Revista EDICIC, San José (Costa Rica), v.25, e-6037, p.1-13, 2025. ISSN: 2236-5753
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A História da Universidade de Évora deu passos significativos para a história do ensino em
Portugal (Vaz & Pereira, 2012), não só porque foi das poucas universidades que inovaram na oferta
formativa numa área científica em desenvolvimento, como a Ciência de Informação, mas também
porque nela se formaram ao longo dos anos, de 2001 a 2018, muitos indivíduos que investigaram as
temáticas relativas a instituições de preservação de memória e outras infraestruturas culturais, do Sul
do país e a temas mais genéricos da CI. Investigar sobre a produção científica na área CI, nos cursos
desenvolvidos na UE, é contribuir para fazer a História da Universidade e garantir que, na atualidade,
seja salvaguardada uma reflexão crítica sobre os resultados agora apresentados e as suas
consequências versus o encerramento destes cursos pela Agência de Avaliação e Acreditação do
Ensino Superior (A3ES).
2.2 Cursos em Ciência da Informação e da Documentação
A CI, enquanto área científica dinâmica e centrada na Informação, está ajustada ao contexto
sociocultural e tecnológico, estabelecendo relações mais ou menos próximas com outras áreas do
saber. Neste contexto, os cursos de CI nasceram na UE integrados no Centro Interdisciplinar de
História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS). Este centro foi criado em 1994 e é uma unidade de
investigação nas áreas da História e das Ciências Sociais, tendo revelado, ao longo de três décadas,
uma sólida trajetória na produção científica nestas áreas do conhecimento. A investigação realizada,
focada no tema do Sul, pelas várias áreas disciplinares como a História, a Ciência da Informação, a
Museologia, a Arqueologia, as Humanidades Digitais, a Linguística, a Literatura ou a Sociologia,
demonstram a diversidade e a pluralidade de perspetivas sobre os desafios sociais que o Sul, enquanto
entidade geográfica e temática, enfrentou e encara na atualidade.
No ano letivo de 2001-2002, fruto da convergência e colaboração do departamento de
História, Informática e Gestão de Empresas, iniciou-se na UE o curso de Pós graduação e Mestrado em
Ciências Documentais, mais tarde designados por Ciências da Informação e da Documentação.
A cooperação entre os departamentos representou, nos programas de formação, uma aliança
de saberes interdisciplinares. Com o decurso do processo de Bolonha, a UE decidiu criar dois ciclos de
estudos em CI, a licenciatura (ciclo de três anos) e o mestrado (ciclo de dois anos). O primeiro iniciou-
se em 2007-2008 e o mestrado continuaria a formação nesta área e, em 2009, articulou-se com um
programa de doutoramento (Vaz, 2014). A UE, a nível nacional, pretendeu dar resposta às
necessidades de formação dos profissionais de informação, oferecendo uma oferta formativa
transdisciplinar, aproveitando a conjuntura favorável que espelhava a necessidade de formação nesta
área a Sul do país (Vaz, 2006).
A Comissão de Curso responsável por estas formações, juntamente com um grupo que incluiu
outros professores, debruçaram-se sobre o perfil do aluno, baseando-se no documento da European
Council of Information Associations (2005) para definição das competências profissionais a
desenvolver nesta área, assim como, os objetivos cognitivos e comportamentais dos alunos, com o
propósito de capacitar profissionais que acompanhassem os desafios da sociedade de informação e se
atualizassem. A formação disponibilizada privilegiou a vertente humanista, oferecida pelas várias áreas
disciplinares, desde a História à Sociologia. No CIDEHUS desenvolveram-se projetos que serviram de
acolhimento aos alunos que desejassem seguir linhas de investigação enquadradas nos cursos de CI
(Vaz, 2006, 2014), nomeadamente na linha de pesquisa em Literacias e Património Textual (Oliveira,
2022).