Estado do Rio de Janeiro
Elisamara Gurgel Domingos de Carvalho, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
(UNIRIO), Brasil, https://orcid.org/0009-0000-1628-6902
Ester da Silveira, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Brasil,
https://orcid.org/0009-0004-7980-274X
Flávia Dutra Rodrigues, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Brasil,
https://orcid.org/0009-0006-2437-069X
Mariana Acorse, Instituto Nacional de Câncer (INCA), Brasil, https://orcid.org/0000-0003-
4293-3477
Nathália Lima Romeiro, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Brasil,
https://orcid.org/0000-0002-6274-4836
DOI: https://doi.org/10.62758/re.308
RESUMO
Este estudo investiga como os cursos de graduação em Biblioteconomia do Estado do Rio de Janeiro
estão contribuindo para a construção de uma biblioteconomia antirracista. As questões de pesquisa
centram-se em: (1) como as instituições estão integrando a temática étnico-racial em seus currículos
e (2) de que forma o curso de Licenciatura em Biblioteconomia pode engajar estudantes e profissionais
nesse processo. O objetivo geral é analisar a inserção de conteúdos étnico-raciais nos Projetos
Pedagógicos de Curso (PPC) e propor ações que fortaleçam a Biblioteconomia Antirracista. Os objetivos
específicos incluem contextualizar a importância desses estudos, mapear os PPCs e sugerir práticas
inclusivas. Justifica-se a pesquisa pela necessidade de enfrentar o fenômeno do epistemicídio, que
marginaliza saberes não eurocêntricos, perpetuando desigualdades. A metodologia adotada é
qualitativa, com enfoque bibliográfico e documental, analisando cursos de Biblioteconomia por meio
de PPCs, ementas e matrizes curriculares. A coleta de dados incluiu revisão de literatura e análise de
documentos disponibilizados por instituições públicas e privadas. Os resultados indicam que, embora
as instituições públicas apresentem esforços na inclusão de conteúdos étnico-raciais, a oferta de
disciplinas é irregular, limitando a formação antirracista. As instituições privadas, embora com menor
variedade curricular, utilizam nomenclaturas mais diretas que favorecem a visibilidade das temáticas.
A pesquisa evidencia a urgência de implementar uma formação contínua e práticas educacionais que
promovam a diversidade e o respeito às identidades. Assim, a Licenciatura em Biblioteconomia se
posiciona como um agente transformador, capaz de contribuir significativamente para uma prática
biblioteconômica mais inclusiva e equitativa.
Palavras-Chave: Ensino de Biblioteconomia; Educação Antirracista; Biblioteconomia Antirracista; Rio
de Janeiro; Brasil.
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Reflexiones sobre la bibliotecología antirracista en los cursos de Bibliotecología del Estado
de Río de Janeiro
RESUMEN
Este estudio investiga cómo los programas de licenciatura en Bibliotecología en el Estado de Río de
Janeiro están contribuyendo a la construcción de una bibliotecología antirracista. Las preguntas de
investigación se centran en: (1) cómo las instituciones están integrando temas étnico-raciales en sus
currículos y (2) cómo la Licenciatura en Bibliotecología puede involucrar a estudiantes y profesionales
en este proceso. El objetivo general es analizar la inclusión de contenido étnico-racial en los Proyectos
Pedagógicos de Curso (PPC) y proponer acciones que fortalezcan la Bibliotecología Antirracista. Los
objetivos específicos incluyen contextualizar la importancia de estos estudios, mapear los PPC y sugerir
prácticas inclusivas. La investigación se justifica por la necesidad de enfrentar el fenómeno del
epistemicidio, que margina el conocimiento no eurocéntrico, perpetuando las desigualdades. La
metodología adoptada es cualitativa, con un enfoque bibliográfico y documental, analizando los cursos
de Bibliotecología a través de PPC, programas de estudio y matrices curriculares. La recolección de
datos incluyó una revisión bibliográfica y análisis de documentos puestos a disposición por
instituciones públicas y privadas. Los resultados indican que, si bien las instituciones públicas se
esfuerzan por incluir contenido étnico-racial, la oferta de cursos es irregular, lo que limita la formación
antirracista. Las instituciones privadas, aunque con menor variedad curricular, utilizan nomenclaturas
más directas que favorecen la visibilidad de los temas. La investigación destaca la urgencia de
implementar formación continua y prácticas educativas que promuevan la diversidad y el respeto a las
identidades. Así, la Licenciatura en Bibliotecología se posiciona como un agente transformador, capaz
de contribuir significativamente a una práctica bibliotecaria más inclusiva y equitativa.
Palabras-Clave: Enseñanza de la Bibliotecología; Educación Antirracista; Bibliotecología Antirracista;
Río de Janeiro; Brasil.
Reflections on anti-racist librarianship in Library Science courses in the State of Rio de
Janeiro
ABSTRACT
This study investigates how undergraduate Library Science programs in the State of Rio de Janeiro are
contributing to the construction of an anti-racist library science. The research questions focus on: (1)
how institutions are integrating ethnic-racial themes into their curricula and (2) how the Bachelor's
Degree in Library Science can engage students and professionals in this process. The general objective
is to analyze the inclusion of ethnic-racial content in the Course Pedagogical Projects (CPPs) and to
propose actions that strengthen Anti-racist Library Science. The specific objectives include
contextualizing the importance of these studies, mapping the CPPs, and suggesting inclusive practices.
The research is justified by the need to confront the phenomenon of epistemicide, which marginalizes
non-Eurocentric knowledge, perpetuating inequalities. The methodology adopted is qualitative, with
a bibliographic and documentary focus, analyzing Library Science courses through CPPs, syllabi, and
curricular matrices. Data collection included a literature review and analysis of documents made
available by public and private institutions. The results indicate that, although public institutions make
efforts to include ethnic-racial content, the offering of courses is irregular, limiting anti-racist training.
Private institutions, although with less curricular variety, use more direct nomenclatures that favor the
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visibility of the themes. The research highlights the urgency of implementing continuous training and
educational practices that promote diversity and respect for identities. Thus, the Bachelor's Degree in
Library Science positions itself as a transformative agent, capable of contributing significantly to a more
inclusive and equitable library practice.
Keywords: Teaching Library Science; Anti-racist Education; Anti-racist Library Science; Rio de Janeiro;
Brazil.
1 INTRODUÇÃO
A Biblioteconomia transcende a mera organização e disponibilização de acervos físicos ou
digitais, desempenhando um papel relevante na construção e disseminação do conhecimento. Essa
função é fundamental para diversificar e incluir narrativas sociais, reconhecendo diferentes vozes e
perspectivas em uma sociedade plural. Nessa linha de pensamento, reconhecemos que o papel da
Biblioteconomia é intrínseco à promoção do acesso à informação, à promoção da cidadania e ao
desenvolvimento intelectual da sociedade. No entanto, a história da área, assim como seus currículos
e práticas, não está isenta das complexidades e desafios impostos pelas estruturas sociais vigentes.
Isso levanta uma questão séria: a persistente relutância de cursos e pesquisas em Biblioteconomia,
especialmente no Rio de Janeiro, em incluir e valorizar literaturas e perspectivas relacionadas à
temática étnico-racial. Essa lacuna não apenas reflete uma omissão crítica, mas também evidencia um
fenômeno mais profundo e prejudicial conhecido como epistemicídio.
O epistemicídio, neste contexto, manifesta-se pela exclusão sistemática de conhecimentos,
teorias e autores que não pertencem ou compactuam com a ótica eurocentrada, perpetuando uma
visão de mundo hegemônica que por vezes limita a compreensão da diversidade cultural e intelectual.
A ausência de representatividade e a marginalização de vozes negras nos currículos e práticas
biblioteconômicas contribuem ativamente para esse fenômeno, conforme salientam Bell Hooks (2021)
e Silva, Garcez e Silva (2022). Bell hooks enfatiza que a mera inclusão do que a autora chama de "temas
negros" ou menções superficiais a questões raciais não são suficientes para desconstruir as estruturas
racistas; ao contrário, podem mascarar a perpetuação de preconceitos e do racismo. Para transformar
esse cenário, hooks argumenta que é necessário cnsolidar entre a comunidade acadêmica um
compromisso ativo e uma postura antirracista. Silva, Garcez e Silva (2022) complementam esse
pensamento ao discutir como a ocultação dos saberes negros se manifesta no campo epistemológico
e educacional da Biblioteconomia, identificando o epistemicídio como um fenômeno de subordinação
e subalternização étnico-racial.
Para compreender a complexidade desse cenário, é fundamental distinguir conceitos
interligados, mas com escopos e abordagens distintas. Com base nisso, considera-se que a professora
e pesquisadora Franciéle Carneiro Garcês-da-Silva (2023) foi pioneira ao introduzir o termo
"Biblioteconomia Negra" no campo biblioteconômico-informacional, tal investimento se configura
como um movimento crítico de viés afrocentrado, focando nas experiências e no protagonismo de
profissionais negros na área. A autora considera que a Biblioteconomia Negra promove o
reconhecimento e a valorização da contribuição de indivíduos negros para o campo. No entanto, o
presente estudo visa ir além, pois se alinha à perspectiva da "Biblioteconomia Antirracista", um
conceito mais abrangente também explorado no estudo de Garcês-da-Silva (2025). Diferente da
Biblioteconomia Negra, que se concentra na agência de profissionais negros, a Biblioteconomia
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Antirracista dedica-se à denúncia, ao questionamento e ao combate ativo do racismo e do
epistemicídio em todas as suas manifestações no campo da informação. Nesse sentido, seu propósito
primordial é promover um conhecimento verdadeiramente inclusivo, que reconheça, valorize e
visibilidade a todas as formas de saber, desconstruindo as hierarquias impostas por lógicas racistas.
A urgência dessa distinção e da adoção de uma postura antirracista é acentuada ao
considerarmos o impacto do trauma racial, especialmente em ambientes acadêmicos. Como apontam
Franciéle Garcês-da-Silva, Dirnéle Garcez, Nathália Romeiro, Priscila Fevrier e Ana Paula Alves (2023),
o contexto universitário, incluindo a formação em Biblioteconomia, pode intensificar o trauma racial
experenciado por estudantes e profissionais negros, manifestando-se em microagressões e exclusão,
deixando estes estudantes e profissionais em um constante estado de alerta, uma vez que infelizmente
as microagressões raciais correspondem a um sistema racista estrutural. Diante desse quadro, a
criação e implementação de políticas e programas que assegurem o bem-estar emocional e a
permanência desses indivíduos na universidade e nas organizações torna-se inadiável. A
Biblioteconomia Antirracista, nesse sentido, não é apenas uma abordagem teórica, mas uma prática
que busca criar ambientes mais seguros, equitativos e propícios ao desenvolvimento pleno de todos
os indivíduos.
Nesse panorama, a Licenciatura em Biblioteconomia, curso oferecido apenas na Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), se apresenta como um agente de mudança de grande
potencial. Com a capacidade de difundir conhecimentos biblioteconômicos e promover uma educação
antirracista ativa, o protagonismo do licenciado em Biblioteconomia se manifesta de diversas formas.
Ao atuar nas salas de aula, esse profissional pode implementar práticas pedagógicas que desafiem as
estruturas de desigualdade e preconceito enraizadas na sociedade. Ademais, por meio de uma
abordagem crítica e reflexiva, licenciados em Biblioteconomia podem facilitar a construção de
ambientes educacionais que valorizem a diversidade e respeitem as identidades dos alunos,
promovendo, assim, uma cultura de inclusão.
Diante desse cenário e da necessidade urgente de transformação, surge o seguinte
questionamento central que provoca esta investigação: como os cursos de graduação em
Biblioteconomia do Estado do Rio de Janeiro estão atuando na construção de uma biblioteconomia
antirracista? questão que também nos orienta a questionar de que forma o curso de licenciatura em
Biblioteconomia pode estimular o engajamento dos estudantes e profissionais no desenvolvimento de
uma Biblioteconomia Antirracista? Tais questionamento buscam explorar as possibilidades de
formação e atuação que podem transformar as práticas acadêmicas e profissionais, contribuindo para
a construção de um campo biblioteconômico mais equitativo.
Esta pesquisa assume como objetivo geral investigar a inserção da temática étnico-racial nos
projetos pedagógicos dos cursos de Biblioteconomia do estado do Rio de Janeiro, visando propor ações
que fortaleçam a aplicabilidade da Biblioteconomia Antirracista. Para alcançar esse objetivo,
delineiam-se os seguintes objetivos específicos:
a)
Contextualizar a importância da inclusão de estudos sobre as relações étnico-raciais na
Biblioteconomia, enfatizando sua relevância para a formação de profissionais críticos e
conscientes;
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b)
Mapear os projetos pedagógicos dos cursos de Biblioteconomia do estado do Rio de
Janeiro, a fim de verificar a presença ou ausência de literaturas étnico-raciais em seus
currículos;
c)
Propor ações que fortaleçam a aplicabilidade da Biblioteconomia Antirracista tanto no
âmbito acadêmico quanto no profissional, com o objetivo de promover práticas inclusivas
e equitativas.
A justificativa para a realização deste estudo baseia-se na compreensão de que a ausência de
epistemologias não-brancas nos currículos acadêmicos de Biblioteconomia não se trata de um mero
descuido, mas de um fator que perpetua o fenômeno do epistemicídio em relação a esses saberes na
área. A introdução e o fortalecimento de uma perspectiva antirracista na Biblioteconomia são,
portanto, fundamentais para desmantelar essas estruturas, possibilitando o enfrentamento do
epistemicídio que permeia os estudos biblioteconômicos e as práticas profissionais.
Além disso, este estudo busca contribuir para a formação de profissionais de Biblioteconomia
que sejam mais conscientes, críticos e engajados na construção de uma sociedade epistemicamente
justa. A adoção de uma abordagem antirracista é essencial para que os futuros bibliotecários possam
atuar de forma proativa na desconstrução de preconceitos e na promoção de um ambiente
educacional que valorize todas as identidades. Assim, este estudo se propõe a ser um passo
significativo em direção a uma formação que priorize a justiça social e a equidade no campo da
Biblioteconomia. Ao investigar a inserção de temas étnico-raciais nos currículos, pretende-se não
apenas identificar lacunas, mas também fomentar práticas que garantam uma formação inclusiva e
representativa, contribuindo para a construção de um campo biblioteconômico mais equitativo e
diversificado.
2 RACISMO ESTRUTURAL E EPISTEMICÍDIO NA BIBLIOTECONOMIA
Compreender o racismo no Brasil exige coragem e um olhar atento para suas raízes estruturais
e históricas. A escravidão, que fundamentou a sociedade brasileira, não se limitou a ser um sistema
econômico; tornou-se um modelo de organização social que consolidou práticas de exclusão e
hierarquização racial que ainda reverberam em nossos dias (Ribeiro, 2019). Desde sua introdução por
volta de 1590, conforme apontado por Leite (2017), a escravidão no Brasil tem sido um fenômeno que
impacta profundamente as relações sociais e raciais, moldando a sociedade de maneira estrutural e
duradoura.
Wilkerson (2021) destaca que, historicamente, um grupo foi brutalmente excluído da
humanidade e subjugado por gerações. Essa escravidão se estendeu por quatro séculos, durante os
quais as pessoas negras foram submetidas a um sistema de desumanização. Enfrentaram jornadas de
trabalho exaustivas e a negação total de seus direitos, vivendo em um contexto de violência diária que
resultou em milhares de mortes. As humilhações, subjugação e torturas deixaram marcas que vão além
do corpo físico, manifestando-se como um trauma racial invisível e cruel.
O racismo também se sustenta por meio da linguagem. Ou seja, por meio de discursos que
reforçam estereótipos e atribuem características negativas a determinados grupos raciais operando
como instrumentos de dominação. Essa hierarquia social, que categoriza indivíduos com base em seu
pertencimento étnico-racial, revela preconceitos entrincheirados e expõe as desigualdades estruturais
enfrentadas por povos historicamente subalternizados. Complementar a isso, Wilkerson (2021)
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observa que, embora o termo "racismo" seja frequentemente utilizado para descrever as tensões
vividas pela população negra, ele pode não abranger a complexidade dessas experiências. O racismo,
na verdade, se manifesta como um sistema de castas supostamente invisível, sustentado pela falácia
do mito da democracia racial, e está profundamente enraizado na sociedade. Esse sistema determina
lugares fixos e hierarquizados para os negros, independentemente de sua classe social ou trajetória
pessoal. Assim, constantemente observa-se que mesmo quando uma pessoa negra alcança ascensão
econômica ou acadêmica, ela será constantemente avaliada pela cor de sua pele, como se sua posição
social estivesse eternamente condicionada ao estigma racial historicamente imposto.
Moreira (2020) argumenta que, enquanto o senso comum muitas vezes perceba o racismo
como um comportamento irracional de indivíduos isolados, especialistas evidenciam que ele está
profundamente enraizado nas estruturas sociais e psíquicas das sociedades ocidentais. Essa
manifestação do racismo se revela por meio de estereótipos raciais internalizados por uma parcela
significativa da população, refletindo uma construção histórica e cultural que perpetua desigualdades
e preconceitos.
Ribeiro e Mendes (2023) afirmam que, mesmo após o acesso garantido por políticas
afirmativas, estudantes negros enfrentam formas de violência que vão além do aspecto material e
físico. A violência simbólica, em particular, impacta diretamente a permanência e a integração desses
alunos nos espaços universitários, tornando a universidade um local excludente e hostil para aqueles
que não se enquadram no perfil historicamente hegemônico. Essa realidade evidencia a necessidade
de uma abordagem que desafie as estruturas raciais existentes e promova um ambiente acadêmico
verdadeiramente inclusivo. Nas palavras de Moreira,
As associações da negritude com a escuridão, com a falta de caráter e com a
degradação moral estruturam a atitude de desagrado que pessoas brancas sentem
em relação a negros. A ela estão relacionadas fantasias que são utilizadas para a
formação da personalidade dos indivíduos, como também parâmetros para a
atribuição de sentido ao mundo. A presença hegemónica de pessoas brancas nas
produções culturais molda a percepção do valor social dos grupos minoritários a
partir dos traços dos membros desse grupo (Moreira, 2020, p. 48-49).
Essas violências reverberam no sofrimento psíquico dos estudantes negros, que
frequentemente trazem consigo uma trajetória de vida marcada pela precariedade, resultante do
racismo estrutural e histórico. Esse contexto desencadeia sintomas que comprometem a saúde mental
e que também se refletem na saúde física (Guerra et al., 2024). Esse sofrimento é denominado trauma
racial, um tema que requer debate em diversas áreas do conhecimento, especialmente no campo da
Biblioteconomia, que é o foco central desta pesquisa.
A discussão sobre o trauma racial sublinha ainda mais a importância da Biblioteconomia
Antirracista no âmbito educacional. O trauma racial se manifesta no corpo por meio de sensações de
medo, terror e impotência, impactando a construção de uma identidade marcada pela inferiorização
e dificultando o raciocínio. Como salientado por Ribeiro (2024), “essa resposta traumática é uma
herança que está ali há mais de uma geração”. Essa realidade evidencia a necessidade de profissionais
adequadamente capacitados para promover um ensino antirracista.
Nos últimos anos, educadores comprometidos com uma abordagem crítica do ensino têm
buscado novas formas de ensinar e aprender, evitando a reprodução de sistemas de dominação, como
o imperialismo, o sexismo, o elitismo e o racismo. Essa abordagem, conhecida como "pedagogia da
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esperança", fortalece a luta por justiça, mesmo diante das adversidades impostas pelos opressores.
Além disso, a educação como prática de liberdade possibilita o enfrentamento da perda e a
restauração do senso de conexão entre os indivíduos, promovendo uma educação que pode realmente
transformar as diferentes realidades (Hooks, 2021).
Considerando o papel essencial das universidades na formação de profissionais, torna-se
fundamental a inclusão de disciplinas que abordem questões étnico-raciais. Essa inclusão não apenas
constrói um processo de identidade, mas também promove o desenvolvimento de uma consciência
crítica sobre diversidade e inclusão (Faben & Oliveira, 2022).
A partir das reflexões e análises teóricas previamente apresentadas, torna-se evidente que o
debate sobre racismo no campo da Biblioteconomia é não apenas necessário, mas urgentíssimo. As
universidades brasileiras, historicamente moldadas para servir a uma elite predominantemente
branca, passaram por um importante marco de transformação com a implementação das políticas de
cotas raciais e socioeconômicas. Esse processo resultou em uma pluralização significativa da presença
estudantil nos espaços universitários, diversificando o corpo discente e, progressivamente, o corpo
docente, uma vez que os editais de concurso têm incluído essas ações afirmativas.
Atualmente, a diversidade racial, étnica e social é visível nos corredores, nas salas de aula e
nos grupos de pesquisa, uma vitória significativa proporcionada pelo Governo Federal através do
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI).
Contudo, essa mudança visível na composição do corpo discente o foi acompanhada por uma
transformação profunda nas estruturas curriculares e epistemológicas da universidade. Apesar da
diversidade aparente, o sistema educacional universitário ainda opera sob uma lógica eurocentrada,
que privilegia saberes brancos, masculinos e hegemônicos, em detrimento das epistemologias negras,
indígenas, periféricas, feministas e abolicionistas de gênero.
A produção científica e acadêmica ainda confere maior legitimidade e prestígio a autores
considerados "eruditos" do início da Biblioteconomia, perpetuando a predominância de vozes brancas,
muitas vezes vistas como o padrão universal. Esse cenário é um reflexo do epistemicídio histórico e
sistemático descrito por Silva, Garcez e Silva (2022), que evidenciam como a ausência de
epistemologias negras nos currículos universitários contribui para a perpetuação de um modelo de
ensino excludente.
Embora as Diretrizes Curriculares Nacionais, em conformidade com as Leis 10.639/2003 e
11.645/2008, determinem a obrigatoriedade da inclusão das temáticas da história e cultura afro-
brasileira, africana e indígena em todos os níveis de ensino, inclusive no ensino superior, essa exigência
ainda enfrenta barreiras estruturais. Essas leis foram criadas para provocar uma ruptura institucional
e “forçar” as universidades a se posicionarem frente ao racismo. O fato de ser necessário legislar sobre
algo tão fundamental, como ensinar sobre a história e as contribuições de povos que constituem a
base da sociedade brasileira, revela a urgência de instrumentos normativos que garantam que o
racismo seja nomeado, debatido e enfrentado para sua erradicação nos espaços de ensino.
A investigação sobre o epistemicídio na formação de profissionais de Biblioteconomia, assim
como a construção de uma proposta teórica e prática para uma formação continuada que enfrente o
racismo estrutural e epistêmico, exige uma análise das estruturas que sustentam a exclusão de
epistemologias negras e de demais saberes subalternizados no campo acadêmico. Nesse sentido, Silva,
Garcez e Silva (2022) abordam com profundidade como a ocultação dos saberes negros ocorre no
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campo epistemológico e educacional da Biblioteconomia, identificando o epistemicídio como um
fenômeno de subordinação à dominação hegemônica. Embasadas em uma perspectiva crítica racial,
as autoras destacam que o epistemicídio se configura como uma “morte de conhecimentos
alternativos” (Silva, Garcez & Silva, 2022, p. 4), resultado de um processo histórico de imposição
eurocêntrica que deslegitima os saberes dos povos originários, das comunidades negras e de outros
grupos subalternizados.
Este quadro exige uma reflexão crítica e uma ação deliberada para reverter as desigualdades
persistentes no campo da Biblioteconomia, promovendo uma educação que valorize e integre as
diversas vozes e saberes que compõem a rica tapeçaria da sociedade brasileira.
O processo de exclusão e de reprodução de estruturas racistas é visível no ambiente
universitário, que, segundo diversas autoras, não é neutro. Em vez disso, em diferentes lugares se
reforça uma monocultura do saber na qual se marginaliza conhecimentos e experiências não
hegemônicas. Complementando essa análise, a proposta teórica desenvolvida por Patin, Sebastian,
Yeon, Bertolini e Grimm, conforme resgatada por Silva, Garcez e Silva (2022), delineia quatro
categorias de injustiça epistêmica: testemunhal, hermenêutica, curricular e participativa. Essas
categorias exemplificam como o epistemicídio se manifesta de maneira estrutural na formação de
profissionais da Biblioteconomia. Complementarmente, as autoras denunciam o fenômeno do
memoricídio, que se configura como uma estratégia colonial de apagamento das identidades africanas,
e o confinamento de acadêmicas negras ao papel de outsiders-within, conceito desenvolvido por
Nicole A. Cooke e Vanessa L. Kitzie. Essas mulheres, apesar de estarem inseridas no espaço acadêmico,
enfrentam o tokenismo e a deslegitimação de suas produções críticas sobre raça e justiça social. Isso
reforça a urgência de novos paradigmas decoloniais e antirracistas na área.
No panorama atual, as relações assimétricas e o racismo estrutural também se manifestam na
própria estrutura do campo científico. Bonfim (2022) discute como autores e autoras negras
enfrentam barreiras significativas para a visibilização de suas produções acadêmicas, sendo
frequentemente compelidos a recorrer às mídias sociais como estratégia alternativa para a circulação
de seus saberes. Segundo o autor, esse processo de midiatização se torna fundamental diante das
exigências de neutralidade nas pesquisas, da pressão para contribuir com o prestígio institucional e da
desvalorização de temas racializados.
Essa análise evidencia que o apagamento epistemológico de pesquisadores e pesquisadoras
negras não ocorre apenas no currículo, mas também nas formas tradicionais de avaliação e difusão da
ciência. Para reverter essa situação, é necessário desenvolver novas métricas que incorporem
perspectivas interseccionais, decoloniais e voltadas à justiça social. Assim, como foi destacado
anteriormente, uma urgência em propostas educativas que desconstruam e confrontem o
epistemicídio, reivindicando uma formação mais justa e comprometida com a diversidade epistêmica.
Somente por meio de um compromisso genuíno com a diversidade epistêmica poderemos construir
um ambiente educacional que enfrente as desigualdades históricas e contribua para a formação de
profissionais conscientes e críticos, aptos a atuar em um mundo cada vez mais complexo e
interconectado.
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3 O ENFRENTAMENTO AO EPISTEMICÍDIO NAS UNIVERSIDADES DO RIO DE JANEIRO
No contexto das universidades públicas do Rio de Janeiro, observa-se que, embora existam
algumas disciplinas eletivas voltadas para bibliografias étnico-raciais e temas de diversidade, tais
iniciativas são insuficientes para caracterizar essas instituições como antirracistas. Esse cenário revela
que o engajamento com essas pautas permanece restrito a uma fração mínima do corpo docente,
perpetuando a hegemonia epistêmica vigente. A manutenção dessas discussões em espaços
marginalizados do currículo, como disciplinas optativas ou projetos isolados, evidencia o caráter
superficial e fragmentado do compromisso institucional com a transformação estrutural.
Nesse panorama, destaca-se de maneira singular a disciplina Informação, Memória e
Documento (IMD), oferecida como optativa no bacharelado e em outros cursos como museologia,
arquivologia e licenciatura em Biblioteconomia na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
(UNIRIO). Essa disciplina é um espaço permanente, com oferta contínua em todos os semestres do
curso de Biblioteconomia, visando sustentar uma abordagem crítica, antirracista e historicamente
situada. Sua atuação representa uma resistência ativa à lógica institucional, mostrando que é possível
articular teoria, prática e memória em uma proposta pedagógica verdadeiramente comprometida com
a justiça social.
Entretanto, a permanência de uma disciplina com tal alcance formativo e político em uma
posição periférica no currículo restrita à condição de optativa e vinculada a um departamento que
não é exclusivo da Biblioteconomia revela tanto a incipiência quanto a negligência em promover
uma reestruturação curricular antirracista. Isso ressalta a falta de comprometimento institucional em
integrar efetivamente as questões étnico-raciais no cerne da formação acadêmica, limitando a
potencialidade transformadora da educação superior.
Como argumenta Garcês-da-Silva (2025), é crucial distinguir entre representatividade e
transformação estrutural. A proposta de incorporação da Biblioteconomia Negra como disciplina
obrigatória nos cursos de formação emerge como um passo estratégico e político rumo a essa
transformação. Trata-se de mais do que simplesmente incluir novos conteúdos; é uma reestruturação
curricular crítica que reconhece, valoriza e legitima saberes historicamente marginalizados.
Essa proposta visa à reparação epistêmica e ao reconhecimento da pluralidade de experiências
e identidades presentes entre os estudantes. Também é um chamado à ação para que professores e
gestores acadêmicos se sensibilizem, se autoavaliem e se comprometam com um processo contínuo
de desconstrução de suas próprias formações e práticas. É necessário, sobretudo, abandonar a “zona
de conforto” do modelo tradicional e abraçar a complexidade e a riqueza dos saberes produzidos por
sujeitos historicamente excluídos.
Não haverá transformação real enquanto o epistemicídio for naturalizado dentro das
estruturas acadêmicas. A resistência à mudança curricular, à aceitação de outras epistemologias e à
problematização das relações raciais no ensino reflete diretamente a manutenção do status quo.
Portanto, o enfrentamento ao racismo estrutural e à hegemonia epistêmica exige mais do que
discursos; requer ações concretas, políticas institucionais comprometidas, formação docente
antirracista e, sobretudo, uma escuta ativa às vozes negras e dissidentes da norma.
A proposta aqui defendida é, portanto, um chamado à responsabilidade coletiva. Estudantes,
docentes e gestores acadêmicos devem se mobilizar para romper com lógicas excludentes e construir,
de forma comprometida e contínua, uma Biblioteconomia que reconheça a legitimidade de todos os
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saberes, respeite a diversidade e promova a justiça social. Incorporar a Biblioteconomia Negra como
disciplina obrigatória não é apenas um gesto político, mas uma resposta ética à urgência de formar
profissionais capazes de atuar criticamente em uma sociedade marcada por desigualdades históricas.
Complementando essa discussão, Garcês-da-Silva (2025) oferece um aporte teórico
fundamental ao definir e diferenciar os conceitos de Biblioteconomia Negra e Biblioteconomia
Antirracista. A autora contribui para ampliar a compreensão sobre as lutas étnico-raciais no campo da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação, questionando o uso reducionista de marcos históricos,
como a formação da primeira bibliotecária negra em 1993. Embora simbólicos, esses marcos não
traduzem um comprometimento real com práticas e políticas antirracistas no âmbito acadêmico e
profissional. Através de uma revisão crítica da literatura produzida no Brasil e na América Latina,
Garcês-da-Silva defende a necessidade de construir conceitos e fundamentos teóricos próprios,
capazes de responder às especificidades do contexto social brasileiro e às demandas históricas de
justiça racial.
4 DESCONSTRUINDO O SILENCIMENTO: POR UMA BIBLIOTECONOMIA ANTIRRACISTA
A proposta de enfrentamento ao cenário atual da Biblioteconomia passa, segundo Silva,
Garcez e Silva (2022), por quatro estratégias fundamentais: (1) a afroperspectividade como eixo
decolonial dos currículos; (2) a educação bibliotecária antirracista, decolonial e intercultural; (3) a
atualização de profissionais com foco nas injustiças epistêmicas; e (4) a integração de mestres do saber
ancestral-tradicional em experiências pedagógicas. Essas medidas visam reverter o apagamento
estrutural e inserir de maneira crítica e propositiva os saberes negros no cerne da formação acadêmica.
De acordo com Garcês-da-Silva (2025), a Biblioteconomia Negra busca refletir sobre as
vivências dos bibliotecários negros e as interseccionalidades presentes nas comunidades negras e
afrodiaspóricas. Essa abordagem propõe metodologias, teorias e ferramentas da Biblioteconomia
como instrumentos de resistência e insurgência, reconhecendo as memórias, cosmologias e narrativas
desses grupos como legítimas. Assim, promove-se a visibilidade e a valorização de suas experiências
tanto no campo profissional quanto acadêmico.
Por outro lado, a Biblioteconomia Antirracista, como aponta Garcês-da-Silva (2025), é uma
corrente teórico-crítica que se volta para o enfrentamento do racismo estrutural e institucional
presente nas práticas pedagógicas, nos currículos acadêmicos e nas bibliotecas. Diferente da
Biblioteconomia Negra, que se centra nas experiências e na agência dos profissionais negros, a
Biblioteconomia Antirracista convoca todos os profissionais da área independentemente de sua
identidade racial a assumirem a responsabilidade de combater o racismo e promover a diversidade
epistêmica. Para Garcês-da-Silva, mais do que inserir conteúdos sobre diversidade nos currículos, essa
perspectiva busca superar as injustiças testemunhais, hermenêuticas, curriculares e participativas que
historicamente excluem saberes não eurocentrados e marginalizam grupos oprimidos. Assim, a
Biblioteconomia Antirracista propõe estratégias para transformar as práticas pedagógicas e
curriculares, pautando-as pela justiça social e pela reparação histórica.
Essas duas abordagens, conforme destaca Garcês-da-Silva (2025), não são excludentes; pelo
contrário, podem se articular em uma Biblioteconomia Negra Antirracista. Essa articulação combina a
centralidade das experiências negras com o engajamento coletivo necessário para transformar
estruturalmente o campo da Biblioteconomia. Seus pilares incluem pesquisas científicas, legislações,
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diretrizes curriculares e práticas profissionais comprometidas com a reparação epistêmica e a
promoção da justiça racial nos espaços de informação e formação.
Portanto, ao integrar as discussões sobre epistemicídio, Biblioteconomia Negra,
Biblioteconomia Antirracista e racismo estrutural no campo científico, torna-se evidente a urgência de
incorporar a Biblioteconomia Negra como eixo estruturante dos cursos no Rio de Janeiro. Essa
integração não apenas confronta o currículo eurocentrado e excludente, mas também propõe a
valorização das vozes e saberes historicamente marginalizados. Assim, promove-se uma
transformação crítica, antirracista e decolonial na formação de profissionais da Biblioteconomia, que
é essencial para um futuro mais justo e inclusivo no campo da informação.
5 A LICENCIATURA EM BIBLIOTECONOMIA E O SEU POTENCIAL PROTAGONISMO NA
IMPLEMENTAÇÃO DA BIBLIOTECONOMIA ANTIRRACISTA
No Brasil, existe apenas um curso de Licenciatura em Biblioteconomia, oferecido pela
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). De acordo com o Projeto Pedagógico do
Curso (PPC), a proposta para o curso de Licenciatura em Biblioteconomia surgiu em 1986, com a
intenção de integrá-lo ao curso de bacharelado. Em 1988, os cursos de licenciatura foram reformulados
no Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCH), resultando na criação de um curso independente. No
entanto, essa iniciativa foi encerrada em 1991 devido à falta de docentes na área da educação,
formando apenas uma turma (UNIRIO, 2009).
Após dezoito anos sem a oferta do curso, e em resposta a uma necessidade social, o Estado
brasileiro implementou medidas para reformular a Licenciatura em Biblioteconomia. Isso ocorreu com
respaldo na Lei 9.394/96 e como parte das estratégias do Governo Federal para democratizar o acesso
ao ensino superior, especialmente para jovens de 18 a 24 anos. Essa reformulação também visava
suprir a carência de profissionais qualificados no mercado de trabalho (UNIRIO, 2009).
Em 2010, as atividades do curso foram retomadas, com a abertura de quarenta vagas por
semestre, apresentando uma matriz curricular sólida, abrangente e humanista, que reconhece a
natureza bio-psíquico-social da formação. A carga horária totaliza 3.405 horas, direcionadas à
preparação pedagógica (UNIRIO, 2009).
O PPC define o perfil do egresso como um profissional com formação ampla, capaz de atuar
como catalisador do processo educativo em suas múltiplas dimensões, indo além da mera transmissão
de conteúdos. Esse profissional deve estar atento às implicações éticas e epistemológicas do processo
educacional e demonstrar competência para integrar os campos da Biblioteconomia e da Educação.
Espera-se que compreenda saberes e práticas da área como parte de um processo contínuo, dinâmico
e interdisciplinar. Além disso, deve desenvolver metodologias voltadas ao ensino de práticas
biblioteconômicas, formando auxiliares técnicos para bibliotecas, centros de documentação,
informação e memória. A valorização da pesquisa como princípio educativo e a capacidade de
diagnosticar as necessidades dos estudantes da educação básica e do ensino médio são também
aspectos importantes para planejar e implementar projetos educacionais inclusivos, interdisciplinares
e contextualizados (UNIRIO, 2009).
A Licenciatura em Biblioteconomia possui um amplo campo de atuação e está em constante
crescimento, sendo o magistério sua principal área de atuação. Os licenciados são habilitados a atuar
de forma estratégica e crítica em diversos contextos, posicionando-se como mediadores culturais e
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educacionais na construção de práticas emancipadoras. Eles desempenham um papel essencial na
formação de bibliotecários, considerando suas competências informacionais (Spudeit, 2014).
Ao considerar a formação continuada, é crucial que a educação antirracista não se limite ao
cumprimento pontual de normas ou conteúdos, mas seja incorporada como um princípio ético-
pedagógico ao longo de toda a carreira profissional. Licenciados que reconhecem a importância da
Biblioteconomia Antirracista têm a capacidade de promover práticas educativas, curriculares e
informacionais que valorizem a diversidade, enfrentem desigualdades históricas e contribuam para a
construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Essa abordagem integrada não apenas enriquece
o processo educativo, mas também fortalece o compromisso dos profissionais com a transformação
social e a equidade.
6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa teórico-reflexiva de abordagem qualitativa, do tipo bibliográfica,
descritiva e documental. O objetivo central é compreender de que forma a Licenciatura em
Biblioteconomia pode estimular o engajamento dos estudantes e profissionais no desenvolvimento de
uma Biblioteconomia Antirracista, contribuindo para a implementação de estudos e o enfrentamento
do racismo estrutural e epistêmico. Para tanto, os objetivos específicos incluem a análise de cursos de
Biblioteconomia do Rio de Janeiro para verificar a presença de literaturas étnico-raciais em seus
currículos e o apontamento de ações para fortalecer a aplicabilidade da Biblioteconomia Antirracista
no âmbito acadêmico e profissional.
A investigação baseia-se na análise de livros, legislações, artigos científicos e pesquisas
disponíveis na Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI). A coleta de dados foi realizada por
meio de descritores como: antirracista”, “educação antirracista” e “licenciatura” combinados com os
termos booleanos (“racismo” OR “antirracista” OR “negra”). Esses termos foram selecionados por
abordarem diretamente questões relacionadas à decolonialidade, biblioteconomia antirracista,
biblioteconomia negra, formação docente, práticas pedagógicas e abordagens curriculares voltadas
para a promoção de uma educação antirracista.
Os procedimentos de análise se baseiam em uma investigação documental dos Projetos
Pedagógicos de Curso (PPC), compreendendo os cursos de graduação em Biblioteconomia ofertados
por instituições de ensino superior (públicas e privadas) no Estado do Rio de Janeiro. Os sujeitos da
pesquisa foram os documentos curriculares dessas instituições. A coleta de dados ocorreu por meio
de pesquisa documental, utilizando como instrumentos de coleta os Projetos Pedagógicos de Curso
(PPC) que continham as ementas, matrizes curriculares e bibliografias básicas disponibilizadas pelos
sites institucionais. Quando a informação não estava prontamente acessível online, como no caso da
Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio
de Janeiro (CEDERJ), os documentos foram obtidos mediante solicitação direta às coordenações dos
respectivos cursos. Em contraste, para as instituições privadas, a obtenção dos PPCs nos sites foi
inviável, sendo possível acessar apenas as matrizes curriculares.
Um entrave significativo na análise qualitativa da pesquisa documental foi a ausência de
representatividade da temática étnico-racial no Tesauro da Ciência da Informação, o que ressalta a
urgência de sua revisão para refletir a diversidade de conhecimentos. Para contornar essa limitação e
garantir a amplitude da busca, a análise foi complementada por uma lista de termos extraída de fontes
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especializadas, incluindo: O “Glossário Antidiscriminatório, volume 3” (Minas Gerais, 2022); o artigo
“Microtesauro da temática cultura afro-brasileira e relações étnico-raciais” (Santos, 2022) e o
“Glossário de Informação Étnico-Racial” (Souza & Albuquerque, 2021). Para identificar literaturas
presentes ou ausentes nos PPCs, ementas, matrizes curriculares e bibliografias, foram utilizados os
seguintes termos, analisando os títulos das disciplinas, ementas e bibliografias: "memória cultural",
"memória social", "patrimônio cultural", "história e cultura afro-brasileira e indígena",
"afrodescendência", "branquitude", "inclusão social", "letramento informacional", "resistência
cultural", "protagonismo", "direitos humanos", "políticas culturais", entre outros. A presença desses
termos, de forma direta ou transversal, permitiu identificar conteúdos relacionados às relações étnico-
raciais.
7 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados obtidos a partir da análise documental dos cursos de Biblioteconomia oferecidos
por instituições públicas e privadas no Estado do Rio de Janeiro focaram em identificar a presença de
conteúdos relacionados às relações étnico-raciais na graduação. Essa análise levou em consideração a
disponibilidade e a acessibilidade dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC), bem como a existência de
disciplinas obrigatórias e optativas que abordem essa temática.
A exposição dos dados foi organizada para destacar os aspectos quantitativos e qualitativos da
oferta curricular, diferenciando as características observadas nas instituições públicas e privadas.
Elementos como a clareza das informações disponibilizadas nos portais institucionais, a frequência da
oferta das disciplinas e a terminologia utilizada para identificar as temáticas étnico-raciais também
foram considerados. Essa etapa da pesquisa permite uma reflexão sobre os compromissos
institucionais com a formação crítica e antirracista dos futuros profissionais da Biblioteconomia,
apontando tanto lacunas quanto potencialidades observadas nos documentos analisados.
A análise revelou um panorama diversificado quanto à inclusão da temática étnico-racial nos
currículos, evidenciando diferenças notáveis entre as instituições blicas e privadas. Além disso,
foram identificados desafios significativos na acessibilidade a informações curriculares detalhadas, o
que pode limitar a capacidade dos estudantes de entenderem e se engajarem com esses conteúdos
essenciais.
No âmbito das instituições blicas, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se
destacou pela clareza e acessibilidade das informações disponíveis em seu site institucional. O curso
de Biblioteconomia da UFRJ possui um Projeto Pedagógico do Curso (PPC) completo, que inclui
ementas, matriz curricular e bibliografia básica, todos acessíveis ao público. Esse curso contempla três
disciplinas obrigatórias e seis optativas diretamente associadas à temática étnico-racial. A
Universidade Federal Fluminense (UFF) também disponibiliza um PPC com matriz curricular. No
entanto, o documento completo foi obtido apenas mediante solicitação à coordenação do curso,
que, no momento da pesquisa, não se encontrava disponível no site institucional, onde apenas a matriz
curricular podia ser acessada. A UFF oferece três disciplinas optativas relacionadas à temática em sua
grade curricular. Na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o curso de Licenciatura
em Biblioteconomia conta com Projeto Pedagógico do Curso (PPC) com ementas e matriz curricular
disponíveis para consulta. Esse curso apresenta um total de 11 disciplinas optativas que abordam a
temática étnico-racial, embora nem todas sejam efetivamente ofertadas a cada semestre, o que limita
as possibilidades de escolha dos discentes. Já o curso de Bacharelado da mesma instituição contempla
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nove disciplinas, sendo duas obrigatórias e sete optativas, todas com PPC com ementas e matriz
curricular acessíveis. O Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CEDERJ),
que oferece o curso de Biblioteconomia na modalidade a distância em parceria com a UFF e a UNIRIO,
dispõe de duas disciplinas obrigatórias e duas optativas voltadas para a temática. Embora a matriz
curricular estivesse disponível no site institucional, as ementas foram obtidas mediante solicitação à
coordenação do curso, devido à inoperância do link correspondente no portal.
Em contraste com as instituições públicas, as instituições privadas não disponibilizam o Projeto
Pedagógico de Curso (PPC) em seus sites, oferecendo apenas a matriz curricular. Contudo, observou-
se uma maior clareza e objetividade na nomenclatura das disciplinas nessas instituições, que abordam
de forma mais explícita a temática étnico-racial, ao contrário das instituições públicas, cujas
denominações, em geral, são mais genéricas. Todos os dados das instituições privadas foram obtidos
em seus respectivos sites institucionais. Dentre as instituições privadas analisadas, o Centro
Universitário Uniabeu (UNIABEU) possui uma disciplina optativa voltada à temática étnico-racial. A
Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) oferece três disciplinas obrigatórias sobre o tema, e a
Universidade Estácio de (ESTÁCIO) apresenta quatro disciplinas obrigatórias em sua matriz
curricular. Ressalta-se que a maioria dos cursos dessas instituições é ofertada na modalidade de ensino
à distância.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do cenário apresentado e da urgente necessidade de transformação, a presente
pesquisa se propôs a investigar como os cursos de graduação em Biblioteconomia do Estado do Rio de
Janeiro estão contribuindo para a construção de uma biblioteconomia antirracista. Além disso, buscou-
se compreender de que maneira o curso de Licenciatura em Biblioteconomia pode estimular o
engajamento de estudantes e profissionais nesse desenvolvimento.
Os objetivos gerais e específicos delineados foram atingidos, permitindo uma reflexão crítica
sobre a inserção da temática étnico-racial nos Projetos Pedagógicos dos cursos analisados. A
investigação revelou que as instituições públicas demonstram um esforço significativo na
disponibilização de informações estruturais, como os Projetos Pedagógicos de Curso, e na oferta de
disciplinas optativas com abordagens temáticas. Contudo, essas disciplinas, em muitos casos, não são
ofertadas com regularidade, o que limita a efetivação de uma formação comprometida com as
questões de raça e diversidade.
Por outro lado, embora as instituições privadas apresentem uma oferta quantitativamente
menor e limitem o acesso a documentos pedagógicos, suas nomenclaturas curriculares tendem a ser
mais diretas, o que contribui para a visibilidade das temáticas abordadas. A constatação de que o
Tesauro da Ciência da Informação não contempla adequadamente os termos relacionados às relações
étnico-raciais agrava essa situação, pois revela uma ausência de reconhecimento epistemológico das
produções que dialogam com essas pautas. Isso compromete não apenas o mapeamento curricular,
mas também a indexação, a pesquisa e a visibilidade das produções acadêmicas correlatas ao tema.
Diante da escassez de disciplinas obrigatórias e da inconstância na oferta de optativas, torna-
se evidente a necessidade de consolidar uma abordagem antirracista por meio de ações formativas
contínuas. A educação continuada se apresenta como uma estratégia essencial para preencher lacunas
na formação inicial, permitindo que os profissionais da informação atualizem suas práticas à luz de
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referenciais comprometidos com a equidade racial, o enfrentamento das desigualdades históricas e a
valorização da diversidade cultural. Projetos de extensão, cursos livres, oficinas e outras modalidades
de formação complementar devem ser incentivados e integrados aos currículos de forma mais
orgânica.
Além disso, os espaços acadêmicos e associativos, como o GT 12 da Associação Nacional de
Pesquisa em Ciência da Informação (ANCIB) que aborda temas como informação, Estudos Étnico-
Raciais, Gênero e Diversidade no Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB)
e o Encontro Nacional de Bibliotecárias (os) Negras (os) e Antirracistas (ENBNA), realizado
juntamente com o Encontro Internacional de Bibliotecárias (os) Negras (os) e Antirracistas (EIBNA),
constituem instâncias fundamentais para o fortalecimento das práticas antirracistas. Essas iniciativas
permitem que a formação profissional dialogue com as demandas sociais e atue com responsabilidade
ética na construção de bibliotecas e espaços de informação mais inclusivos, diversos e justos.
Assim, a articulação entre formação inicial e educação continuada é indispensável para
transformar os espaços biblioteconômicos em ambientes críticos e socialmente comprometidos, onde
a temática étnico-racial não seja apenas uma adição curricular pontual, mas um eixo estruturante da
prática profissional. Nesse contexto, é importante destacar que os licenciados têm o potencial de atuar
ativamente na criação e condução de cursos livres, cursos de extensão, minicursos, oficinas, projetos
de extensão e seminários, além de colaborar com processos formativos em empresas e outras
instituições.
A Licenciatura em Biblioteconomia possui uma grande potência na construção de uma prática
biblioteconômica e pedagógica antirracista. Sua natureza formativa permite aos educadores promover
espaços de debate, ensino e aprendizagem que abordem criticamente as relações de raça, classe e
gênero, contribuindo para o enfrentamento do racismo, da desigualdade e do preconceito. Dessa
forma, a Licenciatura em Biblioteconomia contribui diretamente para a aplicabilidade da
Biblioteconomia Antirracista, ao formar profissionais com competências informacionais e pedagógicas
capazes de transformar práticas biblioteconômicas, educacionais e curriculares.
Além disso, é fundamental reconhecer a relevância da Biblioteconomia Negra como uma
vertente teórico-política que, embora distinta da Biblioteconomia Antirracista, se articula com ela na
construção de práticas biblioteconômicas comprometidas com a justiça social e a reparação histórica.
Ao valorizar a centralidade das experiências e das epistemologias negras, essa abordagem fortalece a
construção de saberes situados e insurgentes no campo da informação.
Da mesma forma, deve-se destacar a importância da efetiva implementação das Leis
10.639/2003 e 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade da inclusão da história e cultura
afro-brasileira, africana e indígena nos currículos. A presença dessas diretrizes legais evidencia que a
luta por uma formação antirracista é também uma questão de política pública, cuja negligência
compromete não apenas o direito à educação, mas também a construção de um projeto democrático
e plural de sociedade. Incorporar essas dimensões contribui para que a Biblioteconomia supere sua
tradição eurocentrada e se reoriente a partir de princípios ético-políticos que reconheçam, valorizem
e legitimem a diversidade epistêmica.
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