Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6036, p.1-17, 2025. ISSN: 2236-5753
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Essencialmente, a compreensão que se chega a partir do conceito de práticas informacionais
é a de que os indivíduos são sujeitos ativos durante suas interações com as informações que buscam,
recuperam e destinam a uma ou mais finalidades. Porém, esse processo uma vez iniciado não deve ser
dissociado da realidade social e cotidiana da qual esses sujeitos são membros, uma vez que é junto a
elas que eles exercem seus papéis sociais, situados em múltiplos momentos ao longo dos dias, e
apresentando um emaranhado de “conexões sociais, econômicas, políticas e culturais que influenciam
suas atividades informacionais, cotidianas ou profissionais, e suas ações estruturam a realidade social,
em um movimento dialógico constante” (Achilles & Rocha, 2025, pp.6).
Tendo como realidade o avanço do paradigma social de Capurro (2003, 2010), combinado com
a visão de práticas informacionais trazida por Savolainen (2007, 2008), denota-se nas pesquisas em
Ciência da Informação um foco voltado agora para a promoção da interação dos indivíduos com o meio
social e técnico de que fazem parte ou se encontram inseridos. Dessa forma, os estudos provenientes
desse período abarcam temas que prezam a consideração tanto pelos sujeitos (pessoas ou entidades),
como pela informação, suas comunidades discursivas e a relação deles com o meio social e técnico,
em suas dimensões políticas, econômicas e culturais.
A esse público se confere a designação de sujeitos informacionais. O aumento de estudos
tendo por base esse viés e, consequentemente essa nomenclatura, não passou despercebido, sendo
constatado e compreendido em abordagens que retrataram tendências compatíveis com ela, como
[...] pela presença de estudos sobre usuários de informação em outros âmbitos além
dos cursos de graduação em Biblioteconomia, tais como a Arquivologia, a
Museologia e os Sistemas de Informação [...] mudança nas condições de participação
dos sujeitos que, com as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias e pela
internet, vêm se tornando cada vez mais produtores e disseminadores de
informação. Mas o principal motivo que levou a tal ampliação foi o surgimento de
perspectivas de pesquisa que buscaram integrar o caráter individual e coletivo do
comportamento dos usuários, bem como sua inserção nos contextos socioculturais
(Araújo, 2013, p.2).
Toda essa evolução teórico-conceitual aqui retratada credita as perspectivas defendidas por
Cruz & Araújo (2020), e por Araújo & Ramos (2023), de que o termo ‘sujeito informacional’ não advém
de um coloquialismo ou modismo passageiro, mas como o resultado concreto da constatação de que
a expressão anteriormente utilizada, ‘usuários da informação’, já não é mais capaz, de forma
integralmente satisfatória, de interpretar e representar o arcabouço epistemológico que envolve os
sujeitos, a informação, os contextos sócio-culturais e a experiência cotidiana vivida pelos sujeitos
nesses contextos, uma vez que, na visão desses autores, a mudança que essa terminologia trás
contempla consigo uma ampliação das perspectivas de pesquisas e próprio entendimento do indivíduo
e de como ele estabelece relações com a informação, considerando-se a multiplicidade de momentos,
formatos, campos e espaços, quer sejam físicos ou virtuais, para desempenharem suas funções, não
apenas de cunho acadêmico ou profissional, mas também envolvendo fatores como lazer, religião,
família, entretenimento, entre outros, que fazem parte da vida humana.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A metodologia desta pesquisa se desenvolveu a partir das seguintes etapas: a) Delimitação do
campo de pesquisa; b) Definição da amostra; c) Classificação da pesquisa; d) Definição das técnicas